Lady Rebel
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Lady Rebel – Capítulo 14

Os olhos entreabriram quando a luz da sala foi acesa. A claridade momentânea fê-la implorar choramingar em protesto. Era tarde, provavelmente umas 2.30 da madrugada quando ouviu os passos de Luke aproximarem-se do sofá.

– Luke! Deus do Céu, o que te fizeram?

O rapaz não respondeu. Tinha medo de contar o que realmente tinha acontecido, também não tinha coragem de mentir para Carter, essa nunca seria uma opção.

Agora que estava quase mais sóbrio, conseguia sentir o arrependimento dentro de si. Sabia do erro escroto que tinha cometido e não queria sofrer as consequências se Jordan descobrisse o que realmente se passou.

Começou por tirar o casaco, mas a dor não o permitiu fazê-lo sem a ajuda da namorada.

Jordan entendeu que algo estava errado. O silêncio acusava Luke de algo que ele não devia ter feito e Jordan queria poder confrontá-lo sem que palavras maldosas lhe tomassem a boca. – Luke o que aconteceu? – insistiu passando a mão pelo rosto magoado do rapaz. – Luke! – chamou-o finalmente obtendo a atenção dele.

– Eu fiz merda e não saí ileso.

Jordan não soube que palavras usar, nem soube se devia dizer algo. Ela conhecia Luke, sabia que ele acabaria com aquele mistério eventualmente. Não levaria muito tempo para ele contar-lhe o que tinha acontecido, ela só teria que pensar na pergunta certa.

– Vamos Luke! – puxou pela mão dele conduzindo-o ao quarto. – Vou ajudar-te a tirar essa t’shirt. Precisas de alguém que te faça um curativo.

 

***

Jordan trabalhava atentamente no rosto ferido do homem deitado com a cabeça nas suas pernas e ele seguia cada pequeno movimento dela, sem conseguir desgrudar os olhos azuis. Era tão bom sentir a pele macia e quente de Jordan, contra a sua. Era tão bom poder saber que alguém se preocupava com ele, alguém se importava com o seu bem-estar.

– Não vais parar de olhar Luke? – sorriu entre as palavras.

– Eu não consigo.

Jordan abriu mais o sorriso de menina continuando o seu trabalho. Luke fechou os olhos algumas vezes, mostrando uma careta sofrida, quando a namorada passava o algodão embebedado em água oxigenada sobre os cortes da sobrancelha e lábio.

Os comentários meigos saiam livres e espontâneos vez ou outra, enquanto Jordan limpava o rosto de Sparks.

Quando o momento finalmente lhe pareceu ser oportuno Jordan arrumou o resto dos curativos e tomou uma posição mais séria.

Luke não a olhava mais, os seus olhos estavam fora daquele lugar, observando a escuridão da noite na companhia do único som presente além das duas respirações cansadas, os carros na estrada e as ruas de madrugada. Evitava a todo o custo encarar a rapariga de cabelos castanhos, fingindo-se distraído e aéreo. A sua perna dobrada batia frenética e sincronizada sobre o colchão da cama. Aquele era o comprovativo de que Luke estava nervoso. O seu tique sempre o acusava.

– Luke!

– Hum! – soou duas oitavas a baixo.

– Quem te bateu?

De repente a sua perna parou. Com muito esforço ele conseguiu olhá-la recebendo em troca um olhar carente e preocupado.

– Ninguém me bateu! – falou sério. – Foi uma luta. Eu não fui o único a sair manco.

– Com quem é que lutaste então? – reformulou ela a questão.

Sparks vacilou na resposta. Não queria que Carter soubesse o que realmente tinha acontecido, mas a mentira estava fora de questão. Exalando um pouco de ar ele ganhou a coragem que precisava para dizer o nome do individuo sabendo que Jordan não interpretaria a história da forma certa, mas sem bravura para ser verdadeiro.

– Van der Wood.

Os olhos azuis de Carter esbugalharam, não de surpresa, mas de raiva.

– Jordan eu não fui o único a levar.

– Isso não interessa. – respondeu ríspida.

– Jay…- tentou chegar na mão dela.

– Agora não Luke. – levantou-se caminhando para perto da janela.

 

***

 

Carter esperou até a manhã chegar, para que pudesse sair sem que Luke percebesse. Não lhe contou nada nem deixou suspeitas, quando deu 9.00H ela saiu do apartamento, certa do destino que aquela manhã cinzenta a ia levar.

A casa dos Van der Wood ficava longe da zona onde Luke morava, mas isso não a impediu de cumprir todo o caminho em menos de dez minutos. Ela não ia deixar aquilo passar em branco. Harry estava habituado a ter tudo e fazer o que queria sem que as consequências chegassem até ele, mas agora não, desta vez ia ser diferente.

Quando Abigail, a empregada da família, lhe abriu a porta da casa com um sorriso resplandecente, Jordan respondeu com um meio sorriso e um ar menos simpático.

– Menina Carter? Bom dia, acordou cedo. – falou verificando a hora no seu modesto relógio de pulso.

– Er…sim, eu tive uma noite difícil. – entrou na casa. – O Harry está?

– Noite difícil? Precisa de uma água, talvez um chá? – interrogou-a ignorando a pergunta da rapariga.

– Não Abigail, eu estou bem, eu só queria falar com o Harry. Ele está?

Abigail olhou apreensiva. Conhecia muito bem o histórico de mulheres que passava frequentemente pelo quarto de Harry quando os seus pais não estavam em casa, ou pelo menos, não estavam conscientes para testemunhar a presença de sexo feminino.

Tinha medo do que Carter poderia querer com ele a tal hora da manhã, ou até mesmo, do que ela poderia encontrar quando entrasse no quarto dele.

Optou por ignorar o seu instinto. – O menino Harry chegou muito tarde esta noite, ele está no quarto provavelmente a dormir. Se quiser pode esperar…

– Não eu não quero. – respondeu avançando para o único corredor da casa.

– Menina Carter! – chamou- a em vão.

 

*

-Hazza! –  Harry ouviu a voz de Bella vinda do seu quarto. – Hazza!

– Já vou Bella! – Respondeu preguiçoso levantando-se da cama.

 Como de costume a irmã havia deixado a porta do quarto aberta para permitir que o cheiro das suas velas de baunilha se espelharem por todo o corredor.

 Bella estava sentada na cama, debruçada sobre um caderno que muitas vezes lhe fazia companhia. Segurava uma caneta na mão direita e olhava pensativa para a página em branco na sua frente.

– Odeio o cheiro dessas velas Bels! – disse torcendo o nariz quando chegou ao batente da porta de madeira branca.

– Uhum! – concordou pouco interessada na opinião do irmão mais novo. – E eu odeio o cheiro a tabaco! Por isso…- olhou-o pela primeira vez. – Acho que estamos quites.

 Harry ignorou o infeliz, porém merecido, comentário da irmã e limitou-se a soltar um suspiro pesado antes de falar mais uma vez.

– Porque é que me chamaste? Precisas de alguma coisa? – entrou no aposento até ficar a menos de um metro da irmã.

– Não, eu quero mostrar-te uma música e um desenho que eu fiz.

 Harry olhou-a confuso, mas não opinou contra, sentou-se na cama de Bella e observou a irmã dirigir-se para o aparelho de som e carregar no play.

http://www.youtube.com/watch?v=qC6peZfXdEI

 O som do acorde de piano preencheu o silêncio reconfortante. Repetindo-se mais uma vez e depois mais outra. Então a voz de Ed Sheeran saiu das colunas como uma melodia boa e melancólica.

“I should ink my skin with your name”

(Eu deveria tatuar seu nome na minha pele)

Harry permitiu-se recostar sobre a cama da irmã e fechar os olhos. Deixou que a música o invadisse lenta, calma e suave. Deixou-se ser penetrado por aquele som calmante. A música apaziguava o seu espírito, a sua alma. As palavras soltas e naturais, acompanhadas pelo piano discreto, faziam sentido na sua mente. Bella sabia que aquela música tinha um certo significado. Sabia que aquela música podia trazer um pouco daquele rapaz de olhos verdes de quem ela tanto sentia falta.

 Sentou-se ao lado do irmão, despertando a atenção dele para a folha que ela carregava nas mãos.

– O que é isso? – perguntou colocando ambas as mãos sobre a nuca, para suspentar o peso da cabeça.

– Isto…-Hhesitou. – Isto é o tal desenho que eu fiz!                        

 Harry olhou-a incentivando-a a mostrar a ilustração que ela segurava tão firmemente nas mãos. Bella ponderou durante segundos, mas acabou por virar a folha de papel para o irmão.

 Os olhos verdes estreitaram-se. Levantou o corpo inclinando-o sobre a folha de papel. Tirou o desenho das mãos da irmã e analisou. As cores da aguarela em tons claros e alegres, combinados com o desenho delicado e bem executado sugeriam-lhe algo que ele não entendia.

– O que foi Hazza?- abraçou as pernas com o olhar cinza direcionado para o mais novo. – Não gostas?

 Harry tentou, mas as palavras simplesmente não saíram. A figura parecia querer dizer-lhe algo, mostrar algo que ele não entendia.

*

Jordan entrou no quarto de Van der Wood demasiado descontrolada para enxergar direito. A raiva impedia-a de pensar coerentemente e a pouca luz do quarto não ajudava. Harry acordou do seu sonho e assustou-se com a inesperada chegada de Carter. Ainda que magoado, ele conseguiu levantar-se da sua cama em pouco tempo, mas rapidamente se arrependeu de o ter feito. Jordan olhou-o mortífera e soou pior ainda.

– Seu doente psicopata!

 

 

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