Lady Rebel – Capítulo 18

O cheiro forte de baunilha alertou o seu instinto para um plano prestes a ir por água-abaixo e mesmo antes que Jordan pudesse simular qualquer plano B, os seus olhos já haviam sido roubados por Luke, que deixou descair o sorriso assim que viu o terror desenhado no rosto da rapariga. – Calma! – avisou levantando as palmas das mãos no ar. – Eu sei que isto tudo parece meio doido, mas foi a única forma digna que eu encontrei de te pedir desculpa. Eu sei que tu gostas de rosas brancas e sei também que as velas de baunilha são as tuas favoritas…- sorria meio embaraçado com a sua explicação apaixonada. – Eu aluguei aquele filme com o Ryan Gosling, eu esqueci do nome, merda é o…

– The Notebook. – completou baixo com o olhar petrificado.

– Sim! – apontou para ela. – Esse mesmo. É eu…Jay eu sei que o que eu fiz não tem desculpa e sei que eu não te mereço, aliás na maior parte das vezes eu acho que tudo isto é um sonho. – riu sem humor. – Um sonho do qual eu não quero ser acordado nunca.

– Er…Luke… – pigarreou.

– Não! Ouve só por favor. – implorou recebendo um assentimento dela em troca. – Jordan eu não posso dizer, muito menos garantir que nunca mais te vou desiludir, realmente não posso.  Mas eu sei que independentemente do que aconteça, eu sempre olharei por ti, tu sempre serás a minha prioridade, sempre serás a única que eu…Carter eu amo-te.

Os olhos azuis de Carter estavam embargados em pena e desalento. Nunca antes ele lhe tinha dito que a amava, ela sempre soube que ele nutria tais sentimentos, mas nunca quis realmente acreditar, talvez porque não ouvindo as palavras em voz alta, ela não sentiria tanto remorso ao reconhecer que nunca lhe poderia corresponder da mesma forma.

E lá estava Luke, a tentar redimir-se, a fazer o que podia para agradá-la. Mostrando o quanto se importava com ela e queria resolver as coisas da forma mais perfeita possível. E mais uma vez, Jordan não sabia como reagir a tal ato de romantismo. Nunca sabia o que dizer ou o que não dizer, não podia mentir e responder da mesma forma, não era justo, contudo a ideia de sequer magoá-lo deixava-a desolada.

As inevitáveis lágrimas finalmente se libertaram e antes que ela pudesse esconder o rosto, Luke já havia acabando com a distância entre ambos e envolvido Carter num abraço angustiado.

– Jay, desculpa! – murmurou baixo.

Jordan negava com a cabeça, segurando a face descaída com as mãos pequenas. Estava sem coragem de olhar para ele, de lhe dizer o que realmente se passava e o que sentia não era sequer perto de amor. Toda a coragem que Carter alimentou durante aquela noite esvaiu-se assim que Luke mostrou o mais singelo dos sorrisos, acompanhado de um arrependimento honesto e puro.  Como poderia ela acabar com ele agora? Que tipo de mostro seria ela se o destruísse assim?

Os minutos foram passando e o choro foi diminuindo, Luke ainda embalava a namorada, sussurrando “desculpa” entre beijo na testa dela.

O cheiro a baunilha começava a tornar-se enjoativo para ela. Não se sentia digna de tão cordial pedido de perdão, nem merecedora de tanta bondade e paixão. Luke afastou-se um pouco para poder encontrar o rosto inchado e acabrunhado de Jordan. Deu um meio sorriso pouco convincente obtendo nada mais do que um olhar vazio.

 

– Jay? – ouviu um grunhido em resposta. – O que aconteceu?

Jordan enterrou a cabeça no peito dele, abafando as lágrimas que queriam surgir novamente – Eu sou uma má pessoa Luke! – soluçou. – Eu sou má pessoa. Eu não mereço nada disto!

– Quê? Jay, oxalá eu te pudesse dar a lua, tu mereces isto e muito mais. – apertou-a reconfortando. – E tu és uma grande pessoa, a melhor que eu já tive. – desceu o tom, tornando-o mais melancólico. – Eu queria-te poder mostrar o quanto tu significas para mim, mostrar a imensidão do meu amor por ti.- depositou uma mão na nuca dela, fazendo um carinho meigo. – Mas eu não posso medir algo que não tem medição possível.

Carter apertou o choro quase involuntário para não ter que padecer de mais questões. Era horrível sentir-se assim, se pudesse não estar na sua própria pele naquele momento, ela não estaria. Luke era demasiado bom para sofrer daquela forma, merecia alguém que o amasse, alguém que não Carter.

–   I could stay awake just to hear you breathing

(Eu poderia ficar acordado só para ouvir você respirar)

 

– Começou Luke a introduzir a música tão familiar a ambos. –

 

Watch you smile while you are sleeping

(Ver você sorrir enquanto você está dormindo)

While you’re far away and dreaming

(Enquanto você está longe e sonhando)

I could spend my life in this sweet surrender

(Eu poderia passar minha vida nesta doce rendição)

I could stay lost in this moment forever

(Eu poderia ficar perdido neste momento para sempre)

Every moment spent with you

(Cada momento gasto com você)

Is a moment of treasure

(É um momento que eu valorizo)

 

Deslizando as mãos até a cabeça da namorada, Sparks conseguiu afastar o rosto dela do seu peito. O sentimento de angústia nadava nos olhos de Jordan sem que esta o pudesse evitar. Luke limpou as lágrimas dela com um polegar e retirou uma mecha de cabelo da frente da face da rapariga. Num movimento terno e inocente, aproximou-se, oferecendo um beijo suave e prolongado na testa dela.

Jordan colocou as mãos por cimas das dele e fechou os olhos culpados, quando a boca de Luke entrou em contacto com a sua pele.

Sparks afastou-a mais uma vez para poder contemplar a beleza incomum de Carter e antes que ela pudesse dizer algo ou recuar, Luke já depositava um beijo simples nos lábios dela.

***

-E basicamente foi isto que aconteceu.- desabafou, atirando-se de costas para cama.

Milla viajou os olhos por todo o quarto pensando na história que a prima lhe tinha acabado de contar.

Era realmente um dilema e tanto e seria impossível sair daquele enredo sem que ninguém acabasse magoado.

A loira soltou o ar dos pulmões, emitindo um som bizarro de frustração. – Carter eu não acho que fazes bem em esconder tudo do Luke, quer dizer, ele tem direito a saber, certo? – levantou a sobrancelhas esperado por uma resposta que não veio. – Certo! – respondeu ela mesma. – E o Harry finalmente declarou-se, ele tem o direito a uma resposta. Tens que lhe dizer se ficas com ele ou ficas com o Luke. Jordan é o mínimo que tens a fazer!

– Eu sei.

– E então? – falou expectante. – O que vais fazer?

“O que vou fazer?”, perguntava para si mesma. A chave de toda aquele romance mal resolvido, estava ali, na resposta àquela pergunta tão temida por Carter.

Era certo que o que sentia por Harry era maior do que qualquer sentimento que alguma vez sentiu por algum outro homem, porém Luke ocupava um espaço demasiado especial no seu coração para que Jordan o pudesse simplesmente descartar.

Ela estava perdida num buraco sem fundo e tudo que conseguia pensar era no quanto desejava estar perto de Harry, aconchegada nos seus braços, depois de um dia sem o ver, após a declaração de amor.

E nada a impedia-a de o fazer naquele exato momento. Então Jordan levantou-se e foi direção à porta do quarto decidida a ir ao encontro de Van der Wood.

Antes de abandonar o aposento olhou para trás uma última vez, formou um sorriso terno para a loira sentada no tapete bege do quarto e agradeceu.

***

A conversa com a prima fervilhava na sua cabeça e estava a obter uma certa eficácia. Jordan tinha criado a coragem que necessitava para poder ir a encontro de Harry e ser o mais correta possível para que o relacionamento de ambos não estagnasse mesmo antes de começar.

 

Dobrou a última esquina e avistou logo o rapaz sair a passo rápido em direção ao seu Land Rover. Harry estava todo vestido de preto e a sua cara revelava uma certa irritação, Jordan nem teve hipótese de parar o carro e impedir que ele saísse sem falar com ela, mal entrou no veículo Harry arrancou e Jordan sem saber bem o que fazer, seguiu-o.

***

Nunca antes havia estado naquele lado da cidade. Quando viu Harry estacionar o seu carro perto do tão imponente edifício, não escondeu a sua careta de surpresa nem o seu grunhido confuso.

Harry saiu do carro e foi recebido por um homem moreno e de boa constituição física, mas com uma carranca de poucos amigos e um olhar que gritava perigo. Entrou no casino e foi seguido pelo outro. Jordan não sabia bem o que fazer, estava intrigada, porém não tinha tanta coragem para se arriscar a entrar lá dentro quanto desejaria.

15 Minutos depois, olhou novamente pelo retrovisor para verificar o que esperava, Harry não iria sair dali tão cedo, ela teria que engolir o medo e entrar no edifício.

 

A porta principal estava entreaberta quando a rapariga enfiou o rosto para poder observar o interior do casino. O deslumbre cegou-a por momentos, mas o som de vozes exaltadas despertou a sua atenção.

Levou alguns segundos para reconhecer de onde vinha o som, mas assim que encontrou as costas de um homem voltadas para si, encostou-se por trás de uma pilastra tentando captar todo a conversa sem ser notada.

– Ele está a fazer exigências Van der Wood! – afirmou alguém. – Ele sabe de coisas, ele disse que sabia.

– West, esse filho da puta acha que me engana com o seu bluf, mas ele não engana. – Jordan arregalou os olhos ao reconhecer a voz de Harry. – Esse mistério todo, nunca revelando quem é, deve achar que me intimida, mas ele não intimida.

– Harry eu acho que deverias ouvir o teu amigo, o Daniel sabe o que diz. – falou outro em tom de aviso. – O Tucker sabe de coisas, porque haveria ele de mentir sobre isso? Ele quer-te apanhar, ele quer fuder com a tua vida.

– Benny, nada do que ele sabe poderá me afetar, tudo que ele pode fazer é denunciar-me por traficar droga, mas onde estão as provas? Nós sempre escondemos tudo, não temos nenhum registo, nada.

– Mas e se o que ele sabe é algo que tu não esperas? – perguntou a voz do tal Daniel. – E se for algo além disto? Harry e se o que ele sabe tem a ver com a Carter?

Ouvir o seu nome não poderia a ter deixado mais chocada. A surpresa fê-la se soltar um som agudo e medroso.

– Quem está aí?

 

O desespero falou mais alto e Jordan não viu outra opção, senão corre dali para fora. Os passos e as vozes vinham atrás dela contribuindo para o acelerar dos seus batimentos cardíacos. Os seus olhos percorriam o espaço, procurando a porta por onde tinha entrado anteriormente. Agora tudo parecia igual e Carter sentia-se a soar frio.

De repente a tão desejada porta surgiu e Jordan conseguiu alcança-la antes de ser vista, ou reconhecida por alguém.

 

Chegar perto do seu carro nunca antes lhe pareceu tão bom, o nervosismo não a deixava em paz, Carter tremia por todos os lados, tentando enfiar a chave na fechadura sem grande sucesso. A sensação de adrenalina fê-la deixar cair o objeto.

Quando se baixou para pegá-lo, Carter tomou o maior susto de todos.

Um par de botas estava estrategicamente posicionado atrás de si e naquele momento ela soube que iria morrer.

 

Nota – Para o próximo capítulo – mínimo de 4 comentários

One thought on “Lady Rebel – Capítulo 18

Comenta aqui!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s