Eu ia até ti. Eu ia porque sabia que precisavas e porque queria que precisasses de mim, tanto quanto eu precisava de ti. Eu ia porque tu me disseste “também te amo” quando eu já estava prestes a explodir em lágrimas.

Estava tão preocupada contigo que não pensei duas vezes quando me pediste para ir a teu encontro.

Eu fui porque não havia outra forma de ficar descansada, ouvindo a tua voz do outro lado do telefone em tom melancólico de choro a chamar por mim, as 2 e 4 da manhã.

Sabia que havia consequências em vir a teu encontro, e que elas iam acabar por me acertar em cheio na cara como sempre acontecia. Eu ia criar expectativas e esperar que reconhecesses o meu esforço e ia acabar desapontada contigo e mais ainda, comigo, porque sempre esperava por algo melhor, algo que nunca aconteceu.

Mas lembras-te quando queríamos o mesmo? Quando sentíamos exatamente o mesmo…

Eu quero que saibas que não importa onde e como acabamos, mas a qualquer hora eu vou embora e nessa altura eu espero que já tenhas seguido em frente, porque eu já vou estar longe. Sei que ainda vou sorrir quando te ouvir falar e ainda vou perguntar “Que foi? ” quando ficares demasiado tempo a olhar para mim de cenho franzido, porque há coisas que nunca mudam e tu nunca vais mudar, tu nunca mudarias por ninguém e talvez esteja mesmo aí o meu grande erro. Esperar pelo dia em que mudes por mim… Mas pelo menos eu sei onde eu erro, oxalá soubesses onde erras também!

Eu só queria que me segurasses nos teus braços e me desses a garantia de que era ali que pertencias e querias estar, comigo.

Um dia eu vou saber que tu conheceste alguém que te conseguiu dar aquilo que eu não sabia que precisavas. Nesse dia eu vou chorar, provavelmente como nunca chorei antes. Mas não faz mal, todos nós choramos vez ou outra e não há nada melhor do que deixar tudo aquilo que conservamos, nos escapar no soluço de um choro.

Nunca vou guardar rancor, mas também vou procurar não guardar nada, apenas para tentar garantir que eu fui até ti, até onde me foi permitido, mas também fui embora, quando chegou a hora do adeus.

 

XX Carol

“para que eu pudesse ser dele, sem que nos pertencêssemos”

Eu não sei se amor e sanidade são a mesma coisa, mas quando estou apaixonada eu sei que o mundo ganha sentido para mim. Eu sei que amar não é saber tudo, mas quando ele foi embora eu passei a não saber nada.
Sei quem ele é, como ele é, e do que ele gosta, mas não sei mais que isso.
Houve um dia em que nos amámos e um dia em que nos deixámos estar.
Estar longe.
Estar sós.
Ele amou-me uma vez e eu amei-o de volta. Coisas aconteceram e nós estagnamos e aqueles momentos de dúvida acerca do que eu sentia ficaram a pairar no ar. Eu queria tê-lo sem o ter por completo, mas tendo-o apenas para mim, para que eu pudesse ser dele, sem que nos pertencêssemos, mas nos preenchêssemos o bastante para não haver ninguém entre nós.
Eu não fui o suficiente e talvez eu seja culpada, mas eu deixei que a culpa fosse minha, porque eu sabia que era.
Agora olho para a janela do meu quarto e vejo-o lá e aquela insistente lembrança consome-me como um relógio TIC TAC que nunca para, nunca me deixa em paz, mas não quero que me deixe, porque sem ela eu estou sozinha.

  • Texto da minha autoria inspirado num poema de Neil Hilborn do livro Our Numbered Days

XX Carol