Lady Rebel – Capítulo 19

– Harry! – surpreendeu-o quando o abraçou desesperada. – Céus eu pensei que fosse outra pessoa!

– Deu para perceber. – abraçou-a. – Mas o que é que estás aqui a fazer? Como é que encontraste este lugar?

Carter manteve o rosto acolhido no pescoço de Van der Wood, receosa da reação dele. – Eu…- gaguejou. – Eu segui-te.

O rosto de Harry logo assumiu um ar zangado.

– Eu segui-te, porque preciso muito falar contigo. Eu fui até a tua casa, mas quando cheguei lá, tu já estavas a sair, não vi outra opção a não ser seguir-te, e bom…vim parar a este sítio. – gesticulou com os braços.

O olhar duvidoso de Harry tentava encontrar mentira nas palavras dela. – Eu sei que tu ouviste alguma coisa lá dentro. – declarou mudando o rumo da conversa.

– Eu? Eu não ouvi nada, estava à tua procura quando ouvi vozes, imaginei que fosses tu, por isso fui a encontro de onde vinha o barulho.

– Tu não mentes bem Carter. Eu sei que tu ouviste alguma coisa.

Jordan entendeu que não ia conseguir fazê-lo mudar o rumo da discussão e como não queria ficar a perder, optou por colocar as cartas na mesa. – Quem é o Tuker?

– Eu sabia. – lançou um sorriso perspicaz. – Ele é um cliente meu, que tem dado problemas ultimamente.

– Cliente? Cliente do quê? – perguntou claramente confusa.

– É uma longa história. – respondeu desmanchando o sorriso.

– Eu tenho tempo Harry.

– Mas eu não Jordan. – falou ríspido.

Harry levantou a cabeça para o edifico, com medo de encarar Jordan e fraquejar.

– Tu não vais mesmo contar?

– Tu queres desiludir-te? Porque se é isso que andas à procura, acho que vais encontrar, assim que te der a resposta que não queres ouvir. – admitiu de forma bruta.

– Fala! – Insistiu.

– Eu tenho uma espécie de negócio. – baixou o rosto.

– Até aí eu já cheguei sozinha.

– Eu importo drogas e vendo. – continuou ainda sem encará-la. – Quer dizer, os meus capangas vendem, eu administro.

O olhar da rapariga variou entre a fúria e a desilusão. Ela não esperava aquilo. Não do Harry. Não havia motivos para ele fazer aquilo. Para ele se arriscar tanto por algo que ele não necessitava.

– Eu sabia que ias ficar assim, por isso é que eu não queria falar nada.

Ela não conseguia-se pronunciar, não depois daquela descoberta tão inesperada. Era demasiado para assimilar de uma só vez.

– Eu conheço o Luke desde a altura da morte da minha irmã. Nós já fomos amigos, um dia. – revelou. – Se é para contar a verdade, é melhor falar tudo de uma vez.

A ruga de dúvida estava plantada na testa de Jordan, enquanto ela olhava-o indecifrável, deixando Harry ainda mais nervoso. – Como é que vocês se conheceram?

– Numa noite, depois de discutir com o meu pai, um grupo de bandidinhos de quinta decidiu assaltar-me. Eram cinco contra um, eu estava claramente em desvantagem. Eles arrastaram-me para o beco e começaram a bater-me e do nada o Sparks apareceu e ajudou-me.

Jordan tentava ouvir as coisas sem que o seu emocional a dominasse e só ela sabia o quão difícil estava a ser manter o controlo.

– Foi ele que me colocou pela primeira vez em contacto com o mundo da droga. Quando dei por mim eu já traficava em parceria com ele e no dia em que o dinheiro começou a ser necessário, eu entrei com ele, investi e formamos uma sociedade. Mas as coisas cresceram depressa demais, o Luke ficou com medo da evolução tão rápida e simplesmente abandonou-me.

As palavras entravam como um código de difícil interpretação. Toda aquela história parecia real e irreal ao mesmo tempo.

– Mas isto não faz sentido! – disse Jordan baralhada. -Quer dizer, tu és milionário, para que é que precisas de vender droga?

– Isto começou por ser uma brincadeira de miúdos, uma maneira de afrontar os meus pais. – coçou a nuca nervoso. – A verdade é que depois de um ano, eu criei gosto em ter o meu próprio dinheiro.

– Mas é dinheiro sujo. – protestou.

– Carter, todo o dinheiro deste mundo é sujo. Todo ele.

Era um contra argumento descabido e Harry sabia disso perfeitamente.

– Eu sou uma idiota mesmo, acreditar que as coisas poderiam ficar finalmente melhores. – riu irónica.

– Elas podem. Nada do que eu faço afeta aquilo que nós temos!

– Não afeta? – subiu dois tons. -Um dos motivos das minhas discussões com o Luke envolvem drogas.

– Hey Carter! Eu não sou o Sparks, eu sou mais esperto, eu não deixo marca em lugar nenhum, eu trabalho atrás da secretária, não sou eu quem trafica.

– É a mesma coisa. – manteve o tom duro e áspero. – A única diferença é que tu tens a quem pagar para fazer esses trabalhinhos sujos e o Luke não.

Sem olhar para ele, virou costas e pegou na chave do carro, abriu a porta e entrou. Antes que pudesse dar partida, Harry abriu a porta e empurrou-a para o banco de passageiro, colocando-se por cima dela. Sem aviso prévio Harry colou a sua boca à de Carter de forma fervorosa e eloquente.

O gosto dele queimou no seu paladar. Jordan tentou-se debater, empurrando o peito do rapaz, mas ela sabia que aquela era uma batalha perdida.

Cada empurrão irritado, dava mais apetite a Harry para beijá-la. A energia que ele aplicava naquele toque fazia com que Jordan sentisse queimar dentro de si. Era satisfação e ânsia combinadas com voracidade e desejo ardente.

O inebriar daquele perfume amadeirado deixou-a rendida e Carter desistiu de lutar. Correu com uma das mãos até à nuca de Harry e segurando o seu cabelo, juntou o rosto dele ao seu.

Era incrível como todo o ódio desaparecia, quando ela sentia o seu toque. Como se o seu corpo implorasse desesperadamente pelo dele e não houvesse forma possível de saciar aquele vício.

As mãos hábeis de Harry ladearam a cintura dela e num movimento rápido e eficaz colocou Jordan de frente para ele, sentando-a no seu colo.

Começou por aplicar beijos molhados ao longo do pescoço dela, causando-lhe arrepios satisfatórios. Jordan inclinava a cabeça para trás deixando que Harry trabalhasse com a boca ao longo do seu corpo. Ela mantinha os olhos entreabertos, impossibilitada de conseguir manter concentração em qualquer outra coisa. A mão de Jordan desceu procurando o fundo da camisola de Harry. Quando a sua mão fria entrou em contacto com o abdómen do rapaz, Jordan sentiu a contração muscular, despertando ainda mais a sua necessidade de tocá-lo. Com unhas compridas e perigosas, Carter cravou as suas garras, arranhando-o de forma prazerosa.

– Não faças isso. – implorou com a boca sobre a pele de Carter. – Eu sou homem Jay, eu tenho os meus limites.

Jordan sorriu vitoriosa, mas não deixou de repetir vezes e vezes sem conta a mesma ação.

– Eu quero ver até onde tu resistes! – sussurrou próxima do ouvido dele, mordendo de seguida o lóbulo da orelha. – Até onde tu aguentas.

Harry deixou um gemido desesperado sair pela garganta.

Viajando com as mãos para baixo, Van der Wood encontrou a barra da camisola dela e puxou-a sem permissão, arrancando a peça de roupa de forma violenta.

Pousou uma mão sobre o peito de Jordan e apertou-o, fazendo com que um gemido involuntário saísse da boca dela. Os olhos verdes de Harry pareciam mergulhados em luxuria, perdidos, contemplando aquele corpo feminino que era tão seu. Harry repetiu o movimento, recebendo o mesmo som em resposta.

O rosto de Jordan estava contorcido de prazer e ela conseguia sentir a excitação de Van der Wood por baixo das calças.

Harry puxou as alças da lingerie de Jordan, expondo os seios nus dela.

Os segundos que se seguiram pareceram demasiado longos para ambos, nunca antes tinham estado em completa intimidade um com o outro.

Harry olhou-a com medo de fazer algo errado, mas Jordan apenas sorriu-lhe, incentivando-o a prosseguir.

Segurando um dos seios com a mão, Harry aproximou a sua face do outro e hesitante plantou um beijo molhado nele.

A respiração aflita de Jordan fê-lo parar logo.

– Não, por favor. – implorou baixo, recolocando o rosto de Harry perto do peito dela.

Com menos receio, Harry voltou a beijá-la, mas desta vez, Jordan não pareceu estranhar ou sentiu-se incomodada com o toque. Fechando os olhos, Carter deixou que Van der Wood a beijasse onde nunca antes ninguém tinha tocado nela. Era um despertar de sensações novas, mas demasiado boas para serem esquecidas. Involuntariamente Jordan sentiu-se a arquear as costas e o som agudo da buzina do carro, interrompeu o momento, acabando com o clima quente em dois segundos.

Ambos começaram a gargalhar constrangidos com a queda da temperatura. Quando o clima de risos acabou, Harry aproximou-se do tronco nu da rapariga e abraçou-a terno.

***

– Hazza para de me chamar assim! – protestou.

– Assim como? – perguntou ele desafiando. – Beija-flor?

– Sim. Isso!

– Ah Jay! Beija-flor é um apelido carinhoso.

– Eu não gosto Harry!

-Eles significam a beleza e a delicadeza.- alou convicto. – Um dia desses eu ainda tatuo um beija-flor!

Carter olhou incrédula para ele, temendo que ele realmente estivesse a dizer a verdade.- Harry uma tatuagem é algo permanente. É para a vida.

– É! Eu sei disso e é exatamente por isso que eu quero fazer. Eu quero que seja permanente, tanto a tatuagem, quanto nós os dois.

Os olhos dela brilharam apaixonados. Mais uma vez Van der Wood estava a expor o que sentia em relação a Jordan. Era bom ouvir frases como aquela, que a deixavam com o coração acelerado e as palavras travadas.

Mas como um baque, a imagem de Luke veio-lhe à mente, avisando-a do motivo que a trouxe ali.

– Eu fui até ao apartamento para acabar com o Luke, mas…eu não consegui. – olhou cabisbaixa. – Neste momento estou cheia de dúvidas sobre tudo, não sei o que pensar nem o que não pensar. Não tenho mais certeza de nada. – os olhos azuis dela levantaram-se para encontrar os verdes de Harry. – Mas antes que me arrependa, eu peço-te que esperes. Eu sei que é egoísta da minha parte. Mas eu tenho que colocar as ideias no lugar certo. Todas estas informações, são muitas coisas para uma pessoa só. Eu estou confusa.

– Eu entendo. – suspirou entristecido. -Eu só não sei quanto tempo eu vou aguentar esperar. – admitiu Harry. – Eu não sei quanto tempo eu terei que esperar para poder ficar contigo, pode ser uma semana, um mês, pode ser um ano. Eu só fico bem quando está aqui, do meu lado. É nos teus olhos Jordan, só nos teus olhos que eu consigo enxergar aquela parte que eu pensei que tinha morrido.

Com aquela simples cumplicidade na troca de palavras, Jordan retirou quaisquer dúvidas que ainda poderiam existir.

Ela amava-o.

 

Nota: Podem agradecer a senhorita Ana Rita Cajus kk, ela “encomendou” o capítulo para hoje! ❤ (lv u sis)

Comenta aqui!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s