Lady Rebel
Comments 3

Lady Rebel – Capítulo 27

Lady

O corpo de Jordan estremeceu quando o carcereiro fechou a porta da cela atrás dela. A sensação só piorou quando ele colocou uma mão atrás das suas costas e guiou-a ao longo do corredor imundo e escuro.

Era a primeira vez que ela estava numa prisão e o cenário não podia ser mais decadente.

O homem parou em frente a uma porta cinza de metal e tirou uma chave do bolso.

– Agora ficas por tua conta miúda. – abriu a porta. – Qualquer coisa, estou aqui fora.

Ao entrar a sua primeira visão foi Harry de costas para ela. Estava sentado, com o torço inclinado sobre a mesa à sua frente sem se mexer.

O carcereiro fechou a porta de forma estrondosa e desnecessariamente bruta.

Jordan parou onde estava, temerosa. Deu uma longa inspirada e foi.

Quando puxou a cadeira para se sentar em frente a Van der Wood, sentiu necessidade de evitar o contacto visual.

– Podes olhar para mim Carter. – o seu tom duro fez-se sentir. – Eu não mato.

Jordan disse que não com a cabeça, ainda evitando encontrar os olhos verdes. – Essas brincadeiras não te ficam nada bem, especialmente neste momento.

– O que vieste fazer aqui?

– Nem sei ao certo. – suspirou, pousando as mãos na mesa. – Não faço a mínima ideia.

Van der Wood colocou também as mãos em cima da mesa e fixou o olhar nelas. – Acho que esta é a altura certa para esclarecer algumas coisas.

Jordan desviou o olhar para ele comprimindo os lábios.

– Tu já sabes que a Bella era minha irmã. Sabes que ela era muito importante para mim e que a morte dela ainda mexe muito comigo. – Jordan soltou um grunhido de concordância. – Aquilo que tu não sabes é que ela morreu num acidente de carro.

– Eu sei. – interrompeu-o. – A tua mãe contou-me que te sentes culpado pela morte da tua irmã.

Harry soltou um suspiro pesado. – É verdade, mas isso não é relevante agora. – limpou a garganta e olhou-a diretamente pela primeira vez. – A minha irmã morreu num embate contra outro carro. Nesse carro era o teu pai que ia a conduzir.

A respiração de Jordan falhou de repente. – Como?

– Carter era ele quem estava a conduzir o carro. – Harry matinha uma calma angustiante falando aquilo.

Ela começou a mover a cabeça em negação. – Ele não matou ninguém. Se ele tivesse morto alguém eu teria sabido.

– Ele morreu poucas horas depois. Não havia forma de o saberes.

Jordan entreabriu a boca indecifrável. – Como sabes? – a pergunta saiu baixa.

– Foi… – desviou o olhar para um ponto qualquer ao fundo da sala. – … o Nicholas.

Jordan fechou os olhos devagar e engoliu a saliva a seco. – O teu pai…- sussurrou numa entoação contida. -… ele matou o meu pai?

– Porque o John matou a minha irmã.

– O MEU PAI NÃO MATOU NINGUÉM. – gritou com toda a força dos seus pulmões.

– O que o Nick fez não tem perdão Jordan, mas isso não tira as culpas daquilo que o teu pai fez, por isso, para de negar a verdade. – falou frio.

Jordan deixou que a adrenalina levasse a melhor e espetou um murro no tampo da mesa. – Não é possível.

– Jordan! – pegou na mão dela. – Jordan! – apertou-a para tentar conseguir a sua atenção.

– Fala. – olhou para o chão.

– Eu não matei o Luke.

– Outra mentira. – murmurou.

– Não é mentira nenhuma foda-se! – levantou-se de avulso. – Eu não matei ninguém. Ele é que me queria matar.

– Pelo amor de Deus Harry, porque raio é que ele iria querer fazer isso? – levantou-se também.

– Por tua causa! – exclamou levando as mãos à cabeça. – Ele descobriu tudo.

– Tudo o quê? – a sua voz saiu esganiçada.

– Todo o esquema que eu e o meu pai estivemos a trabalhar durantes os últimos dois anos. – virou-lhe costas e deu alguns passos para se afastar. – Para te matar.

– Ma… tu disseste, matar-me?

– Sim. – a sua voz saiu quase inaudível.

Jordan repetiu o movimento de negação com a cabeça e soltou um riso escabroso. – Isto é doido demais para mim.

– Eu tinha 16 anos. – começou a falar.  Estava vulnerável. Eu tinha acabado de perder a pessoa mais importante do mundo para mim, naquele momento qualquer coisa que me fosse dita seria verdade. – Harry apertava as mãos em punho, sem conseguir virar-se para Carter. – O Nicholas disse que para que ele e o teu pai ficassem quites, tu terias de morrer também.

Jordan levou a mão à boca incrédula.

– Naquele momento pareceu-me lógico. Eu fiz tudo o que ele me disse. Fui-te conhecendo de longe, vigiando. – inspirou fundo. – Procurei saber tudo o que precisava de saber para que no momento certo a justiça fosse feita. – Harry passou o antebraço pelo rosto, para enxugar as lágrimas. – Graças a Deus percebi a tempo que isto era doentio. E pouco depois de me aperceber, eu comecei a apaixonar-me.

– Eu…

– Deixa-me acabar por favor…- pediu. – Eu acho que já gostava de ti desde o início, eu só não queria admitir a mim mesmo.

– Onde é que o Luke entra nisto tudo?

– Ele descobriu. – virou o rosto, olhando-a por cima do ombro. – Pensou que eu ainda estivesse com o plano em mente e achou que a melhor forma de te proteger, era matando-me. Eu tentei tirar-lhe a arma da mão, explicar que as coisas não eram como ele estava a ver, mas foi em vão, quando dei por ela, o Luke já tinha apertado o gatilho…

– Meu Deus. – sussurrou num tom afetado. – Como é que isto é possível?

– Se te serve de alguma coisa, eu estou arrependido de tudo o que fiz. – passou a mão no cabelo puxando-o para trás. – Se eu tivesse sabido antes o que sei agora, eu não teria feito nada do que fiz.

Harry deu dois passos em direção a Carter, fazendo-a recuar – Não te aproximes por favor. – sussurrou.

A expressão do rapaz mudou de séria para desesperada. – Jordan, podes-me pedir muita coisa, até podes dizer que me odeias, mas não me impeças de me aproximar de ti. – os seus olhos estavam redondos e fundos. – Tudo menos isso.

– Todas as vezes que estivemos juntos… – continuou a usar o mesmo tom.- ..foi tudo mentira.

– Não! – exclamou de avulso. – Claro que não!

– A noite em que nos conhecemos… – os olhos dela não se moviam, o que deixava Harry ainda mais nervoso. – …o Luke nunca apareceu. Tu pagaste-lhe para ele me fazer ir até ao 17Black.

Lentamente Harry fechou os olhos. – Eu estou arrependido Beija-flor.

– Quando fomos ao Highway! Tu ias-me matar nessa noite, não é? – Carter deu os últimos passos que a separavam dele e puxou o queixo de Van der Wood, para que a olhasse. – Como é que eu me pude deixar enganar?

– Eu não te enganei. – murmurou, deixando que uma lágrima solitária escorresse. – Eu amei-te desde o início.

Jordan baixou a cabeça e cerrou os olhos com força. Harry por sua vez, tirou a mão dela do queixo dele e fez questão de colocar cada uma das suas mãos nas bochechas dela. – Eu amo-te Carter! Pelo amor de Deus, acredita em mim.

– Como queres que acredite em ti? Tu mentiste-me. – os seus olhos encheram-se de água que quase a cegava de tão abundante. – Tu partiste o meu coração.

Harry puxou-a para um abraço apertado e Jordan manteve-se imóvel, incapaz de fazer fosse o que fosse. – Então dá me a oportunidade de o recompor. – beijou o topo da cabeça da rapariga. – Deixa-me amar-te. – os seus lábios começaram a descer lentamente, contornando a face húmida dela, com pequenos beijos.

– Não posso. – grunhiu empurrando o peito dele em vão. – Eu não te amo.

– Não me mintas! – sussurrou mordendo o lóbulo da orelha dela. – Tu não me podes mentir! Não sobre isto Jordan.

Os olhos dela mantinham-se cerrados. Tinha medo de os abrir e não conseguir resistir a Van der Wood, ainda que mesmo de olhos fechados, a tarefa estivesse a ser muito complicada de se concretizar.

– Não me faças isto. – a melancolia por trás das palavras de Harry era desesperante. – Eu preciso de ti. – os seus lábios desceram lentamente para o pescoço dela e antes que ela pudesse dizer que não, ele já estava a beijá-la.

– Har… – tentou falar. – Para, por favor!

As mãos dele apertaram a cintura de Jordan, contra o seu corpo, enquanto distribuía beijos molhados pelo pescoço Carter.

– Eu preciso de ti. – repetiu as mesmas palavras, mas agora mais arrastadas. – Eu quero-te tanto.

O som agudo da porta de ferro fê-los afastar rapidamente. – A visita acabou. Menina Carter, faça o favor de me acompanhar.

Nota::\ perdãoooooo (mas espero que gostem… e espero que fiquem bem esclarecidas sobre alguns pontos da fic❤ )

FELIZ NATAL REBELS❤

This entry was posted in: Lady Rebel

por

Carol. 21 anos. Sonhadora a tempo inteiro, escritora nas horas vagas. Apaixonada por música, dança, moda e literatura. UMinho- Design e Marketing de Moda

3 Comments

Comenta aqui!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s