Lady Rebel – Capítulo 16

Recordações nunca foram fáceis de reviver. Más recordações muito menos, mas boas recordações, essas eram as que o deixavam pior. Eram elas que abriam as cicatrizes que nunca saravam, que o lembravam do quão solitário ele era.

A saudade era o sinónimo perfeito para o nome Bella Van der Wood. O sentimento mais duro, mais insuportável, mais difícil de lidar. Porque nada nem ninguém poderia alterar o destino, desfazer o que foi feito e salvar a rapariga, muito menos salvar o seu irmão.

Harry era quem mais precisava de salvação, quem mais necessitava de carinho, de alguém que pudesse preencher aquele buraco que Bella deixou por cobrir.

Mas quem seria essa pessoa, quem salvaria o garoto quando a sua cabeça decidiu condená-lo à solidão perpétua?

Para além de Bella, Jordan era o outro único pensamento que ocupava a sua mente. Quando o desespero tomava-o, ele refugiava-se na única pessoa que cabia na sua cabeça. Carter surgia como uma condenação e como a sua salvação, simultaneamente.

Ironia? Talvez.

Obra do destino? Provavelmente.

Contudo eram apenas possibilidades, especulações, ideias dispersas que não faziam sentido na cabeça problemática de Van der Wood. Não acreditar em nada era a via mais fácil. Nada precisava de ser explicado nem corroborado. As questões deixavam de existir e a palavra dúvida desaparecia do seu dicionário. Carter era a maior das suas dúvidas, o maior dos seus dilemas.

Ela era como uma chave, que abria tudo, que desencadeava todos os sentimentos carnais que Harry desejava enterrar sempre que Jordan estava por perto. E sempre que a luxuria surgia à flor da pele, ela arrastava consigo algo novo, algo que Harry não conseguia identificar como bom ou mau, mas era confuso e deixava-o nervoso, ofegante. A coerência parecia perder a sua força e o instinto sexual falava mais alto. Harry perdia a noção de ser e estar, na presença de Jordan Carter.

Então as questões surgiam, as dúvidas emergiam e ele perdia-se. Não sabia mais o que era certo ou era errado, esquecia o seu propósito, o motivo que o levou até aquele momento. Tudo que ele sempre acreditou, tudo aquilo que ele sempre ouviu depois da morte da irmã, parecia não fazer sentido na sua cabeça.

Jordan acordara algo em Harry que ele nunca imaginou ter. E apesar de desconhecer o sentimento e de ainda não perceber do que se tratava, Harry estava a ser salvo aos poucos, mesmo sem ter consciência.

Ele não sabia que estava perdido, mas Jordan estava a encontra-lo. Ou melhor dizendo, a salvá-lo.

As fotografias estavam espalhadas desorganizadamente, em cima da colcha branca. Harry estava ainda em tronco nu, usando apenas a parte de baixo do uniforme da escola. Não faltava muito para ele sair de casa, mas a vontade era pouca. Queria poder ficar ali sozinho.

Ver todas aquelas imagens, sorrir e chorar com as memórias que ainda pareciam tão vivas no seu coração. Era uma terapia pouco convencional, mas ainda assim eficaz. O sofrimento por vezes, fazia-o recordar que ainda estava vivo. Lembrava-o de que algures, ainda havia sentimento dentro daquela carcaça humana.

Uma fotografia despertou a sua atenção.

Bella e Liam, o ex-namorado da irmã. Hazza nunca gostou dele, sempre o achou estranho e de pouca confiança, vivia numa zona mais reservada de Londres e nunca tinha conhecido a família do rapaz. Liam era muito calado e pouco simpático, mesmo quando estava com Bella parecia aéreo, como se outra coisa estivesse na sua cabeça. E aquela fotografia não mostrava outra coisa, senão isso! Enquanto Bella sorria genuína para o fotógrafo, Liam olhava de contragosto para quem quer que fosse a pessoa por trás da máquina. O olhar de desdém era óbvio e a falta de emoção também.

Depois da morte da irmã, Harry deixou de ver Liam com frequências, as poucas vezes em que se encontraram foram ao mero acaso. E nunca nenhum saia para puxar assunto ou cumprimentar. Simplesmente fingiam não se conhecer. E talvez assim fosse melhor, porque a única coisa que os podia unir de certa forma, já não existia. Bella tinha morrido e nenhum dos dois tinha motivos para se falar.

Pousou a foto na cama para poder apanhar um pedaço de papel dobrado, no fundo da caixa que um dia pertencera à sua irmã. Hesitou na ação, mas acabou por pegar na folha já desgastada pelo tempo. Numa delicadeza desnecessária, Harry voltou a ver o desenho que há muito tempo lhe havia sido mostrado. A figura mantinha-se igual exatamente como ele se recordava.

*

– E então? – perguntou expectante. – O que achas Hazza?

– Er..está lindo Bels, eu não sabia que tinhas tanto jeito para desenhar. – respondeu ainda embasbacado. – Mas porquê isto? Porquê um beija-flor?

– Eles são livres! – admitiu ela com um brilho infantil no olhar. – E eles amam. Beijar é um ato tão puro quanto declarar amor a alguém Harry. O beija-flor ama, ele é o único animal que pode beijar.

– Ele não ama Bella! Se amasse ele não trocaria de flor. – contra-argumentou. – Ele vai de flor em flor, recolhe o que quer e depois abandona-a.

– Mas o amor é assim Harry. É uma busca incessante, até a pessoa certa surgir. Eu quero encontrar o meu beija-flor um dia. E estou certa que tu encontrarás a tua também.

*

– Será Bels? – fechou os olhos apertando o pedaço de papel contra o peito. – Será que algum dia eu encontrarei?

 

***

 

Ashbourne College. Alunos ricos, mimados e fúteis. Um antro de podridão dourada e cintilante, mas ainda assim, escrota.

Harry estava sentado sobre o volante do seu Land Rover, há pelo menos 8 minutos. Observava o movimento matinal da secundária, enquanto tragava um cigarro calmamente. Os olhos verdes acompanhavam os andares apressados de uns, as conversas paralelas de outros e nada parecia chamar por ele.

Procurava apenas por uma pessoa que parecia não querer surgir de jeito nenhum. Mas uma outra pareceu obter a sua atenção por instantes. A morena que agora poucas vezes via, corria apressada para dentro do edifício principal sem parar para conversar com quem fosse. Eleanor Lawrence havia-se distanciado de tudo e todos nas últimas semanas, nunca era vista em lado nenhum, a não ser na escola. Vivia como um fantasma, sempre presente, mas sempre invisível.

Harry sabia que ele era um dos culpados daquela depressão evidente, mas nada podia fazer a respeito nem queria, para ser franco.

Em meio de desvaneios ele viu o que procurava, mas não como esperava ter visto.

Jordan abriu a porta do carro e inclinou o rosto até os seus lábios tocarem ternos nos de Sparks, sorriu solene e saiu feliz. Luke observou a namorada afastar-se e depois prosseguiu a viagem.

– Façam-me o favor. – falou enjoado.

***

Os corredores estavam vazios quando Jordan abandonou a sala de aula. Estava sem pachorra para ouvir a professora de matemática e sabia que o seu único remédio seria um cigarro.

Entrou rápido na casa de banho, apenas para poder lavar o rosto e depois seguiu até às traseiras de ginásio.

Quando estava prestes a sair pela porta das traseiras, um assobio alto chamou-a. Olhou para trás mas não viu ninguém. E no segundo em que a sua mão tocou na maçaneta da porta, o mesmo som repetiu-se – Quem é o engraçadinho? – perguntou irritada. – Estás com medo, é?

– Carter eu só tenho medo daquilo que tu podes fazer comigo quando estivermos sozinhos num quarto!

– Claro. – cruzou os braços. – Tinhas que ser tu!

– Carter.- Harry falou com um sorriso travesso. – Vamos pular a parte em que tu dizes que me resistes e passemos para a parte que ambos gostamos mais. Assim ninguém fica a perder.

– Eu tenho namorado Van der Wood, pensei que isso estava claro para ti! – abriu a porta.

– Eu não quero saber disso Carter, pensei que isso estava claro para ti! – aproximou-se fechando a porta.

Passos rápidos e zangados, acompanhado por duas vozes foram ouvidos no fundo de corredor, antes que Jordan pudesse mover-se, Harry já a tinha arrastado para dentro da dispensa do contínuo. As luzes apagadas não os deixaram reconhecer o que estava à volta deles, mas era possível identificar-se um grande armário na parede oposta.

– Larga o meu pulso Harry! – queixou-se puxando o braço para si.

– Cala a boca Carter e deixa-te de frescuras! – refutou grosseiro.

– Olha! – subiu dois tons. – Fresca é a tua…

Sem chance de completar a frase, Harry pegou nela e prensando-a contra a porta, produzindo um ruído maior do que o pretendido, colocou a mão sobre a boca dela e olhou sério. A sua outra mão segurava a cintura dela sem qualquer delicadeza, impedindo que ela tentasse escapar.

– Ouviste isso? – perguntou uma voz masculina.

– Isso o quê? – falou a outra voz, que Jordan logo reconheceu coma a de Eleanor.

Carter pigarreou em protesto, para que Harry a largasse.

– Eu largo, mas cala a matraca!- avisou afrouxando a mão até desvia-la completamente da boca dela.

– É a Eleanor!- sussurrou.

Harry respondeu consentindo e passou a dar atenção à conversa alheia.

– Eleanor tenta ser mais flexível, eu cometi um erro, eu agi sem pensar. – implorava o homem.

– Eu já pedi para me deixares em paz! – exclamou  tentando manter o controlo. – Eu disse não da primeira e direi não até a última. Para de insistir, essa tua persistência não te vai levar a lado nenhum. Pelo contrário, se continuares assim eu terei que tomar medidas mais sérias Fitz.

– Tenta! – soou desafiador. – Tenta Eleanor, quero ver se tens coragem!

– Solta-me, estás a magoar-me! – implorou baixo.

Jordan deu a entender que queria sair dali e intervir na discussão daqueles dois, mas Harry não a deixou.

– Harry eu tenho que sair, ele ainda pode magoá-la.

– Carter calma, estás a agir por impulso. A Eleanor sabe se defender sozinha. E tu não podes sair daqui. Só se quiseres contar uma história ao diretor da escola, sobre o que nós os dois estávamos a fazer dentro da dispensa.

Odiava admitir mas ele estava certo, Eleanor conseguia lidar bem com a situação e ela não gostaria de dar explicações a ninguém, porque mesmo que contasse a verdade, ninguém acreditaria que ela e Harry estavam apenas a esconder-se.

Soltou um suspiro derrotado e pesado. Não ia fazer nada, teria que esperar os outros dois saírem do corredor e assim que a costa estivesse livre, afastava-se de Harry.

– Boa escolha! – Harry esboçou um meio sorriso de satisfação.

Novos passos de sapatos de mulher, começaram a soar sobre o piso. Jordan e Harry puderam ouvir Lawrence ser solta e fugir do homem, mesmo antes de ele ser interpelado pela mulher que se aproximava.- Fitz! – exclamou ela.

– Professora Smith! – fingiu surpresa. – Como está?

– Eu estou bem! – falou mostrando usando palavras comedidas. – Eu preciso de falar consigo sobre…

– Sim, eu também preciso! Mas agora não é o momento mais indicado.

– Concordo, talvez possamos nos encontrar mais tarde. Talvez no local de costumo. Ou se preferir noutro sítio, eu não sei!

– O local do costume soa bem. – disse simpático. – Bom, até logo!

– Até. Ah! Antes que me esqueça! Já sabe, se eu não estiver lá antes das seis horas, venha-me encontrar na delegacia.

– Claro, caso seja necessário farei isso.

Um minuto, ou talvez mais se passou quando Jordan finalmente teve alguma reação. – Isto foi estranho! Ou será que só eu achei estranho?

– Não! – acenou com a cabeça negativamente. – Eu também achei. Bastante estranho mesmo!

– Er…Harry!

– Hum! – franziu o cenho.

– Larga-me! – pediu, trocando o olhar entre a mão na cintura e os olhos verdes de Van der Wood.

A expressão dele mudou e ela percebeu. Estavam novamente de volta ao jogo de sedução.

– Eu vou largar-te agora, porque hoje de noite vais passar muito tempo agarradinha a mim – afirmou convencido.

– Eu não vou contigo a lado nenhum! – retrocou abrindo a porta da dispensa.

– Tu vais Carter. – falou atrás dela. – Eu sei disso.

– Essa tua presunção não te leva a lado nenhum Harry.

– Jay porque haveria eu de ir a algum lado quando posso esta aqui contigo? – puxou-a pela nuca e deu-lhe um beijo rápido.

– Harry! – esbofeteou-o no peito, irritada.

– Calma Jay, guarda a energia para mais tarde! – afastou-se andando de costas. – Vais precisar.

 

***

 

A confusão habitual de fim de aulas, passava na frente da rapariga, enquanto ela abandonava a secundária, rumo a casa.

– Jordan! – a voz familiar fê-la virar-se automaticamente.

– Luke? – juntou as sobrancelhas. – O que fazes aqui?

– Eu vim-te buscar!

Algo pareceu estar fora de contexto ali, ele nunca vinha busca-la à escola

– Tu não me vieste buscar! – exclamou quando viu o treinador Philips entrar no carro ao lado deles. – Tu foste vender drogas ao treinador!

– Jay eu não..

– Não mintas Lucas! – levantou a mão para afastá-lo.

– Carter nem todos têm vida fácil como a tua! – mudou o seu tom, tentando se defender. – Eu não tenho uma mãe rica, eu não tenho ninguém. Faço o que posso!

A ofensa doeu e Jordan achou justo fazê-lo pagar pelas palavras.

– Não me venhas com essa Sparks! – falou ainda mais alto, obtendo a atenção de alguns poucos curiosos. – Tu podias muito bem fazer um trabalho honesto. Se não fazes é porque não te preocupas de onde vem a merda do dinheiro.

– Eu não vou discutir isto contigo, muito menos aqui! – avisou baixando algumas oitavas a voz.

– Ótimo, também não estava no clima de discutir! – passou na frente dele sem olhar.

– Não vens para casa?

– Vou Luke! – olhou-o com uma pontada de maldade. – Mas vou sozinha, a pé! – deu ênfase na última palavra e saiu sem mais nada a acrescentar.

 

***

 

Carter queria não ter dado o braço a torcer, mas depois de toda aquela cena ridícula com Sparks no estacionamento da escola, ela queria poder vingar-se um do namorado, mesmo sabendo que era uma atitude imatura

Quando chegou até perto de Harry, Jordan percebeu o que estava por trás dele.

Uma Indian, reluzente e preta, estava estacionada atrás do rapaz de cabelos bagunçados. Os olhos verdes de Harry não escondiam a malícia que por eles derramava, apreciando detalhadamente o corpo de Jordan.

Como um bom cavalheiro, Harry afastou-se do veículo e caminhou até ela, trazendo com ele um capacete.

– Eu sabia que vinhas! – constatou satisfeito.

– Não fiques todo convencido Van der Wood, eu posso muito bem ir-me embora!

– Tu não vais. – falou confiante. – Pega! – estendeu o capacete para a mão dela.

– Para que é isto? – perguntou sem pegar no objeto das mãos dele.

– Vamos andar por aí!

– Eu não…

– Tu não? – incentivou-a a falar, sentando-se na mota.

Carter libertou uma lufada de ar, xingando-se mentalmente pelo que estava prestes a fazer. Foi ao encontro de Van der Wood e sentou-se por trás dele, encaixando as pernas em cada um dos lados da mota.

Harry sentiu os braços dela posicionarem-se em volta do seu tronco definido de forma a afrouxada, para que o contacto não fosse grande. Em solução, ele obrigou o motor a soltar o rugido potente e instantaneamente Jordan cravou as mãos no peito dele.

-O que foi Carter? Ficaste com medo? – olhou por cima do ombro em deboche.

– Passa logo essa porra de capacete! – respondeu Jordan arrancando o objeto da mão dele.

– Só uma coisa. – acrescentou Harry. – Vais ter que segurar bem firme. – rodou o acelerador provocando um som tão áspero quanto o primeiro. – Porque a viagem vai ser perigosa!

***

Agora que a viagem decorria, a ideia de passear de noite numa mota com Harry Van der Wood não parecia tão má assim. O vento não era tão cortante naquela noite pouco comum, onde o céu estava mais estrelado que o natural.

Jordan estava agarrada a Harry. Sentia os batimentos cardíacos dele, contra a sua mão esquerda. Harry não havia falado nenhuma vez desde que saiu do centro da cidade. Estava atento à estrada, provavelmente concentrado em algo que ela adoraria poder saber. O seu coração acusava-o de algo sério. Era um pouco rápidos demais para o natural e ia aumentando gradualmente.

Quando passaram por um posto de gasolina, Harry saiu para abastecer, mas acabou por demorar mais do que o necessário, dando tempo a Jordan de refletir durante alguns minutos.

Ela estava ali, tal como ele disse. Ela estava a gostar de estar ali, tal como ela odiava admitir. Harry era demasiado magnético para Jordan se conseguir afastar. E por mais erros que ele cometesse, por mais provas de pouco caráter que ele lhe mostrasse ter, Jordan simplesmente não conseguia se afastar.

Harry voltou pouco depois, com um semblante menos carregado e chegou a sorrir para ela, quando subiu na mota, mas não falou nada.

 

***

 

Depois de um par de horas, eles regressaram. Harry estacionou o veículo em frente ao prédio dela e retirou o capacete.

– Entregue! – falou sem emoção.

Jordan olhou-o expectante, estava à espera da frase inconveniente ou do cometário pouco propício, mas nada veio.

– Podes sair Carter!

Ela duvidou por instantes se aquilo não passava de uma brincadeira, mas quando percebeu que Harry estava mesmo a dispensa-la sem mais nem menos, ela fez questão de apressar as suas pernas para fora da mota, sem nem se preocupar com o capacete que deixava cair no chão.

Ficou com raiva de si mesma e de Harry.

Raiva de si, porque sentia vontade de fugir antes que a sua outra parte falasse mais alto e acabasse por cometer o seu pecado favorito.

Raiva dele, porque Harry estava a deixá-la ir sem mais nem menos, e isso, de forma ridícula, magoava-a.

Mas inesperadamente a mão intolerante de Van der Wood não a deixou escapar tão fácil. Num impasse rápido, ele puxou o pulso da rapariga e no instante seguinte ela já estaca prensada contra ele.

Afogar-se naquele oceano verde era como entrar num labirinto. Por mais que se andasse não havia saída. E era assim, era dessa forma que Harry sempre acabava por a encurralar. Antes que ela tivesse consciência, o cheiro amadeirado dele penetrou-a de forma invasiva e prazerosa.

– Não fujas Carter, não fujas a isto! – o brilho no seu olhar ofuscava os pensamentos de Jordan. Porém as palavras pareciam trocadas. Num momento ele simplesmente a ignorava e no segundo instante, ele pedia a ela para não ignorar o que sentia?- Tu paralisaste-me, eu nunca esperei que isso fosse acontecer, mas aconteceu. Eu agora quero mais, estou viciado. E tu! – apertou-a mais contra si. – És a única capaz de acalmar esta dependência.

A garganta seca, o coração errante, a respiração irregular. Carter estava sem dúvida a deixar-se levar pelo momento.

– Beija-flor. – sussurrou quase de forma inaudível, passando a mão no cabelo dela.

– O quê? – olhou confusa.

Só então ele assimilou as próprias palavras. O peso que elas tinham e o significado que lhes era empregue.

A falta de reação deixou Carter preocupada, mas foi quando Harry afastou-se, que Jordan percebeu que algo estava errado.

– Harry! – chamou. – Harry o que foi?

Ele ligou o motor e deixou que o rugido calasse a voz da rapariga. Antes de ela poder chegar perto, Van der Wood acelerou e fugiu mais uma vez dos seus próprios sentimentos.

 

Nota: Pois é, agora as coisas estão a começar a adquirir forma… curiosas sobre o próximo capítulo? Comentem!!

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