Lady Rebel – Capítulo 8

O relógio de pulso marcava 22.00H em ponto. Era a terceira vez num espaço de 10 minutos que ela olhava para ele.

A festa já havia começado e Carter ainda não tinha ganho a coragem necessária para entrar no salão nobre.

Ela padecia de três grandes problemas.

O primeiro dos seus problemas tinha nome e sobrenome. Eleanor Lawrence.

Carter não soube como conseguiu encará-la durante todas aquela semana sem que a verdade viesse à tona a cada 5 segundos de conversa. Contudo, Jordan prometera a si mesma que desta noite não passaria, Eleanor era a sua melhor amiga e ela não lhe podia esconder algo tão sério.

O seu segundo problema era mais conhecido como Mr. Fitz.

Ela tinha passado toda a semana a evitar que a proximidade entre ambos fosse provocada em qualquer circunstância. Chegou sempre atrasada à aula e saiu antes de qualquer um dos seus colegas, assim que o toque avisava o fim da sua tortura.

Jordan passou grande parte das suas manhãs em fuga constante.

O seu último dilema e sem duvida, o mais estranho de todos, era Harry Van der Wood.

O medo de se esbarrar com Harry no baile, impedia-a de dar o primeiro passo para o corredor principal do Edifício Hepburn. A última vez que estivera com Harry não fora das mais memoráveis e não sabia como ele iria reagir quando estivessem juntos.

Jordan ainda se recordava perfeitamente da tristeza nos olhos verdes do rapaz. Era impossível esquecer a escuridão que os possuiu e transformou num poço profundo e vazio. O quanto desesperado ele ficou quando ela perguntou quem era a garota da fotografia. Em como ele arrancou o objeto da sua mão, sem pensar na brutalidade do seu ato, sem querer saber se a magoaria ou não. Em como ele olhou nos seus olhos sem expressar o mais escrupuloso dos sentimentos e mandou-a sair. E tudo aquilo foi culpa dela, dela e da sua estúpida necessidade em fazer perguntas que não devia.

O tempo em que esteve longe dele, fora o suficiente para ela entender que a sedução natural de Harry, era uma máscara que ele usava, para esconder o seu lado negro e deprimente. “Mas, por quanto tempo ele iria manter aquela fachada?” “Quando é que a máscara cairia?”

Ela realmente não sabia, mas esperava que não demorasse muito.

XXX

O salão nobre estava elegantemente decorado em tons de branco e dourado. Uma luz púrpura brilhava na pista de dança, tornando todo aquele ambiente ainda mais misterioso. Um majestoso candelabro de cristal enfeitava o teto branco, combinando adequadamente com os caixotões em estilo barroco.

Arcos de volta inteira preenchiam todas as paredes da grande sala, as mesas redondas que poderiam arrecadar até oito pessoas em seu torno, circulavam todo o salão decoradas com exuberantes vazos e velas nos mesmos tons de dourado.

Não levou muito tempo para Jordan reconhecer as irmãs Lawrence no meio da pista de dança. O medo entranhou-se na sua pele assim que os seus olhos caíram sobre Eleanor. Ela usava um vestido lilás e uma máscara branca a condizer. A missão que a arrastava ao encontro de Eleanor tornava-se cada vez mais impossível de realizar, a casa passo que Carter dava em direção à melhor amiga.

– Jordan estás deslumbrante! – elogiou Lea parando a sua dança exuberante.

– Tu também estas muito bem Lawrence!- Jordan devolveu o galanteio sem tirar os olhos de Eleanor. – Els… – chamou-a hesitante. – Podemos falar?

Não foi preciso nem um segundo olhar, para que Eleanor entendesse que por trás da aparente serenidade de Jordan, ela escondia uma expressão alarmante.

Sem responder nada, Eleanor enlaçou a mão com a da amiga e levou-a consigo para longe daquela confusão.

 

Quando Eleanor fechou a porta da casa de banho devolveu a Jordan o mesmo olhar preocupado depois de retirar a máscara.

– Carter eu sei o que se passa. – declarou Els.

– Sabes? – perguntou num misto de surpresa terror.

– Sim, ele falou comigo.

– Ele falou contigo?

– Jay, vocês os dois têm que resolver-se! – Carter achou que nada mais a pudesse surpreender depois desta frase. – Desde o primeiro dia em que vos vi juntos que eu venho reparado na tensão que se cria quando ele se aproxima de ti e…

– Tens reparado na tensão? Mas Eleanor não há nada, não significou nada, foi um erro, aquilo foi só…

– O Van der Wood contou-me o que aconteceu.

“ O quem?”

– O Harry contou-te o que aconteceu?

– Sim, ele contou-me tudo.

– Não escondeu nenhum detalhe. – Jordan repetiu mais para si, sentindo todo o ar dos seus pulmões ser-lhe arrancado no mesmo segundo.

– Ele falou-me do seu descontrole quando tu questionaste-o sobre quem era a mulher na fotografia. E ele me pareceu bastante sincero quando disse que estava muito arrependido em ter-te tratado tão mal e de forma tão bruta. Tu nem vais acreditar Jay, mas o rapaz quase chorou na minha frente.

Carter não sabia o que dizer. Não sabia em que ponto da situação ficar.

Era bastante óbvio que elas não estavam em sintonia de assuntos, mas agora a coragem de Jordan havia-se resumido a uma pequena e insignificante ervilha que tinha acabado ser esmagada, juntamente com o seu orgulho quando percebeu que o seu coração palpitava somente com a ideia de Harry se preocupar com ela. De chorar por causa dela.

Mas isso era estranho. No mínimo. Harry não era do tipo que chorava por causa de uma mulher. Disso ela tinha a certeza.

– Jordan, o Harry está realmente arrependido e eu na minha honesta opinião, acho que tu deverias falar com ele. – avisou-a recolocando a máscara. – Tentar resolver esse problema. Tenho a certeza que ele vai ficar feliz se falares com ele ainda hoje.

Jordan nada respondeu, apenas acenou afirmativamente com a cabeça e deu um meio sorriso fraco para a amiga. Observou Eleanor abandonar a casa de banho e permaneceu ali durante alguns minutos em puro silêncio.

XXX

  1. 00H e Jordan ainda deambulava pelo salão nobre na espectativa de encontrar Harry. Estava farta de esbarrar contra gente colorida e mascarada. Queria achá-lo o mais rápido possível.

Agora mais do que nunca, Jordan queria poder encontrá-lo e pedir desculpas pelo seu ato infantil e intrometido.

Já era a quarta vez que ela percorria a festa de ponta a ponta, e nada.

“Mas quem foi o infeliz que teve a ideia de fazer disto um baile de máscaras?”

Tirou a mascara do rosto e deu mais uma vista d’olhos rápida. Bufou frustrada e baixou o rosto. Ela não o conseguia encontrar, sequer tinha certeza de que ele estava ali.

De repente, alguém puxou-a e quando deu por si, já estava a ser arrastada para trás dos cortinados improvisados.

O seu primeiro instinto foi gritar, mas uma mão forte e pesada, impediu-a de o fazer. Ele usava uma máscara escura, com um terno a condizer, a pouca luz não permitia que Jordan entende-se se a máscara era realmente preta ou não.

Quando o individuo afrouxou o aperto no braço da garota e tirou a mão da sua boca, falou pela primeira vez. – Carter, nós temos que falar!

Aquele tom de voz autoritário e razinza fê-la finalmente perceber quem a havia arrastado para aquele canto.

– Mr. Fitz? – Perguntou perplexa.

– O próprio. – respondeu frio. – Tu sabes porque eu te trouxe até aqui. Eu tentei falar contigo esta semana, mas a única coisa que tu fazias era fugir. Tornaste esta missão bem mais difícil do que eu esperava. – ele parou por um instante. – Carter aquilo que aconteceu foi um erro imensurável.

A forma tão prática que ele usou para avaliar a situação permitiu que ela respondesse segura e tranquila.

– Não poderia concordar mais.

O homem olhou-a com desdém, como se tivesse ficado ofendido, mas não deixou o seu discurso nem a sua ideia de parte.- Ainda bem que estamos de acordo neste assunto. – falou reaproximando-se do cortinado lilás. – Não gostaria realmente de ter que prolongar este equívoco.

– Mais uma vez, eu não poderia concordar mais. – retrocou indo em direção dele. -Alias, eu não quero que a minha amizade com a Eleanor seja afetada por um ato impulsivo e inconsequente.

XXX

A noite sempre a acolhia, sempre lhe era muito convidativa e naquele momento ela precisava mais daquilo, do que de oxigénio.

Os pensamentos voavam como pássaros sem rumo na sua mente. Nada se encaixava, nada lhe parecia certo.

Ela tinha a certeza que aquele encontro com o diabo havia sido um aviso.

O Fitz não queria que Eleanor soubesse de nada. E Jordan concordara em não contar nada.

Sentia-se uma hipócrita. Estava a fazer tudo ao contrário, a agir como não gostava, porém a coragem necessária para enfrentar a Lawrence já não existia e Jordan teria que deixar a ideia de contar a verdade de parte.

 

Carter sentou-se a contemplar o céu estrelado na escadaria do Edifício Hepburn. Tentando manter sã aquela pequena parte do seu cérebro que ainda não tinha sido afetada.

Quando se apercebeu, havia uma garota sentada do seu lado. Ela usava um vestido amarelo, e uma máscara branca. Os seus cabelos loiros estavam presos numa trança perfeitamente desconcertada e os seus olhos castanhos fixavam o céu.

– Eu gosto de observar as estrelas. – começou ela.- Elas contam-me histórias. Algumas tristes, outras nem tanto. – A garota falava sem nunca olhar para Carter. – Algumas engraçadas, outras entediantes. Mas todas as histórias são histórias. Todas têm um início, um meio e um fim. – então ela olhou para a de cabelos castanhos ao seu lado. – A tua história começou agora. E já trouxe demasiada confusão, porém eu vejo que o final que esperas não é o final que vais ter. – Jordan pôde ter a certeza que viu um brilho diferente surgir no fundo daquele olhar quando ela finalizou a sua sentença. – Vocês estão escritos nas estrelas Carter. Independentemente do desfeche, vocês estão escritos nas estrelas.

Lea chamou por Carter e acenou-lhe para que ela voltasse para a festa. Jordan fez-lhe sinal, para que esta esperasse, mas quando se voltru novamente para a loira, ela já não estava lá.

Jordan levantou-se de rompante e olhou para todo o lado, mas nada, ela simplesmente tinha sumido.

XXX

(Música: https://www.youtube.com/watch?v=a9YQPWqTnx4)

A música tocava lenta e suave. As notas dançavam na sua cabeça uma valsa triste e melancólica. Se antes ela estava nostálgica, presa nos seus pensamentos e memórias mais remotas. Agora ela estava esmorecida e desolada. Sentada no canto daquele salão contando o número de flores que havia dentro daquele vaso exageradamente arrojado sob a mesa redonda. Jordan já tinha desistido de encontrar fosse quem fosse.

 

Sentia-se uma fraca, uma incapaz. Sentia-se a pior pessoa do mundo por não ter coragem de contar a verdade a Eleanor e de concordar em manter o sigilo.

Sentia-se confusa com as palavras da desconhecida que parecia saber mais do que ela própria.

Sentia-se desamparada e perdida.

Se autoaversão matasse, Jordan já estaria a sete palmos do chão há muito tempo.

Tudo a seu redor era nada, mas na sua cabeça tudo era tudo.

Nada naquele cenário a chamava. Nada a atraía, até ao momento em que uma mão pousou no seu ombro e um perfume amadeirado penetrou as suas narinas, diretamente para os seus pulmões.

– Seria possível esta bela dama me dar a honra de uma dança?

Mesmo soando duas oitavas a baixo, aquele tom fora o suficiente para acordar todos os sentidos de Jordan e reconhecer imediatamente o dono da voz atrás dela.

Por trás daquela máscara negra, Harry parecia o ser mais sedutor e enigmático que alguma vez Carter vira.

Ele estendeu a mão expectante que a garota a tomasse. E ela assim o fez.

Caminhando de mãos dadas até ao centro da pista de dança, nenhum deles ousou pronunciar alguma palavra com medo de arruinar o momento.

Quando Harry parou e se colocou na frente dela, tomou as mãos da garota e enlaçou-as ao redor do seu pescoço.

Até então nada era dito, nenhum protesto, nenhum impedimento.

De forma delicada, Harry pousou ambas as mãos nas costas dela e aproximou os corpos.

O perfume dele queimava sem arder nos seus pulmões, a calma dele agitava o inconsciente dela.

Invés de desejo, ela sentiu segurança.

O primeiro passo foi dado, seguido de outros, calmos, comedidos, sossegados e puros.

Tudo naquele momento parecia ser puro e natural. Nada parecia forçado, nada parecia perigoso ou errado.

Era apenas Jordan e Harry, sozinhos num salão cheio de gente, a dançar.

Ele embalava-a numa dança mágica e intima. Ela seguia os seus passos, sem medo de se perder na contagem daquela valsa, apenas usufruindo daquele momento inesperado e aguardado durante toda a noite.

Ela pousou a cabeça no peito dele e sentiu. Sentiu um coração. Ele batia forte, mas sereno. Batia em entendimento com o dela. Como se sempre assim tivesse estado e sempre assim iria ficar.

Hesitante, ela arriscou-se a olhá-lo. Jordan viu os olhos verdes, puros e simplesmente verdes.

O garoto desceu lento até aproximar o seu rosto do dela. Ela sentiu a respiração dele bater-lhe contra os lábios, a vacilação nas mãos que começavam a subir devagar até às laterais do seu rosto. Sentiu o seu coração querer saltar da boca quando percebeu o que ia acontecer.

Então ela fechou os olhos e experienciou o toque suave dos lábios de Harry Van der Wood contra a sua bochecha.

2 thoughts on “Lady Rebel – Capítulo 8

  1. OMG !! Eu com toda a certeza me apaixono cada dia mais e a cada capítulo novo por essa fanfic !! Uma das melhores que eu já li !! ❤ ❤ ❤

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