Lady Rebel
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Lady Rebel – Capítulo 20

Era quarta-feira de tarde e Jordan estava no quarto deitada no chão, de olhos fechados e sorriso idiota.

Ela tinha descoberto que Harry era traficante de drogas e que dirigia uma gangue, mas por incrível que pudesse parecer, ela não se abalou tanto com a descoberta como esperava. Toda aquela discussão de Domingo não passou de um baque momentâneo, onde o resultado quase acabou em sexo. Havia também a conversa que ela disse não ter ouvido, quando Harry questionou-a fulminante. Mas ela ouviu e ouviu muito bem o seu nome sair pela boca de um dos capangas do Van der Wood, porém preferiu não falar nada e descobrir por si mesma o porquê do seu nome ser motivo de conflito. O que a levava a uma questão, como iria ela descobrir?

Outra das novidades, foi a descoberta da antiga amizade entre Luke e Harry no passado, coisa que lhe parecia absurda e impossível. Nada neles era semelhante, eles não tinham nada em comum um com o outro, apenas o tráfico de drogas e claro, ela própria.

A cada dia que passava, Jordan tinha mais certeza de que era com Van der Wood que ela queria ficar, contudo não tinha coragem de partir o coração do seu melhor amigo. Ele não merecia isso, não depois de tanto sofrimento na sua vida.

A imagem do garoto de cabelo escuro, olhos azuis e sorriso doce fazia-a sentir-se mal. Luke era tão bonito por fora, como por dentro, saber que aquele garoto já passou fome, fugiu de casa com 14 anos, deixando para trás uma mãe alcoólatra e um pai violento, fazia com que o aperto no coração de Carter fosse ainda maior.

 

A porta do quarto foi aberta e Emma entrou apressada, com o telefone na mão. – Me-me menina Carter! – chamou-a chorosa. – A menina Lawrence ela…

– O que aconteceu? – perguntou. – Estas a assustar-me Emma! Diz logo o que aconteceu! – implorou a rapariga colocando-se de pé.

– E..Ela… – gaguejou Emma.

– Fala!

– Ela sofreu um acidente de carro.

Aquela sensação que muitos descrevem como ficar sem chão, podia ser perfeitamente aplicada a Jordan naquele momento. A notícia atingiu-a violenta, ela não sabia se aquilo era um mau sonho, ou se as palavras tinham realmente saído pela boca da empregada.

***

O ambiente triste de hospital assombrava-a ao longo dos corredores, recordando-a de um dos piores momentos da sua vida.

Fora naquele mesmo edifício que Jordan esteve pela última vez com o seu pai, depois de ele ter sido encontrado já quase sem vida numa cabana no meio da floresta há dois anos atrás.

Era algo que ela não gostava de se recordar. Preferia fingir que nada daquilo havia acontecido e simplesmente não pensar nas questões que tanto queriam torturá-la.

Quem foi? E porquê? Entre muitas outras perguntas sem resposta.

A verdade é que, se não fosse por Lawrence, Jordan não estaria ali.

 

Há quase cinco horas que Eleanor havia entrado no bloco operatório e até agora Jordan não sabia de nada.

Estava sentada na sala de espera ao lado da sua mãe, que amparava a senhora Lawrence reconfortando-a com palavras esperançosas e Leah Lawrence que mantinha as mãos apertadas uma contra a outra, sussurrando palavras que Jordan entendia como uma reza a Deus.

Na sua frente estava um outro rapaz que Jordan não conhecia de lado nenhum, mas que do pouco que sabia, havia ligado para a ambulância assim que viu o carro da sua melhor amiga despistar-se.

O garoto tinha olhos castanhos e cabelo da mesma cor, cortado rente à cabeça. Usava um casaco castanho e uma camisa em flanela azul e branca. As calças de ganga escura estavam um pouco surradas e as sapatinhas em pano preto, desgastadas pelo excesso de uso. Ele parecia preocupado e até mesmo angustiado, o que era estranho, tendo em conta que ele não tinha nenhum relacionamento com Eleanor, pelo menos não que ela soubesse.

– Jay! – ouviu-o chama-la. – Vim assim que soube.

Jordan sorrio de imediato e correu para os braços do rapaz, agradecendo por ter alguém para abraçá-la e fazê-la sentir-se segura naquele hospital.

Luke apertou-a contra o seu peito murmurando palavras meigas quando ela começou a chorar baixo.

Jordan podia sentir o olhar de sua mãe, interrogando-se sobre quem seria aquele garoto moreno que abraçava tão intimamente a sua filha, mas a verdade é Jordan não se importava nem um pouco. Ela sequer preocupava-se em sair daquela sala, para poder ficar mais à vontade com ele.

– Jay! – falou baixo. – Jay estão todos a olhar para nós, acho melhor eu ir buscar-te qualquer coisa, estás aqui há demasiado tempo, deves estar cheia de fome.

– Eu não tenho fome. – resmungou.

– Tens sim, eu conheço-te. – abaixou a cabeça para poder olhar o rosto húmido da namorada. – Eu vou buscar alguma coisa para comeres e tu vais esperar aqui, ok?

– Posso ir contigo pelo menos? – perguntou enxugando os olhos com a mão.

– Podes claro, mas não preferes esperar aqui? Algum médico pode aparecer e avisar alguma coisa.

– Tens razão. Não demores por favor. – implorou.

– Eu vou ser o mais rápido possível. – plantou um pequeno beijo nos lábios dela antes de abandonar a sala.

Jordan voltou para o mesmo lugar de antes e procurou algum ponto daquela sala de espera para poder evitar olhar a sua mãe, que esperava por uma explicação para toda aquela cena.

– Quem era? – a senhora Carter perguntou, mantendo a classe num tom casual e falsamente despreocupado.

– Um amigo! – respondeu sem a olhar.

– Eu não conhecia esse teu amigo. – cruzou os braços e as pernas em simultâneo. – Como é que ele se chama?

– Porque é que queres saber isso?

– Porque tu és minha filha e eu gosto de saber com quem é que andas. Agora faz me o favor e responde à pergunta Jordan.

– Eu não vou responder a porra de pergunta nenhuma, ok? Para com esse teatrinho de mãe preocupada porque a ti não te cai nada bem. Com quem eu ando ou deixo de andar nunca foi da tua preocupação, para onde eu vou ou deixo de ir também não. Por isso podes esperar aí, sentadinha porque da minha boca não vais ouvir nada.

– Eu só te fiz uma pergunta Brigitte.

– E eu só te dei a minha resposta mãezinha.

***

Luke voltou pouco depois trazendo consigo um bolo de laranja e um sumo. Carter e ele saíram da sala de espera para que a garota pudesse apanhar um pouco de ar e espairecer as ideias.

Ela não gostava daquele clima constrangedor que sempre aparecia depois de uma discussão com a mãe. Era horrível fingir que nada tinha acontecido e mostrar-se inatingível quendo na verdade, ela sofria por dentro.

 

Pararam de andar quando chegaram a um dos jardins traseiros do hospital. Luke tirou um cigarro e um isqueiro do bolso do casaco e acendeu-o, dando de seguida uma longa tragada.

– O que aconteceu? – surpreendeu-a por ter reparado. – Eu sei que alguma coisa aconteceu Jay, conheço-te bem. Quando cheguei estavas angustiada, mas agora estás distante. O que se passa?

Jordan deixou que o ar lhe saísse dos pulmões e formasse uma espécie de fumaça branca em frente da sua boca antes de falar qualquer coisa.

– O meu pai morreu aqui. E eu discuti com a minha mãe.

– Eu sinto muito pelo teu pai Jay, sinto mesmo. – pousou uma mão no ombro dela, mostrando que realmente sentia e que não eram apenas palavras que tantos outros falavam, apenas para parecer bem. – Quanto à tua mãe, eu peço desculpa. Sei que o motivo dessa desavença fui eu!

– A culpa não é tua! – exclamou já um pouco alterada. – A culpa é dela. Aquela hipócrita acha que com aquele teatro mal ensaiado consegue parecer boa mãe, ela não gosta de mim e eu não devia gostar dela. – a voz embargada começou a ameaçar o choro que queria sair. – Odeio quando ela tenta parecer boazinha e deixa o papel de vilã para mim, odeio toda esta merda de família feliz quando na verdade nós nem família somos mais. Desde que o meu pai morreu eu deixei de ter família.

– Tens-me a mim Jay! – disse agarrando a rapariga com um dos braços. – Tens-me a mim.

– Obrigado Luke, por tudo.

– Shhh. Tu não tens que agradecer por nada. O que eu faço, eu faço por amor. Eu amo-te Carter. Amo-te desde o primeiro dia que te vi e vou-te amar até os meus olhos se fecharem permanentemente.

Eram belas palavras, carregadas de honestidade e sentimento. Palavras que cortavam o coração de Carter e faziam-na sentir-se enojada consigo mesma por aproveitar o amor dele para o seu próprio bem.

– Vamos voltar por favor. – pediu dando a mão ao garoto.

***

O coração quase lhe saltou pela boca quando os olhos azuis se encontraram com os verdes. Harry estava sentado do lado do suposto salvador de Eleanor. Os olhos dele, rapidamente viram as mãos de Luke e Jordan entrelaçadas e o sentimento de ciúme ocupou espaço naquela sala.

– O que é que ele faz aqui? – Luke esbravejou com os dentes serrados.

– Eu não sei Luke. – falou a verdade. – Mas não vais arranjar confusão, aconselho-te a sentares-te o mais longe possível dele e fingir que ele não está aqui.

– Isso não é poss…

– Ai é sim Sparks! Agora faz o que eu te digo, ou vou ter que te pedir que vás embora.

Luke olhou-a transtornado, mas não se opôs. Segurando firme na mão dela, arrastou Carter para as duas cadeiras mais distantes e sentou-se lá.

 

Vinte minutos se passaram, mas ninguém surgiu para dar qualquer informação. A senhora Lawrence já não aguentava ficar sentada. Camille e ela saíram para que a mãe de Eleanor pudesse tomar um chá e Leah fora em busca de alguma enfermeira que lhe pudesse dar alguma notícia. Harry ainda conversava com o outro garoto e Jordan podia entender que eles já se conheciam há bastante tempo.

Luke mantinha o braço por trás da cadeira dela ainda com a sua atitude defensiva perante Van der Wood e Jordan já estava a aborrecer-se com as constantes caricias.

– Importas-te de parar! – falou baixo porém exigente. – Isto é ridículo Luke. Para!

– Jay eu só…

– Olha sabes que mais, eu vou beber uma água e já venho. – avisou-o levantando-se

– Espera! Eu vou contigo.

-Não! – virou-se para trás de repente. – Eu vou sozinha.

***

A casa de banho estava vazia para sua felicidade, Jordan andou até à frente do espelho e ligou a torneira da pia. Colocou ambas as mãos em forma de concha e deixou que a água as enchesse antes de atirar o líquido frio para o rosto. A sensação refrescante, acalmou-a de imediato. Repetiu a mesma ação mais duas vezes e depois desligou a água. Fechou os olhos e respirou fundo.

Ouviu a porta sendo aberta e trancada. Instintivamente olhou para o lado, assuntando-se.

– Juro-te que a minha vontade era de cortar as mãos daquele Sparks por cada vez que ele te tocou na perna. – Falou num tom rouco e perigoso.

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