Querido Ex Namorado

“Podíamos ter sido tudo, mas preferiste fazer de nós nada.

Não sei em qual dia acordaste e viste que eu já não era boa o suficiente para ti. Não sei quando te apercebes-te que afinal eu não era alguém que quisesses apresentar aos teus amigos e chamar de tua namorada. Será que alguma vez fui mesmo TUA NAMORADA?

Eu achava que sim. Eu achava que gostavas de mim, tanto quanto eu gostava de ti e que falavas de mim tanto quanto eu. ENGANEI-ME.

Um dia deste-me a mão e soltaste-a, quando quem não devia ter notado, notou. Um dia abraçaste-me rápido e desfizeste o abraço, mais rápido ainda, quando percebeste que não estávamos sós.

De um dia para o outro, passaste a dizer-me que sentias muito mais do que mostravas e eu acreditei, porque doía mais se não acreditasse.

Devia ter ido embora quando amar-te passou a ser sinónimo de sofrer. Devia ter-te esquecido, quando te disse que para mim estava tudo acabado. Quando me mentiste, quando me fizeste sentir vergonha de ser como sou ao pensar que não era boa o suficiente, para ti e para os teus amigos que nunca sequer desconfiaram da minha existência. Devia ter-te ignorado, da mesma forma que tu me ignoraste ou castigaste, por às vezes ser ingénua demais para ver a maldade nos outros, que pareciam sempre querer tirar partido de mim.

Eu devia ter-te ignorado quando me procuraste, quando me fizeste perceber que ainda me amavas, quando me fizeste acreditar que ainda havia salvação para nós os dois…

Nunca te percebi, nem vou perceber… um dia queres-me só para ti, no outro nem te lembras que existo…

Cansei de ser lembrada só de vez em quando, quando não há ninguém melhor para te ocupar o tempo.

Desculpa a minha sinceridade, mas cansei de ser usada.

Espero que sejas feliz e não te desejo mal algum, mas para mim adeus é adeus e se foste covarde para nunca me dizer isso na cara, talvez eu seja corajosa para me despedir pelos dois.”

Mais um dos meus textos aleatórios, depois de uma temporada longe do blog!

XX Carol

A quem eu deixei ir…

Eu aprendi a viver sem ti. Pode não ter sido da maneira mais fácil, mas já passou, já foi!  Agora pouco dói, há dias em que nem me recordo de como era estar do eu lado.

Fizeste tanta questão de me afastar do teu mundo, que acabaste por me fazer não querer pertencer a ele e não sei se lamento por teres perdido a única pessoa que te amava de verdade ou se agradeça a mim mesma por finalmente ter aberto os olhos.

Estava tão habituada a te ter ao meu lado, que nem percebia que, na verdade, eu é que estava do teu. Eu é que ia ter contigo, eu é que te procurava, te chamava. E das poucas vezes em que eras tu a fazê-lo, era porque precisavas de algo, e como em tantas outras vezes, eu estava sempre disponível para tudo, porque te amava e pensava que tu me amavas também, ainda que de uma maneira um tanto estranha e distorcida.

Sofri muito quando me magoaste pela última vez, mas sofri por menos tempo.

Algo por trás da mentira me fez perceber que, aquela seria a última vez que eu te deixava, partir me o coração.

Não sei se foi o cansaço que venceu, a humilhação ou a espera demasiado longa por um pedido de desculpas que nunca chegou a vir, eu apenas sei que de um dia para o outro acordei e decidi dar um basta!

Eu tinha falta de amor-próprio, falta de afeto, falta de carinho, falta de atenção, falta de amor.

Achava que contigo, todas as minhas carências iam passar, mas foi preciso te deixar ir, para perceber que toda a minha falta, tinha um nome e não era o meu.

Eu agora sei quem sou e quanto eu valho! Não preciso de ninguém para me sentir amada, porque eu sou mais que suficiente.

Obrigada a ti, por me teres feito ver a idiota que eu era, ao pensar que sem te ter, não me tinha!

XX Carol

 

 

Quando eu amei*

Tenho estado terrivelmente ausente do Blog e peço desculpa por isso, de verdade. A minha vida tem me pregado algumas partidas e há dias em que não consigo acompanhar o ritmo dela.

A semana passada escrevi um post, que não cheguei a publicar, o titulo era, “As escolhas acertadas”. Muito por alto, posso dizer que esses post falava de decisões que tomei, pessoas que afastei da minha vida e principalmente, falava de quem eu amo.

Irónico ou não, uma semana depois, cheguei ao fim de uma relação de pouco mais de 7 meses. Não vou mencionar as razões, nem o porquê disso.

Estou hoje a viver o meu primeiro dia de solteira, após estes últimos meses de altos e baixos. Não vou mentir e falar que estou 100% positiva e que já dei a volta por cima. Impossível fazê-lo assim, do nada.

Ontem, após ter a minha decisão tomada quanto ao rumo a seguir, eu decidi escrever, porque é a única coisa que consegue acalmar os meus sentimentos e achei que seria de certa forma bom, partilhar aqui convosco, espero que gostem.

” Depois de um “nós” deixar de existir, nada fica. Tu percebes que acabou, no fundo tu sabes que não há volta a dar, mas tu não consegues aceitar que aquele é o fim.

Quando amas alguém, tu perdes-te e encontras-te num olhar, num carinho, num sentimento em que acreditas que é certo e permanente, estás convencido que descobriste o abraço a que podes chamar de “casa”.

Todo o resto passa a ser detalhe e o “nós” torna-se num tudo. A vida parece mais leve e os dias mais curtos, as horas passam e tu nem te dás por ela, porque estás ali, com a tua pessoa, com o teu amor.

Sem intenção, planos e expectativas do futuro começam a surgir, imaginam coisas para fazer, sítios a ir, momentos a criar. Tudo parece finalmente fazer sentido e tu sentes na pele o que é ser feliz.

Do nada, essa felicidade vai embora. Tudo aquilo que se construiu a dois, desmorona devagar e tu ficas submerso, numa dor que te afoga um pouco mais a cada dia.

Tudo aquilo em que acreditaste, todos os teus sonhos, as tuas motivações para a vida, tudo perde sentido. Tu não queres mais viver, não queres acordar no dia seguinte, não queres ter de dizer que está tudo bem, quando não está.

Fingir felicidade é a pior das tristezas, mas tu vês-te obrigado a isso, porque ninguém realmente entende a dor de amar por dois, a solidão, o vazio que é.

Perdes uma parte de ti, ficas sem casa, sem vida. Todas as coisas tornam-se sacrifícios, até as coisas mais simples.

Não há apetite para comer, vontade para sair, ver pessoas. Não há mais vida, existem apenas dias atrás de dias, horas sem propósito.

É um fim de ti mesmo. Só consegues sentir dor, dor por amar. Amar sozinho.

Questionas-te sobre o porquê e como as coisas acabaram assim. Remóis recordações, procuras antigas conversas, ouves músicas e colocaste-te num ciclo vicioso de sofrimento e saudade.

Procuras maneira de fugir disso, tentando ao mesmo tempo não dizer “adeus” à outra pessoa. Porque o adeus é um deixar ir, e tu queres tudo, menos deixar ir aquele que já não é teu.”

Vou ser franca, não foi preciso mais do que algumas horas para perceber o quanto isto me estava a fazer mal. Por muito que o amasse e ame, vejo que tudo o que eu sentia, estava a consumir-me, a destruir-me. Há quem diga que há males que  vêm por bem, acho que esta é uma dessas vezes, pelo menos espero…

XX Carol