Lady Rebel
Comment 1

Lady Rebel – Capítulo 4

Lady

– Como é que é?

Após uma semana a ignorar as chamadas de Lucas Sparks, Jordan decidira finalmente se encontrar-se com o rapaz no apartamento dele.

O espaço era visivelmente velho e mal cuidado, a tinta das paredes lascava e a humidade era mais do que evidente nas extremidades superiores, algumas das tábuas do soalho estavam soltas e ao mais pequeno movimento, era possível ouvir-se o ranger agudo das mesmas.

Eles encontravam-se na sala, o único local da casa, que para além da cozinha possuía mais do que uma peça mobiliaria.

Jordan estava sentada numa poltrona velha e Luke, sentado na mesa de centro à frente dela.

– Jay, eu sinto muito pelo que fiz, mas ocorreu um imprevisto e eu não pude ir até ao 17Black.

– Luke não há desculpa, ok? Tu podias ter avisado. Tu sabes perfeitamente que sempre que vou ter contigo estou a arriscar-me. Se a Eleanor descobre que eu e tu…

– Hey! – exclamou o rapaz levantando o rosto de Jordan ao encontro do seu. – Ela não vai descobrir nada!

– Como podes ter tanta certeza?

– Jay confia em mim. – sussurrou Sparks, apertando com delicadeza o  queixo da garota.

O cheiro fresco e doce misturado com tabaco, distinguia Sparks de muitos outros. Jordan conhecia bem o seu amigo. Bem demais. As vezes em que ultrapassaram a linha da amizade foram poucas, mas foram as suficientes para Jordan entender em que pé eles se encontravam. E por esse mesmo motivo, Jordan queria evitar a qualquer custo todos os momentos nostálgicos em que a proximidade de ambos tornava-se inevitável e estranhamente agradável.

– Ela não pode descobrir. – disse Jordan, fechando os olhos.

– Ela não vai Jay, ela não vai.

O rapaz inclinou um pouco mais o rosto da garota para que ela o encarasse. Ele olhava-a expectante e esperançoso com o rumo da ação. Jordan sabia que era errado, mas não conseguia evitar. Lentamente ela fechou os olhos e sentiu o seu coração querer pular garganta fora. O toque de Sparks era reconfortante. Ela sentia necessidade desse conforto, dessa preocupação, desse carinho. E ele parecia ser o único capaz de oferecer-lhe tanto amor.

Luke deixou que as respirações se aproximassem uma da outra e arriscou passar os seus lábios pelos de Carter.

Jordan inspirou fundo, aceitando o toque do amigo e sentiu, quando a mão dele, foi de encontro com a nuca dela, e puxou-a mais para si. Não era um beijo voluptuoso, de arrancar respirações, mas aquecia a alma e o coração.

Jordan gemeu baixo em protesto, enquanto Luke fingiu não ouvir e aprofundou ainda mais o toque, passando a sua língua para o interior da boca dela. Carter empurrou o garoto e levantou-se de rompante e para a janela no funda da sala.

Luke escondeu a dor da rejeição e levantou-se também, para pegar um cigarro e um isqueiro.

Ela mantinha o olhar distante, fingindo-se interessada em alguma coisa do outro lado da janela. Ele estava de pé, encostado a uma das paredes da sala com um cigarro já aceso, entre os dedos. Jordan virou-se a e encontrou os olhos azuis do seu amigo. Ela viu uma resquia de frustração e descontentamento neles, mas não quis opinar sobre isso.

– Quando tu me ligaste na terça… – começou incerta. – disseste que tinhas algo que me iria interessar. – comentou, tentando acabar com o silencio pós-beijo.

Tragando uma última vez o cigarro, antes de o colocar no cinzeiro, ele pareceu ficar desconfortável na pequena sala de estar. Como se o apartamento fosse demasiado pequeno, o rapaz suspirou em alto e bom som, antes de começar a bater nervosamente com o calcanhar esquerdo sobre o soalho musical. Um tique nervoso que ele possuíra desde sempre.

O silêncio quis-se fazer de convidado e instalar-se no compartimento durante os breves segundos em que Lucas demorou para ganhar a coragem de responder…

-Bom isto…- passou a mão no queixo. – Eu precisei de te convencer a sair, porque eu tinha de te contar uma coisa… – balbuciou – Jay…Por onde é que ei de começar?

– Hum! Não sei Luke, e que tal pelo início?

– Mais vale dizer isto de uma vez!

– Chuta! Sou toda ouvidos.

– Euandoavenderdrogaaotreinadordatuaescola.

– Como é?

O rapaz passou as mãos freneticamente pelos cabelos castanhos deixando que a sua cabeça se mantivesse baixa com o olhar preso nas sapatilhas velhas, para não ter que encarar Carter.

– Eu…Eu ando a vender droga ao treinador Philips. – cuspiu serrando os olhos com força.

-O QUÊ? – Gritou a garota. – Tu ficaste louco de vez? Isso é crime.

– Desde quando é que te preocupas com isso?

– Desde que as drogas são vendidas para um professor que provavelmente está a vender aos seus próprios alunos! – exclamou exasperada.

– Jay não sejas tão dramática, a situação não é tão má assim!

– Luke estás a ouvir a merda que te está a sair da boca? – perguntou Carter incrédula. – Tu realmente não tens noção da gravidade do assunto pois não? Já paraste para pensar se alguém descobre?

– Ninguém vai descobrir Jay…

– Luke isto não como vender drogas para um grupinho de bandidos dependentes de heroína, isto é sério, muito mais sério!

– Ok! Estas a fazer uma tempestade num copo-d’água. – Luke disse, tentando recuperar a proximidade que antes foi desfeita.

Luke levantou a mão num gesto solene e deslizou a mesma sobre a face da amiga. Um gesto tão pequeno mas que para ele tinha um grande significado e talvez por essa mesma razão Jordan recuou um passo desviando o seu olhar para a porta principal do apartamento.

– Eu tenho que ir.

– Já?

– Sim, já! – falou em tom frio e objetivo, alcançando a bolsa que estava pousada no chão junto da poltrona castanha. – Eu tenho aula daqui a pouco e se me atrasar vou ouvir a Eleanor e o Fitz.

– Fitz?

– Professor de história da arte…

Luke rastejou até á porta e abriu-a, revelando as paredes de um corredor que algum dia teriam sido brancas e agora eram revestidas por um tom cinza velho e sujo. Jordan atravessou o batente da porta e seguiu o seu caminho ao longo do corredor até ao primeiro lance de escadas, antes de descer desviou o seu olhar uma última vez para o amigo que a observava na sua caminhada até à saída. Ambos deram um meio sorriso e Carter foi-se embora.

XXX

Um dia chuvoso e particularmente cinzento marcava o triste ambiente da cidade de Londres naquela manhã de Setembro.

Os carros topo de gama entravam no estacionamento de Ashbourne College. Deles saiam os mais jovens membros da socialite de Londres, alguns esperavam pelo motorista abrir a porta e oferecer o guarda-chuva. Os pobres serviçais mantinham o sorriso cordial e falsamente simpático para aqueles que lhes pagavam o salário no final do mês. Outros um pouco mais individualistas, se é que se pode dizer, estacionavam os seus veículos obscenamente caros no parque ee estacionamento, verificando uma última vez o seu aspeto no retrovisor do carro e saiam do veículo esbanjando superioridade a qualquer um num raio de 50km.

Jordan estava sentada no banco de condutor do seu tão amado Chevy, a fumar o último cigarro do seu maço e observando a rotina sempre tão igual das suas manhãs.

A música baixa tocava no rádio, deixando-a ainda mais compenetrada nos seus pensamentos, a testa estava enrugada, os seus lábios comprimidos numa linha reta, os seus olhos estavam fixos em qualquer ponto e a sua cabeça estava aérea. Aérea a qualquer coisa a seu redor, a qualquer som, a qualquer movimento…

Até as mãos de Eleanor, terem batido no capot do carro, causando um estrondo capaz de parar corações.

– Estás louca? – Jordan gritou ainda com a mão no peito.

– Não Jordan, eu não estou louca. Estou simplesmente frustrada. Só isso!

Jordan desligou o rádio, atirou o cigarro janela fora e saio do carro.

– E posso saber qual é o motivo das tuas frustrações? – questionou- a, esmagando o resto do cigarro contra o alcatrão.

-Como se tu não soubesses. – suou sarcástica.

– Não estou numa de joguinhos Lawrence, a manhã começou há pouco mas a merda já foi muita, por isso tenta ser mais clara porque acho que não estamos em pé de igualdade neste assunto.

– O que foste fazer ao apartamento do Luke esta manhã?

“Ok! Desta eu não estava à espera!” Jordan olhou embasbacada para a amiga. Não sabia se havia de ficar furiosa por a morena estar provavelmente a segui-la ou se deveria se enfiar no buraco para evitar uma discussão que mais cedo ou mais tarde, iria surgir.

A hesitação estava a suprimi-la e ela precisava de dizer alguma coisa.

– Andas a seguir-me? – optou por jogar na defensiva.

– Tecnicamente não, mas esse não é o ponto da situação. – rebateu Eleanor.

– Não é o ponto da situação? Eu não acredito Els, como é que tu tens coragem de fazer uma coisa dessas?

– Oh pelo amor de Deus Carter não dramatizes. Tu sabes que eu tenho os meus motivos para me preocupar e não sou eu quem te segue é o meu motorista o Bennett.

– Isso não te dá o direito de invadir a minha vida. Queria ver como te sentias se eu andasse por aí a espiar aquilo que tu fazes ou deixas de fazer quando não estamos juntas. E pagas ao teu motorista para me seguir? Baixo Lawrence, muito baixo!

– Como se fosses descobrir algo de interessante. – protestou Lawrence irritada com o rumo do assunto. – E eu pago para ele trabalhar, não estou a explorar ninguém.

– Quanto ao Bennett não vou argumento, mas eu relação à tua vida…vejamos.. – Jordan colocou uma mão no queixo e inclinou o olhar para o lado fingindo-se pensativa. – Começa com um “F” e acaba em “itz” e envolve um sério processo e o despedimento de um professor, talvez uma prisão, se considerarmos que tu ainda és menor de idade…

– Jordan cala a merda da boca! – exclamou Eleanor. – Não sei se reparaste, mas estamos no estacionamento da escola e a centenas de pessoas a circular aqui desejosas por adquirir uma informação como essa, por isso, caso não queiras acabar com a minha vida, faz-me um favor e cala a porra da boca…

– Desculpa Els, mas isto só está mesmo em sigilo porque tu és a minha melhor amiga, porque se fosse com outra aluna, eu já tinha queimado a ficha do Fitz há muito tempo. E por falar nele…- Jordan acenou com a cabeça para a entrada principal da secundária.

Eleanor abriu o mais belo dos sorrisos assim que viu o professor atravessar as portas do recinto escolar…

– Tens noção que esse teu sorriso não é dos mais discretos, não tens? – perguntou aborrecida.

– Vou andando. – Eleanor ignorou o comentário seco de Jordan abandonando a amiga. – Mas não te preocupes…- falou virando-se novamente para Jordan. – Esta nossa conversa ainda nem vai a meio.

Jordan suspirou alto e levantou a cabeça para o céu encostando-se ao carro. As gotas miúdas da chuva, começaram a  humedecer-lhe o rosto.

Um perfume atraente e irrefutavelmente agradável pareceu aproximar-se dela. Jordan abriu os olhos e virou-se para a frente.

– Podias continuar a olhar para o céu. Porque eu estava a ter uma pequena visão do paraíso. – sussurrou Van der Wood, exibindo um sorriso sensual, cheio de segundas intenções.

Jordan pensou em rebater a resposta do rapaz, mas não conseguiu fazê-lo. Quando finalmente olhou para o que ele estava a usar, todo o seu raciocínio foi por água abaixo.

Harry estava a usar o uniforme de Ashbourne College. A mesma camisa, a mesma gravata, o mesmo blazer e o mesmo par de calças, tudo igual.

E tudo indicava que Harry Van der Wood, era o novo aluno de Ashbourne College.

1 Comentário

  1. Andriele says

    OMG a Eleanor não tem muito o que fazer quando a Jordan sabe sobre esse relacionamento.
    e Harry *-*
    estou adorando, realmente muito bom e estou muito ansiosa pelo próximo.

Comenta aqui!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s