Lady Rebel
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Lady Rebel – Capítulo 25

Lady

– Menina, a menina não pode ficar o dia todo no quarto, não é saudável! – informou Emma tentando arrancar a garota da cama. – A sua mãe chegará ainda hoje de Nova Iorque, ela está preocupada consigo menina. Todos nós estamos.

Jordan continuou debaixo dos lençóis, fingindo um sono em que nem ela própria acreditava.

Estava farta da ouvir Emma a implorar para que ela saísse de quarto, usando a mesma lengalenga de sempre, estava farta da Milla e das suas lições de moral gratuitas e da Els que insistia em ligar de duas em duas horas, mesmo sabendo que Jordan não iria atender.

Não bastava todo o seu mundo ter ruido, ela ainda tinha que aturar as pessoas que não entendiam que ela só queria ficar sozinha. Ela não pedia mais nada, apenas solidão. E se fosse possível, solidão de si mesma.

Pela primeira vez, desde que começara a fumar, Jordan não ingeria nenhuma dose de nicotina, à precisamente uma semana, era como se o prazer que antes sentia tivesse sumido, sem mais nem menos.

A morte de Luke tinha-a deixado sem chão, pensar que foi Harry quem o matou deixava-a sem ar de tanto soluçar.

Por muito que custasse, por muito ódio que ela quisesse sentir, ela simplesmente não conseguia apaga-lo da alma.

Havia sido Harry quem tatuou um beija-flor, mas fora Jordan quem ficou com a marca permanente.

– Jordan! – a voz de Milla entrou no quarto. – Jordan eu preciso de falar contigo.

Soltando um suspiro aborrecido, Jordan ignorou a presença da prima.

– Ah! É assim? – interrogou retórica. – Ok! Carter, queres manter o silêncio! Mas fica sabendo que isso não me vai calar. – Jordan sentiu a cama baixar do lado direito, quando Milla se sentou ali. – O Luke morreu Jay, fato. O Harry está preso, outro fato. – falou sem qualquer melancolia ou receio. – O Luke amava-te, fato! O Van der Wood ama-te, hum…fato! Até aqui, tudo de acordo? – perguntou em vão. – Quem cala consente. – continuou no mesmo tom sereno.  – O Harry não matou o Luke, Carter. O Harry não é um assassino. Ele não faria nada, estás a ouvir? Nada que te pudesse magoar. Ele preferia morrer, a ver-te sofrer. Eu ponho a minha mão no fogo, em como estas minhas palavras são verdadeiras. – falou convicta arrancando um soluço discreto de Jordan. – O que tu viste, aliás, o que tu achas que viste Jay, não é real.

– Como é que podes ter tanta certeza? – levantou-se arrastando os cobertores.– Tu não estavas lá Milla! Tu não viste nada! Como é que podes afirmar algo que não presenciaste?

– Porra Carter deixa de ser cabeça dura! Eu não acredito que depois de uma semana a vasculhar o mesmo assunto vezes sem conta, tu não tenhas chegado à conclusão de que aquilo que tu achaste que viste, não passou de uma suposição errada! – exclamou alterada. – Deixa de ser ridícula! Essa tua crença idiota só te vai fazer sofrer. Essa tua isolação do mundo só vai-te fazer sentir pior. O Harry está prezo, impedido de poder contar-te toda a verdade. Vai lá! Pergunta-lhe! Tu sabes no fundo, que ele não matou o Luke, e eu sei que aquilo precisas é ouvi-lo dizer isso, olhando nos teus olhos.

-Enganas-te Milla. Eu não quero vê-lo nunca mais. Nada do que ele me diga, do que ele faça, vai fazer-me pensar diferente…

– Carter!

– Milla ouve…

– Não Jordan, eu não ouço. Estou farta de te ouvir chorar de madrugada, farta de te ver fechada neste quarto. – disse cansada. – Ouve-me tu! Dá o braço a torcer, ou será tarde demais. E acredita em mim, tu sofrerás muito mais, se não tomares a decisão certa.

***

A cadeia era o lugar triste e frio, o ambiente era escuro e pesado, o que só contribuía para a degradação espiritual de Van der Wood.

O cheiro a esgoto, embrulhava o seu estomago e o silêncio deixava-o extremamente nervoso e solitário.

Hazza estava certo de que aquele era o seu fim. A sarjeta, o lugar onde nunca pensou que iria parar, acolhia-o há pouco mais de uma semana. E desde então ele não havia feito outra coisa, senão pensar. Remoer, ruminar tudo que aconteceu nos últimos dois meses.

Harry estava a ser julgado por venda, tráfico de drogas e assassinato não qualificado e fora o seu pai que o colocou atrás de grades.

“Aquele filho da puta sem coração”, pensava ele, ainda sem conseguir acreditar que o próprio pai teve coragem para tal.

Mas nem a raiva, ou a surpresa superavam o que ele sentiu quando Jordan olhou-o carregada de ódio, desprezo e temor.

Ele podia ver o medo que a garota sentiu dele. O medo dela tinha cor e era escuro, tão escuro quanto o preto da noite.

Jordan tremia por todos os lados, segurando o corpo de Sparks sem vida, gritando palavras tristes e agoniantes, exalando terror e desespero.

*

– Beija-flor…

– Cala a boca! Nunca mais me chames isso…

*

Bastava fechar os olhos e a cena passava uma e outra vez na sua cabeça. Tão real que chegava a doer tanto ou mais que da primeira vez.

*

– Jordan eu não…

– Cala-te! Tu mataste-o!

*

Era horrível saber que aquelas foram as últimas palavras que Jordan lhe dirigiu. Palavras de acusação grave, mas ele não podia culpá-la por tirar conclusões precipitadas. Muito menos culpá-la por ter medo dele, quando ele próprio temia o seu reflexo.

Outra das coisas que o confundia era o sorriso divertido de Liam Hayes, quando o viu sair do casino algemado. Liam estava lá, a assistir ao espetáculo, com o cigarro na ponta dos dedos, descontraído demais, como se já esperasse por aquilo há muito tempo.

Harry perguntava-se como Liam saberia de tudo. Qual era a verdade por trás do seu sorriso de escarnio e a sua alegria macabra. Durante toda a semana ele esperou pela visita de Hayes, e ele sabia que ela iria chegar, mais cedo ou mais tarde, ela chegaria.

Descobrir que a professora de educação física era na verdade uma agente infiltrada, tentando incriminar o treinador Philips, por venda de droga a estudantes, fora sem dúvida um baque e tanto. Descobrir que o Mr. Fitz estava a ajudá-la, parecia ainda mais impossível de se acreditar. Mas essa era a verdade, ou pelo menos foi isso que a agente lhe contou, quando foi questionado dias atrás.

A conversa suspeita da professora Smith e do Mr. Fitz, no corredor da Ashbourne deveria ter sido verificada por ele, mas naquele momento ele estava demasiado ocupado em recuperar Carter.

De acordo com o relato da agente, as suas suspeitas em relação a Harry, surgiram no dia em que ela viu o Sparks com o treinador e minutos depois, encontrou-o a falar com Harry no estacionamento da Ashbourne.

Harry lembrava-se bem desse dia, foi nesse mesmo dia que Harry encontrou Jordan a beijar o Mr. Fitz. E foi nesse dia, que a professora Smith suspeitando dele, seguiu-o até ao casino.

Tudo porque ele deixou-se vacilar.

E agora ele percebia que todos os seus vacilos aconteceram porque ele se apaixonou pela pessoa que deveria odiar.

Contudo, ele não se arrependia de nenhum dos momentos que passou com Carter, nenhum dos beijos roubados ou das alturas em que apenas parava para olhá-la de longe, nada era arrependimento, apenas uma coisa, um erro que lhe custou o amor dela.

Se Harry tivesse contado a verdade, assim que percebeu que a amava, teria poupado a morte de Sparks e o ódio de Jordan. Mas ele não lamentaria, ele nunca cairia nesse erro.

Preso ou não, Van der Wood sabia que tinha de descobrir uma forma de conseguir com que Jordan soubesse da verdade, era mais do que a hora certa para isso.

– Van der Wood! – chamou-o o carcereiro. – Visita!

Nota: Milla a super prima, será que ela vai conseguir mudar a cabeça da Carter?

E essas revelações todas que Harry descobriu? O que vocês acharam?

Peço desculpa pelas minhas demoras, o meu tempo está cada vez mais limitado meninas, mas espero que vocês compreendam…por favor deixem os comentários aqui no blog! Obrigada

Xx Carol.

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