Lady Rebel – Capítulo 24

A luz foi chegando a pouco e pouco, até os olhos azuis de Jordan se habituarem à claridade do dia. O incómodo fê-la levantar a cabeça para perceber que estava nua, escondida na jaqueta de Harry.

Um resmungo sonolento saiu pela boca do rapaz e Jordan esticou-se um pouco mais encontrando o rosto adormecido do seu amado. Não conseguiu evitar o sorriso ao recordar a noite perfeita que partilhara com ele.

Carter estava feliz, surpreendentemente feliz. Se lhe dissessem há um mês atras, que ela estaria ali, naquele local, num estado tão vulnerável e íntimo com Harry Van der Wood, ela provavelmente iria rir da cara de quem quer que fosse o idiota. Mas agora, agora não! Neste momento Jordan tinha a certeza de que não queria estar em nenhum lugar, que não fosse os braços de Hazza.

 

Harry soltou uma respiração alta, fazendo com que o seu peito subisse mais do que o normal. Jordan encostou a cabeça junto do coração dele e ficou a ouvir as batidas regulares e reconfortantes. Era raro esse estado tão pleno e calmo em Harry, quase que inexistente.

O cheiro amadeirado dele, estava entranhado no cabelo e na pele de Jordan. Ela inspirava, exalando todo o aroma que os seus pulmões suportavam enquanto suavemente, deslizava a mão, de cima para baixo, no peito tatuado do garoto.

– Eu podia habituar-me a isto. – falou Harry com uma voz rouca, fazendo Jordan sorrir uma vez mais.

– Eu não vejo nada de mal nesta nossa nova rotina. – levantou o olhar para encontra-lo. – Pelo contrário, eu apoio a cem porcento.

Quando a língua quente de Harry, encontrou a de Jordan, o espetáculo de pirotecnia aconteceu dentro dela.

Jordan sentiu um gosto forte de nicotina, misturado com menta. Um gosto singular que só Harry tinha.

Harry afastou-se dando um último toque com os seus lábios nos da garota, olhando-a de seguida de forma instigante.

– Vamos fugir! – exclamou arrancando uma gargalhada histérica de Carter. – Jay a sério! Vamos fugir! – repetiu com maior convicção.

O riso parou, assim que Carter viu nos olhos de Harry que ele estava realmente a propor-lhe aquilo. – Tu não estás a brincar. – disse embasbacada. – Harry, porquê isso agora?

– Jay eu passei a noite em claro a pensar em como tudo seria tão melhor se nós abandonássemos Londres, Inglaterra. – falou com um brilho esperançoso no olhar. – Eu quero passar o resto da minha vida contigo, eu sei disso. Mas isso não será possível enquanto continuarmos aqui, perto de todo este mundo em que vivo. Com os meus pais, com as drogas, eu não posso saber que tu não estás segura, eu preciso manter-te em segurança.

– Segurança do quê? Harry do que é que tens tanto medo?

– Eu tenho medo de te perder! Medo de que amanhã eu cometa algum erro e nunca mais queiras olhar para a minha cara…eu…Beija-flor eu amo-te demais para te obrigar a vir comigo para onde quer que seja, mas eu…preciso que acredites em mim.

– Eu não sei Hazza, eu tenho a Eleanor, a Milla e eu tenho a minha mãe. Eu sei que não sou a melhor das filhas e que muitas vezes ajo como uma menina mimada, mas eu amo-a, apesar de tudo.

Harry limitou-se a olhar para baixo, concordando com a cabeça sabendo que o que ele pedia não era certo para ela. Sabia perfeitamente disso e não esperava que ela fosse aceitar a sua proposta louca, mas aquilo era tudo que lhe restava, aquela era a sua última cartada, a sua última esperança.

– Eu vou ter que ligar à Eleanor. – informou-o. – Se vamos fugir pelo menos quero falar com a minha melhor amiga antes.

O rosto contorcido pela perplexidade fez Jordan rir dele, mas nem isso fê-lo mudar a feição incrédula.

– T-tu…Beija-flor isso significa que tu..

– Sim Van der Wood! – assentiu. – Eu vou contigo, para a China, para o México, para Nova Iorque, Paris, Austrália, eu vou contigo até ao fim do mundo.

– Eu amo-te! – agarrou a garota num beijo apaixonado.

***

– Eu não acredito que eu estou a colaborar com isto. – Eleanor estava sentada na  cama, a observar a Jordan entrar e sair do closet atirando algumas roupas para a mala.- Quer dizer, ainda ontem estavas a lamentar-te porque não sabias dele e agora estás a preparar-te para fugir com o Harry?

– Eu pensei que tinhas entendido tudo quando te liguei hoje de manhã.

– E eu entendi sua anta. – resmungou. – Mas Jay, isso, tipo…ai…coiso. Olha lá, tu estás mesmo certa de que é isso que queres fazer? Porque depois do estrago, não há como emendar. Quer dizer, se realmente fugires com ele, tu não podes voltar atrás, bem sabes que se a tua mãe desconfia de algo, ela arranja forma de te prender em casa.

– Eu sei disso. – suspirou frustrada, pousando um último casaco na mala. – Eu estou ciente das consequências dos meus actos. – parou o que estava a fazer para poder olhar para a amiga. – E eu agradeço-te de coração, por estares a fazer isto por mim, eu não sei o que seria de mim sem ti. Eu só quero que pares com essa tua paranoia e acredites em mim. Eu estou apaixonada e caia-me um raio em cima agora, se o Harry não me corresponder da mesma forma.

– Jay eu…

– Ouve! – pediu chegando-se para perto de Eleanor. – Eu vou, mas eu volto. Eu prometo.

– Prometes mesmo? – perguntou envolvendo a amiga num abraço.

– Claro. – respondeu apertando a morena.

– Ok! OOOK! Vamos logo parar com a lamechice. Temos uma mala para fazer e eu não estou a usar rímel à prova d’água. – informou cómica, arrancando uma rizada de Carter. – A que horas vais ter com ele?

– Eu vou descer para colocar a mala no carro e depois vou tomar um banho. – caminhou até à mala para fechá-la.

A batida na porta fê-las sobressaltarem, mas quando Milla apareceu do outro lado, tanto Eleanor como Carter, respiraram de alívio.

– Porra, vocês estão com cara de quem viu assombração. – comentou a loira, sentando-se junto de Lawrence.

– Quem te manda entrar assim! – argumentou Lawrence ainda com a mão no peito.

– Eu bati à porta Els.

– Eu preciso descer. – disse Jordan, obtendo a atenção das duas. – Vou levar a mala até ao carro.

***

Faltavam pouco menos de dois minutos para as dez da noite. Harry estava no casino a suar por todos os poros, de braços cruzados e coração entalado na garganta. Jordan ainda não estava atrasada, porém uma pulga atrás da sua orelha, insistia em dizer que algo não sairia como o planeado. Ele evitava ouvi-la, mas a insistência tornava-se insuportável.

O som de um motor a chegar, aliviou o seu coração. Harry sorriu ao ouvir os passos cada vez mais próximos e correu até à porta principal, apenas para antecipar o seu encontro com Carter.

O desfalecer do seu sorriso fora rápido, quando Harry viu Luke entrar pela porta de ferro, segurando uma arma na mão esquerda, soube que algo de mal iria acontecer.

– Eu avisei-te. – falou com uma voz trémula e enraivecida. – Eu avisei-te Van der Wood. Eu disse para te manteres afastado dela. – esfregou a mão livre nos olhos, limpando as lágrimas de minutos atrás. – Dei-te um voto de confiança e deixei-te ir, não lhe contei nada. NADA! – gritou exaltado, sabendo que Harry não tirava os olhos da arma que ele carregava.

– Eu não fui ter com ela Sparks. – soou calmo. – Ela veio ter comigo.

– MENTIRA! – a sua voz saia um tanto melancólica, um tanto enraivecida. – Ela não podia vir ter contigo. Ela está comigo. Ela é minha namorada. Ela…- fechou os olhos para bloquear as lágrimas. – Eu amo-a e cuido dela de uma forma que tu nunca poderás cuidar.

– Ela não te ama. –Harry falou num tom cruel, indo ao encontro do outro. – Ela não te ama Sparks, ela nunca te amou. Ela nunca te vai amar. E sabes porquê? – levantou as sobrancelhas esperando por uma resposta que não veio. – Porque ela ama-me a mim Luke, ela ama-me e eu amo-a a ela. Tão simples quanto dois mais dois.

– Ela não te ama. – murmurou choroso, negando com a cabeça. – Ela não pode te amar. Ela não pode. ELA NÃO PODE! – gritou no rosto de Van der Wood.

– MAS ELA AMA! – respondeu Harry no mesmo tom tentando segurar a arma da mão de Luke. – Larga Sparks! – ordenou tentando puxar a arma.

– Eu vou-te matar! – ameaçou-o acertando um murro em Van der Wood. – Era eu quem ela devia querer! – puxou a gola de Harry para poder acertar na sua cara com a arma. – Eu amei-a primeiro. – disse dando outro soco. – Eu nunca lhe quis fazer mal. Eu dava a minha vida por ela. – finalizou, batendo no rosto de Harry freneticamente.

– Para com isso Sparks. Deixa esse masoquismo de lado. – falou agarrando a mão livre do outro. – A Jordan não quer nada contigo. – empurrou Luke. – Para, para de lutar por algo que nunca será teu.

Luke correu para agarrar mais uma vez Harry, mas ele não fez nada senão afastar-se das mão de Sparks. Harry não queria bater em Luke, não porque não sentisse vontade naquele momento, mas porque no fundo, ele sentia um remorso pelo que estava a fazer.

– Reage! Eu estou-te a bater! – atiçou-o, projetando o corpo de Harry para o chão. – Vamos Van der Wood, mostra-me do que és feito!

Harry levantou-se, com o olhar preso no outro, cerrando os punhos para não perder a razão.

– Estás com medo? – perguntou em deboche. – Vamos ver até quando ficas calado! – sorriu malvado apontando a arma para Harry.

– Luke não faças nada que te possas vir a arrepender. – apelou colocando as mãos no ar. – Não precisamos chegar a esse ponto.

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Luke soltou uma gargalhada desesperada e nervosa, as duas mãos tremiam enquanto apontava a arma próximo do outro. Harry estava com a respiração errante e amedrontada esperando pelo momento certo para agir. Quando Luke engoliu a seco, Harry entendeu o que ia acontecer. Arriscou-se a tentar arrancar-lhe a arma mas o tiro saiu rápido demais para ser evitado. Toda a adrenalina do momento fê-lo paralisar. Os seus olhos verdes ficaram opacos e petrificados. O seu coração perdeu o impulso e a sua respiração pareceu não querer sair.

Demorou umas breves milésimas de segundos para que Harry percebesse que Luke estava a cair no chão.

Quando ele olhou em volta tentando encontrar por algo que o ajudasse a socorrer o garoto que começava a esvaziar-se em sangue, Jordan entrou no seu campo de visão, bloqueada, de mala na mão e olhos esbugalhados.

Harry ficou anestesiado quando viu a rapariga correr a seu encontro, abandonando a bagagem.

As mãos de Carter tremiam na frente da sua boca, escancarada de terror. Um soluço gutural saiu da sua garganta, quando viu todo o sangue que manchava a camisola azul de Sparks. Instintivamente, deixou-se cair ajoelhada perto do garoto de olhos azuis e puxou-o para si.

– Jordan. – chamou-a em suspiro.

– Não fales. – implorou chorosa. – Não fales Luke.

– Jay não adianta. Eu vou…

– Não Luke! – negou deixando cair as lágrimas. – Tu vais ficar bem, eu sei disso, eu só preciso de chamar ajuda.

– Não! – exclamou usando o resto da sua força para segurar a mão dela. – Eu quero que me abraces. Eu não posso morrer sozinho.

– Luke tu não vais morrer. – negou desesperada. – Vai ficar tudo bem, nós vamos chamar ajuda e vamos para o hospital…

– Jay para!

A garota acatou o seu pedido e apertou o seu corpo contra o frágil, de Luke. Procurou a mão dele e levou-a até o seu rosto, aquecendo-a com um beijo nas costas. Sorriu apagada pela dor e beijou os seus lábios entreabertos, num simples toque de pureza.

– Eu preocupo-me mais com os teus sentimentos do que com os meus. – sussurrou-lhe a mesma frase de meses atrás. – E eu daria a minha vida por ti, aceita-a agora por-porque…

– Luke! – chamou-o angustiada. – LUKE! LUKE! – berrou sacudindo o corpo dele. –LUKE ACORDA!

O estado de Jordan não deixou muita escolha. Harry aproximou-se dela, para poder afastá-la do corpo desanimado do outro, mas logo foi empurrado com uma força inesperada pela rapariga.

– Sai!

– Beija-flor…

– Cala a boca! – mostrou a raiva no olhar. – Nunca mais me chames isso…

– Jordan eu não…

– Cala-te! Tu mataste-o!

Antes que Harry  pudesse dizer algo contra a acusação, o som de sirenes abafou o casino. Harry olhou para Jordan de forma indecifrável, perguntando-se como é que ela chamou ajuda, mas então um clique fez-se.

Quando a professora Smith arrombou a porta principal com estrondoso pontapé, seguida do Mr. Fitz, perceberam que algo estava a acontecer.

– Harry Van der Wood! – falou autoritária. – Está preso por venda e contrabando de droga. Você tem o direito de permanecer calado, tudo o que disser será usado contra você.

 

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