Lady Rebel, Literatura
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Lady Rebel – Capítulo 26

West entrou na sala, surpreendendo Van der Wood. Durante aquela semana a única pessoa que o tinha visitado, fora a sua mãe. A pobre senhora Grace Van der Wood estava desolada com a prisão inesperada do filho e como a boa mãe que era, Grace não conseguiu esconder o desgosto ao saber que Harry estava envolvido em drogas. Da mesma forma que Harry não fingiu ser acusado injustamente. Contudo, a sua mãe acreditou nele, quando ele disse que não matou o Luke.

Mas Harry sabia que Grace não ia suportar toda a verdade e optou por esconder que havia sido Nicholas, o seu próprio pai, quem o entregou de bandeja.

Sem mostrar um sorriso piedoso em troca, Daniel sentou-se na frente de Van der Wood, evidentemente zangado.

– Isto é injusto Hazza! – esbravejou indignado. – Tu não devias estar a pagar sozinho pelos quatro. Não foste o único a traficar…

– Cala a boca! – rebateu nervoso. – Queres que alguém te ouça West? – sussurrou cauteloso. – Eu não quero que ninguém fique a saber que há mais gente envolvida. Deixa as coisas como estão e aproveita que a Smith não chegou a descobrir que somos uma quadrilha.

– Isso é ridículo! – cruzou os braços, incompreensivo.

– West, tu achas que eu gosto de estar aqui a pagar por todos? – indagou retórico. – Não! Eu não gosto, mas eu não quero que venhas aqui parar. – admitiu cabisbaixo. – Tu não mereces estar neste buraco. Dan tu és o meu único amigo e és a minha última esperança para convencer a Jordan a vir falar comigo! Eu preciso da tua ajuda!

– Eu até ajudaria Hazza, mas eu não vejo como. A Carter não me conhece bem o suficiente para que eu a consiga convencer a vir cá.

– Tu não consegues, mas a Eleanor consegue! – sugeriu com o olhar iluminado pela esperança. – Ela certamente vai ouvir a Lawrence. Pelo menos espero.

– Er…Harry eu tenho que te contar uma coisa. – soou inseguro.

– O que foi?

– É que…Eu…E a Eleanor… – pigarreou clareando a voz. – Nós meio que… Porra! Nós vamos nos casar amanhã! Pronto disse!

O silêncio de Van der Wood alimentou o nervosismo de West que esperava ansioso por alguma reação do amigo.

Harry franziu o cenho – Estás a brincar? – questionou-o torcendo a cara numa careta duvidosa.

– Não meu grande burro, acho que a minha aflição não deixa dúvidas!

Harry ainda ponderou mais meio segundo, mas as mãos inquietas de West não negavam. O sorriso honesto brotou nos seus lábios quando ele disse… – Meu Deus! Dan, irmão! Parabéns meu! – consagrou o outro com uma palmada pesada no ombro, arrancando um “Ai!” afeminado, em resposta. – Quem diria que a princesa de Southlake Side ia cair nos encantos de Daniel West!

– A realidade ainda não bateu fundo em mim. Eu ainda penso que é um sonho!

– West! Isso é a cena mais gay que eu já ouvi! – gozou, rindo alto.

– Não me julgues idiota! Eu estou apaixonado. – defendeu-se. – E tu também, por isso cala a boca! Tenho a certeza que já disseste coisas muito mais lamechas à Carter. – argumentou convencido.

– Isso é um fato que eu não posso contestar. – Harry admitiu aceitando a derrota. – Mas olha lá, o que é que os pais dela falaram? Não me parece que o senhor e a senhora Lawrence aceitaram da ideia da filha deles casar-se com o pé rapado, assim tão facilmente.

– A tua sensibilidade comove-me! – colocou uma mão no peito, brincando. – Eles não sabem! Só a irmã dela é que sabe.

– Romance impossível!

– É mais ou menos isso! – concordou com um meio sorriso. – Mas vamos ao que interessa, o que é que eu tenho de pedir à Els?

***

O vestido azul claro de Jordan, um palmo acima dos joelhos, condizia com o buquê recheado de lírios azuis que Eleanor segurava contra o peito.

Os cabelos castanhos da noiva estavam majestosamente soltos, combinando com o longo vestido branco de tecidos leves e fluidos.

O sorriso era pintado com um batom pêssego, que contrastava com a sombra escura e elegante nos olhos castanhos da garota.

Eleanor estava linda e simples, tal como sempre imaginara. Do seu lado, estava Daniel usando um fato escuro e antiquado, que pouco foi usado por seu pai.

O homem segurava possessivamente a mão da futura esposa, acariciando as suas costas, enquanto ouviam a sentença do padre, limpando a garganta de meio em meio minuto, para garantir que o seu “Eu aceito”, sairia claro o suficiente.

Milla e Leah estavam do lado de Jordan, usando o mesmo vestido que ela, num tom de rosa pálido, para que estas fossem distinguidas como damas de honor e Jordan, como a madrinha do casal, juntamente com o pai de Daniel.

Por mais que ela lutasse para sorrir genuína a cada olhar condolente que Eleanor lhe dirigia, Jordan não conseguia disfarçar a melancolia espelhada no seu rosto. Nem quando o momento tão aguardado momento chegou e as alianças deslizaram pelos dedos anelares dos noivos.

Tudo o que conseguiu sentir foi o vazio dentro do seu coração e a primeira lágrima impertinente descer na hora certa, disfarçado o seu real motivo.

– Estas a chorar Jay? – murmurou Milla oferecendo-lhe o seu lenço.

– Eu sempre choro em casamentos. – mentiu recusando a oferta da prima. – É inevitável.

Milla encarou-a fazendo uma espécie de análise metódica e desconfortavelmente evasiva, mas antes que Jordan pudesse soltar o seu resmungo de descontentamento, a loira manifestou-se.

– Mentir é feio Jay. – usou um tom sereno abandonando o altar.

As suas sobrancelhas arquearam inevitavelmente, mostrando-se sem contra-argumento para a prima. Jordan queria acreditar que o motivo de se ter emocionado era o casamento da melhor amiga, mas ela sabia melhor do que ninguém, que casamentos não a emocionavam a esse ponto.

Quando finalmente notou a ausência de som à sua volta, reparou que estava sozinha dentro da capela. Todos já tinham abandonado o santuário sem que ela sequer se apercebesse disso.

Era a segunda vez que Jordan ia a uma igreja naquela semana. E inevitavelmente, o motivo que a levou a ir lá da primeira vez, veio-lhe á cabeça magoando no lugar onde sempre mais doía.

Ela não conseguia aceitar a morte de Luke. Era só fechar os olhos para que a imagem do garoto moreno de olhos faiscantes num tom azul profundo, surgisse de forma real e viva na sua frente. O seu toque suave, a sua voz aveludada, que sempre trazia alguma palavra doce, o seu coração enorme tão cheio de esperança, o seu amor incondicional por Carter.

Tudo, todo ele tinha morrido e não havia nada que pudesse mudar isso.

– Jordan! – a mão quente e confortável de Eleanor, tocou o ombro da garota.

– Desculpa Els! – choramingou Jordan virando-se para a morena. – Eu não queria incomodar-te com os meus problemas logo hoje. Eu não quero…

– Hey! Jay! – exclamou, puxando a amiga para um abraço apertado. – Eu não estou aqui a fazer nenhum favor. Tu és a minha melhor amiga e isso é o que importa. O Daniel pode esperar maios um pouco.

Jordan apenas concordou com a cabeça, apertando Eleanor.

– Eu preciso pedir-te uma coisa Jay…- começou cautelosa. – Mas tens que me prometer que vais manter a calma. – pediu soltando o abraço.

Carter franziu o cenho, enxugando as poucas lágrimas que borraram a sua cara com máscara.

Depois de soltar um suspiro pesado, Eleanor, procurou as mãos frias de Carter e pegou nelas, obtendo a atenção da rapariga.

– Tu tens que falar com o Van der Wood.

Estranhamente, Jordan não esboçou qualquer expressão.

– Não vais dizer nada? – perguntou nervosa.

– O que queres que eu diga? – retribuiu fria.

– Não sei…sim, não, eu não sei Jordan.

– Óptimo! – exclamou sarcástica, puxando as suas mãos para si. – Eu também não sei. Não faço a mínima ideia daquilo que devo fazer. – virou o rosto, fugindo aos olhos castanhos de Lawrence. – Já pensei umas quantas vezes em fazer isso, mas então lembro-me do quanto dói a ideia de olhar na cara dele e ver a imagem do Luke, esvaído em sangue.

– Jordan ele não matou o Sparks, a própria polícia disse que não há como provar isso exatamente.

– Porque é que estás a pedir-me isso? – confrontou-a. – Porquê? Foi o West que te pediu?

– Não! – respondeu de imediato. – O Daniel apenas acatou a um pedido do amigo. Foi o Van der Wood. Ele é que pediu e sinceramente, eu acho que tu devias ir lá, nem que seja para acabar com isto de uma vez por todas. Eu estou farta de te ver assim, tão sem vida, tão vazia. Achas que não me dói?

– Eu não consigo. – admitiu, deixando-se levar pela emoção. – Eu sou fraca demais.

– Não Jay, tu não és! Tu só estás com medo de olhar para ele e perceberes que não podes ser feliz perto de mais ninguém. Tu só tens medo daquilo que sentes quando ele te olha, quando ele te toca ou diz algo que abala todo o teu mundo. Tu só tens medo de descobrir que o amas ainda.

As palavras eram tão verdadeiras, quanto cortantes. Jordan estava a sentir o peso da verdade, não só no seu consciente, como também no seu coração. Ela sentia como se fosse sufocar a qualquer momento e a única pessoa que a podia tirar debaixo d’água era Harry.

– Ok! – soluçou tentando recuperar-se. – Eu vou falar com ele.

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