Literatura
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“Olhamos sempre um para o outro como se estivéssemos sempre prestes a beijar-nos.”

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Alguma vez te passou pela cabeça que estarias na situação em que estás agora? A viver o que estás a viver hoje? Pensa em tudo aquilo que aconteceu contigo, connosco! Revive cada um dos momentos, do início ao fim e diz-me, o que sentes?

Já pensei nisso um bom número de vezes e adivinha só, eu não sei explicar como fomos acabar desta forma. Há bem pouco tempo atrás, eu sequer imaginava um terço daquilo pelo qual nós os dois já passamos juntos, desde as conversas sinceras aos momentos íntimos. Francamente, o que acontece dentro de ti quando paras para pensar?

Tanta coisa mudou para mim. Eu não falo só no lado de fora da situação, eu falo mesmo por dentro. Eu aprendi a ver muita coisa de maneira diferente e foi essencialmente graças a ti.

Eu costumava dizer que o meu primeiro namorado não ia ser o tal, porque eu achava que tinha de errar primeiro para só depois, descobrir o que era realmente gostar de alguém. Neste momento essa minha teoria parece ter perdido todo o sentido. Costumava achar que romance só existia em livros e que amor de verdade era um mito, mas tu mostraste-me o contrário. Fizeste-me ver tanta coisa de maneira diferente, sentir tanto e tão intensamente.

Eu não sei definir o momento exato em que eu soube que te amava, mas creio que parte de mim ama-te desde há bastante tempo, eu só estava com medo de o admitir para mim mesma, porque transportar as palavras para a realidade requer muita coragem.

Eu tinha medo de o meu “amo-te” tornar-se um arrependimento. E agora vejo que foi um medo idiota. Eu sempre disse que não gostava nem queria depender de ninguém, acho que o dizia porque não sabia como era estar apaixonada. Neste momento eu posso ser franca e admitir que grande parte de mim depende de ti para ser feliz. A melhor parte de mim, aliás.

Eu descobri que gosto de romance e lamechices, mais do que alguma vez imaginei vir a gostar. Amar-te fez-me entender o real significado de várias palavras, até mesmo ciúme, coisa que sempre disse que não era característica minha. Mas mais uma vez, eu não estava apaixonada na altura e agora que estou, entendo o real significado do que é sentir ciúme.

Houve uma altura em que eu achava mesmo que era impossível me amares da maneira que descrevias (confesso que, depois de me dizeres o que sentias por mim, fui enumeras vezes reler conversas nossas e “ouvir” a forma linda como expressavas o teu amor por mim). Demorei algum tempo a acreditar e ainda hoje, apesar de tudo, tenho os meus momentos de incerteza, mas tu conheces-me e sabes das minhas inseguranças. Eu penso demais e tu limitas-te a dizer “sente só”. Sempre dizes isso, e por algum motivo, acaba por resultar. Só que eu sinto tanto, que parece não caber dentro de mim.

Às vezes não sei como reagir perto de ti. És tão imprevisível. Tenho medo que um dia percebas que eu não sou nada daquilo que tu idealizavas e simplesmente desistas de mim. Eu não sei porque penso tanto nisto, mas só o pensamento dói que chegue.

Nunca imaginei um dia vir a dizer coisas destas, muito menos a ti, mas há tanta coisa que eu nunca imaginei que ia acontecer e que aconteceu!

Gosto tanto de te olhar, gosto ainda mais quando olho e tu já o estás a fazer.

Olhamos sempre um para o outro como se nos estivéssemos prestes a beijar. Dizemos tanto, sem dizer nada. E é nisso, nesses pequenos momentos que eu sinto segurança naquilo que somos, mesmo quando me perguntam se temos realmente alguma coisa. As pessoas estão tão habituadas ao casal convencional que não percebem que o nosso relacionamento é muito mais do que mãos dadas e demonstrações de afeto público. Não que eu não goste de o fazer vez ou outra mas, parece que o facto de não sermos assim, confunde os de fora. Só que eles não sabem nada de nós, limitam-se a julgar e a procurar defeitos em todas as nossas diferenças. E confesso que sinto que ainda há um número razoável de pessoas que não acreditam que nós os dois vamos durar. Só que elas não sabem dos “amo-te”, não sabem dos nossos segredos. …

Eu ainda tenho tanto para falar, mas a as palavras simplesmente não surgem. É como se não houvesse forma de dizer tudo aquilo que sinto. É um turbilhão de sensações, um autêntico tumulto de emoção. É um mundo inteiro que vai dentro de mim por tua causa. Por tudo aquilo que me fazes sentir e querer ser. Não sei explicar melhor! É muito, é demais, até pode ser doentio, contudo é o que eu tenho para te dar. Eu não sou de meios-termos, nem sei ser, só sei que tu já me tens por completo, fora isto, não há mais nada que eu te possa dar. Quando eu estou contigo. Eu esqueço de todo o resto. Simples assim.

– 17/10/2015

XX Carol

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