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Behind the Shadows – Prólogo + Capítulo 1

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PRÓLOGO
Uma fotografia. Uma fotografia que me traz mais memórias do que se possa imaginar. Uma fotografia da família Winston reunida. Uma fotografia das melhores férias que uma família unida pode ter. Uma fotografia de um momento que não se voltará a repetir. Ainda me lembro do dia em que a minha mãe me chamou a mim e ao meu irmão para nos dizer que ela e o meu pai se iam separar. Tanto eu como o Louis ficámos em estado de choque. Ok, nem tanto, era uma situação previsível já que o meu pai passava os dias a trabalhar e quase nunca parava em casa, e quando parava, havia discussão. Mas isso não quer dizer que não nos importássemos com ele, importávamos, e muito. A minha mãe, o meu irmão e eu falávamos sentados no enorme sofá desta enorme casa sobre como iriamos fazer, eu e o Louis não nos queríamos separar, quando o meu pai apareceu no topo das escadas e disse que ele se iria embora e que nós ficávamos. Todos ficámos a olhar para ele, a minha mãe deixou cair uma lágrima e eu abracei-me ao meu irmão ainda mais do que já estava, enquanto ele apertou os seus braços à minha volta. Ele saiu de casa nessa mesma noite sem sequer se despedir. Deixou uma carta a dizer que assim era mais fácil. Nem um abraço lhe pude dar e 3 anos depois desconfio que isso algum dia vá acontecer.
A partir desse dia, não sei porquê, tornei-me uma pessoa diferente, muito mais fechada. Talvez tenha sido por ver o sofrimento por que a minha mãe passou, durante e depois do divórcio. Passei a guardar tudo para mim, nem á Abby conto certas coisas. Não por falta de confiança, eu confio-lhe a minha vida, mas não consigo. A Abby é a minha melhor amiga e é das poucas pessoas que me conhece verdadeiramente e que eu sei que não está comigo por se querer aproximar do meu irmão. Sim, as pessoas aproximam-se de mim por causa do Louis. Ele é o popular do colégio, o heartbreaker, o rei do baile, aquele que toda a gente admira. Ele e o seu grupo de amigos são aquele grupo de pessoas na escola que toda a gente quer ser amigo, são os maiores. Todos têm a ideia de que eles são uns insensíveis e uns orgulhosos, eu não acho isso deles, pelo menos não do meu irmão. Ele é bastante protetor comigo e muito preocupado com o meu bem-estar. Eu amo-o. Mas há uma coisa que ele não percebe, ele não o faz de propósito mas não entende. Eu vivo na sombra dele, as pessoas só sabem quem eu sou se eu disser que sou a irmã do Louis Winston senão passo completamente despercebida, o que às vezes até é bom. As pessoas julgam-me por ser irmã dele, não percebo porquê, mas elas fazem-no. O problema é que elas não têm noção do quanto isso me afeta, mas também como haveriam de ter? Eu não demonstro o que sinto, só quando estou sozinha no meu quarto é que eu me permito a deixar os meus sentimentos aparecer. E nesses momentos tudo o que eu preciso é uma folha de papel, uma caneta e uma música bem alta para me fazer entrar no meu tão conhecido e imaginado mundo. De madrugada os problemas desaparecem e tudo fica perfeito, mesmo que apenas por uns instantes. Na madrugada, porque é nesse silêncio que eu me encontro, me percebo realmente. É quando eu reflito e quando eu compreendo aquilo que no barulho do dia é incompreensível e não faz sentido. Na madrugada não há sombras, e ainda bem porque viver na sombra de alguém em vez de ser a Diana Winston é desesperante, muito desesperante.

 

CAP. 1
Mais um dia, mais uma semana que agora começava. Assim que desliguei o irritante despertador e finalmente ganhei coragem para me levantar, dirigi-me à casa de banho para fazer a minha higiene matinal. Depois disso vesti-me, optando hoje por levar o blazer do uniforme da Dalton em vez do casaco desportivo. A Dalton é uma das melhores escolas de Londres e é bem frequentada. É não só conhecida pelos ótimos professores, alunos com grandes médias escolares e intercâmbios, mas também pelo facto de reunir ensino secundário e universidade. Grande parte dos alunos que se graduam no 12º ano não fazem qualquer mudança na transição para universidade. Os alunos não fazem diferença entre estudantes universitários e estudantes do secundário. Tudo era comum, as festas, os eventos…tudo.
– Queres boleia para as aulas? – Perguntou Louis, abrindo a porta do meu quarto enquanto ainda apertava o seu cinto que, honestamente, eu acho desnecessário, visto que ele tem de puxar as calças para cima a cada 10 passos que dá. Mas admito que isso e o seu cabelo castanho chocolate propositadamente desarrumado lhe dão um certo estilo. É, eu tenho um irmão sexy. O Louis é um dos alunos que seguiu para a universidade da Dalton. O que é uma das razões para nós sermos tão unidos. Se bem que na escola, as pessoas abrem caminho para ele passar enquanto eu me perco nos corredores.
– Bom dia para ti também! – Respondi – Não, eu não quero boleia. A Abby vem cá ter para irmos juntas.
– OK, então eu vou-me embora porque já estou atrasado. Até logo! – E despediu-se de mim com um beijo na testa.
– Até logo! – Quando lhe respondi, já o podia perceber a descer as escadas, provavelmente as da garagem, por isso duvido que ele tenha ouvido.
Acabei de me arrumar e fui para baixo. Assim que pisei o último degrau ouvi a campainha. A Abby tinha chegado.
– Olá! Tudo bem? – Assim que lhe abri a porta, ela deu-me um abraço super apertado. Eu gosto de abraços apertados, mas aquilo era demasiado. Ela estava muito entusiasmada para uma segunda-feira de manhã.
-Sim. – Respondi não com tanto entusiasmo – E pelo que vejo contigo também está. Estás com muita e energia e por acaso, com muita força – Fingi queixar-me do ombro.
– Desculpa lá isso, mas já não te via há muito tempo.
– Nós vimo-nos no Sábado Abigail! – Ambas acabámos por nos rir.
– Sim, mas já passaram muitas horas, muitos minutos e muitos segundos. – Exagero! – E eu tenho muito para te contar.
– Então contas-me pelo caminho.
Saímos de casa e, nos 10 minutos que demorámos até avistar a grande entrada do colégio, Abby contou-me tudo sobre o escândalo que se tinha passado na festa do Brian no Sábado, as mais recentes novidades da imprensa e ainda falou de uma ou duas novas tendências. Eu e ela somos parecidas e temos várias coisas em comum. Mas se há coisa que nos diferencia é o facto de ela estar sempre em cima dos acontecimentos e ter uma pancada por moda. E claro, ela fala bastante. Já eu só sei o que acontece porque ela me atualiza e prefiro música. Ao contrário da Abby, eu penso e calo, ela pensa (grande parte das vezes) e fala. Relativamente à moda, não largo as minhas calças não tão justas assim e os meus ténis gastos, por nada. Eu não sigo muito as tendências, prefiro seguir aquilo que me faz sentir confortável, eu meio que crio o meu próprio estilo. Até porque, juntamente com isto tenho de usar, pelo menos, uma das peças do variado uniforme da escola. Ao menos ainda podemos escolher. Mas, voltando à Abby, acho que é o facto de sermos identicamente diferentes que nos faz gostar tanto uma da outra.
– Estás a ouvir alguma coisa do que te estou a dizer? – Questionou-me.
– Até há bem pouco tempo estava. Desculpa. – Pedi – Perdi-me em pensamentos.
– Em que estavas a pensar?
– No facto de sermos tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais.
– Também penso nisso bastantes vezes – Confessou ela – E sempre chego à conclusão que é por isso que te adoro. Tu és diferente do resto das raparigas da escola.
– Engraçado, a minha conclusão é exatamente a mesma. E eu até posso ser diferente, mas tu não ficas nada atrás.
Olhámo-nos e, entrelaçando os nossos braços, atravessámos finalmente o imponente portão da Dalton, seguindo para a aula da matemática. Iria ser um longo dia.

– Finalmente! Já não posso com mais livros á minha frente! – Facto
– Concordo. Queres ir dar uma volta para desanuviar? – Propôs Abby, enquanto percorríamos o corredor em direção à saída
– Não estou com disposição. Sinto-me cansada. Que tal ficar para amanha à tarde? Temos a tarde livre…
– Por mim pode ser… Bem, vou ter com a minha mãe ao escritório porque ela acabou de me mandar uma mensagem. Até amanha!
– Até amanha Abigail!
– Já te disse que não gosto que me chames isso, Diana!
E entre risos, acabei por avistar o meu irmão encostado ao muro do portão.
– Fiz-te esperar muito?
– Não, mas vamos embora. Ficar na escola por diversão não é comigo. – ele disse com um sorriso no canto do lábio. Já disse que tenho um irmão sexy? Porque tenho!
Assim que chegámos fui direta ao meu quarto. Estava cansada, queria estar sozinha, e mudar de roupa. Apetecia-me pegar nos meus phones e pôr a música no máximo. E assim o fiz. Mas não por muito tempo. Pelo menos, eu acho que não… Mas por outro lado, quando eu dei conta das horas, o meu irmão estava-me a perguntar se eu queria pizza para o jantar, acho que disse que sim.

-Lou, a mãe não vem jantar? – Perguntei entrando no quarto dele.
-Não, ela deixou recado. Mas por falar em jantar… – foi interrompido pela campainha
– Chegou! E tu podes ir lá baixo busca-lo. – Sorri com todos os meus dentes – E antes que perguntes porquê tu, tu é que encomendaste e eu sou rapariga. – Ele olhou-me com as sobrancelhas levantadas e com aqueles olhos verdes (lindos) – Oh , vá lá!
E ele levantou-se. Tenho um poder de persuasão que é qualquer coisa de especial.
– Aqui está o nosso maravilhoso jantar! – Ele chegou com uma caixa na mão.
– Tenho saudades de quando jantávamos todos juntos. – Confessei enquanto ele se acomodava à minha beira – Eu estive a pensar e acho que a mãe se refugia no trabalho. Eu sei que já passou algum tempo desde o divórcio dos pais, mas a mãe ainda não o ultrapassou completamente. E nós também não passamos tempo nenhum juntos.
– Porque dizes isso? – Ele perguntou com os olhos postos na pizza.
– Quando nós acordamos, a mãe já saiu; quando nos deitamos, ela ainda não chegou; se jantarmos juntos duas vezes por semana já é muito.
– E que estás a pensar fazer para mudar isso? É o trabalho da mãe, não a podemos obrigar a trabalhar menos ou assim uma coisa.
– Eu sei que não Lou, mas podíamos tentar passar mais tempo com ela quando ela está em casa, sei lá! – Falei um pouco mais alto e ele olhou para mim. – Podíamos não estar o fim-de-semana todo enfiados nos nossos quartos ou então, no teu caso, não chegar a casa a altas horas da noite. – ele olhou-me com as sobrancelhas levantadas.
– Até parece, mas acho que tens razão. Pensaste nalguma coisa de jeito! Estou orgulhoso, maninha. – E foi por isto que ele levou com uma almofada certeira na cara. Vingativa? Não!
Claro que ele não se deixou ficar, mas estas coisas entre nós já é o pão nosso de cada dia. Acabámos a pizza e ainda fiquei um bocado no quarto dele a ver um filme e a conversar. A vida dele é bem mais interessante do que a minha.
– Bem, vou para o meu quarto… As aulas não perdoam, pelo menos não à segunda-feira.
– Hoje nem te vi lá na escola. – Observou ele.
*Normal* pensei.
– É, eu também não te vi por lá… Isto é se tu foste mesmo às aulas. – Ele olhou para mim e eu percebi. – Pronto, já não está aqui quem falou! Bem, até amanha, Louis.
– Até amanha. – Ele respondeu, olhando-me de esguelha. Eu tenho o dom de chamar as pessoas pelos nomes que elas menos gostam, e a melhor parte é que ninguém me pode fazer isso, porque eu gosto do meu nome. E também nunca ninguém se lembrou disso. – Daqui a bocado vou ao teu quarto só para te ver a dormir. – e sorriu.
Nem sequer lhe respondi. Apenas pensei que se me bastasse estar cansada para eu conseguir adormecer a horas decentes, eu fazia tudo e mais alguma coisa durante o dia. Mas não é assim tão fácil. Até porque, mesmo estando exausta, quando me deito, a minha mente parece ganhar uma energia anormal vinda de uma força do além, o que faz com que dormir se torne uma tarefa demasiado complicada e eu me dedique apenas ao sonhar.
…dia seguinte…
-Estas aulas estão cada vez piores! – Resmunguei – Felizmente já vamos embora!
-Nem me digas nada. – Concordou Abby – Já não posso ver aquele professor careca e gordo á frente!
Abby falava do professor de Química, Albert. E bom, ela tinha razão, ele é mesmo chato, se bem que eu sempre o achei parecido ao Einstein. Não só de nome, e de aparência nem tanto, mas ele fala, fala, fala e ninguém percebe nada. Por isso, ele meio que se deve achar um génio. Para não falar do facto de ele ser louquinho, mas isso é um detalhe a não comentar.
-Coitado do homem, a idade já lhe pesa.
Continuámos a conversa e nem demos conta do momento em que atravessámos o portão da Dalton. Nem precisámos. Nós já sabíamos para onde íamos. Íamos para sítio do costume, o parque. Desde pequenas que íamos para lá.
A minha mãe, Barbara, e a mãe da Abby, Amy, eram grandes amigas, aliás, ainda são, mas já não se encontram tantas vezes como dantes. Elas costumavam encontrar-se no parque, principalmente no Verão. Sentavam-se na relva, à sombra da maior árvore que lá havia e conversavam sobre tudo. Desde a nova receita que a senhora Amy tinha experimentado até ao futuro *demasiado* incerto de todos. Enquanto isso, eu e a Abby sujávamo-nos na caixa de areia, víamos quem baloiçava mais alto para tocar no ramo da árvore, devorávamos gelados de chocolate. Vivíamos a nossa infância felizes. Com o passar dos anos, irmos as quatro ao parque tornou-se menos frequente, mesmo que ainda fosse acontecendo vez ou outra. No entanto, eu e a Abby nunca perdemos esse hábito, afinal, aquele parque fazia parte de nós.
Assim que chegámos, Abigail dirigiu-se aos baloiços *não tão surpresa assim* enquanto eu me limitei a andar um pouco pelo parque. Fui andando e olhando para o céu nublado, fechando os olhos de vez em quando e deixando o vento atingir-me e de, uma forma estranha, reconfortar-me. Não pude evitar que me viesse uma lágrima aos olhos, mas, se precisasse, usaria a desculpa do vento mais uma vez, que certamente não seria a ultima. Se Abby notasse o meu rosto húmido, ela já me conhece o suficiente para saber como eu sou. Sabe que se eu quisesse ou precisasse de falar, eu falaria com ela. A Abby é a minha melhor amiga, a minha irmã, e mesmo que ela não saiba tudo sobre mim, ela é quem mais sabe.
-É giro ver que não perdeste o hábito. – Comentei, sorrindo, enquanto via que Abby tocava no ramo da árvore sempre que conseguia. Ela foi parando o baloiço.
-Tu também não perdeste. Eu sei que não. – Ela afirmou confiante – Hábitos como estes não se perdem tão fácil assim. – Assenti com a cabeça enquanto me sentava no outro baloiço. – E é sempre bom lembrar a infância. – Sorriu.
-E que tal reviver a infância? – Olhei sugestiva para Abby, que sorriu ainda mais.
Iniciámos a tão conhecida competição de baloiços e depois disso ainda passámos pelo escorrega e pela caixa de areia. Os uniformes ficaram lindos, mas não nos preocupámos, há mais roupa com o logotipo da Dalton. As pessoas passavam e olhavam para nós, sendo completamente ignoradas. Nós temos 17 anos e estamos a divertir-nos. Afinal, temos de viver a vida enquanto somos jovens.

Assim que pus um pé dentro de casa, percebi que não estava ninguém em casa. *que problema* Fui em direção ao meu quarto, passando antes na cozinha para pegar num copo de água. Ao passar no quarto do Louis, apercebi-me que não lhe tinha posto a vista em cima durante o dia todo, nada a que eu não tivesse habituada. Sim, eu amo o meu irmão mas não morro se não o vir durante um dia. Já no quarto, fui tomar o banho de que tanto precisava. Tinha sido um longo dia e eu tinha muito em que pensar e para descansar.

 

Nota – a fic não é da minha autoria, eu apenas publico através da autora.

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