Lady Rebel
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Lady Rebel – Capítulo 3

 

Uma nostalgia vinda daquele aroma inconfundível a limpo e caro. Jordan encontrava-se sentada numa das muitas mesas circulares que ocupavam o salão principal. A sua visão ia além da mesa onde se encontravam a sua mãe e os Lawrence. Ela observava o ambiente parado e monótono dos inquilinos de Southlake Side.

A palavra perfeita para descrever aquele sempre tão repetitivo cenário que se projetava na sua frente. A decoração do ambiente era clara e luminosa. As paredes forradas com um papel de parede floral azul claro completavam o especto sereno. Uma grande mesa retangular erguia-se ao longo da sala. Nela estendia-se uma toalha branca bordada com detalhes dourados nas pontas e centro, igual às que se encontravam nas mesas circulares. Viam-se centenas de pequenos aperitivos de nomes de difícil pronunciação, castiçais de prata que carregavam velas azuis e exuberantes vasos que transbordavam cravos brancos. Os candelabros de cristal chamavam a atenção de qualquer um e apesar de aquele local já lhe ser tão familiar, ela nunca conseguia deixar de se deslumbrar com a beleza do grande salão.

Uma pequena orquestra composta por um pianista, uma harpista e dois violinistas, contribuíam para o crescente entediar de Carter. Mas ela estava demasiado ocupada no momento. A sua cabeça trabalhava numa tentativa frustrada de desvendar o mistério por trás daqueles olhos verdes.

As suas noites mal dormidas não a deixavam raciocinar com grande coerência mas a sua determinação superava qualquer barreira imposta pela sua mente cansada e ela não conseguia pensar em mais nada senão nele.

 

Ali estava ela, sentada como tantos outros, à espera dos mais novos membros da sociedade milionária de Londres e pela milésima vez naquele pequeno espaço de tempo, desde o seu encontro com o belo desconhecido, ela pensava nele e somente nele.

– Estás a ouvir-me? – Eleanor perguntou.

– Hã?

Els soltou um suspiro pesado baixando a cabeça para ambas as mão que repousavam sobre o colo.

Jay assumiu que a amiga ficou descontente com a sua falta de atenção e colocou uma mão no ombro de Els na esperança de amenizar o seu descuido.

Um sorriso subtil escapou dos lábios de Lawrence e ela voltou a encarar a amiga.

– Eu estava a dizer que os Van der Wood chegaram.

– Ah! – exclamou Jordan. – Onde é que eles estão? – perguntou procurando pelas novas caras.

– Mesmo atrás de nós!

Com a maior destreza, Jordan desenhou o sorriso mais falso que os seus lábios conseguiam sustentar e levantou-se como todos os outros presentes na mesa para cumprimentar os seus novos vizinhos.

 

De repente o sorriso despencou.

Ela não conseguiu acreditar naquilo que se via.

Alucinação.

Uma hipótese possível, no entanto, pouco provável.

A sua insanidade parecia finalmente querer ataca-la. Só podia. Mas ela não estava louca e aquilo não era uma miragem. Era demasiado real para ser uma miragem. O seu coração pulsava a mil e a sua respiração começou a falhar.

Os olhos. Céus aqueles olhos! Aqueles belos olhos verdes que a atormentaram dias e noites seguidas durante aquela semana estavam ali na sua frente, mostrando-se serenos e calmos. Completamente diferentes dos dela que se mostravam confusos e até mesmo, atordoados.

– Grace, Nicholas! Esta é a minha filha Jordan! – falou Camille esboçando um sorriso cortes para os novos inquilinos.

Ao ouvir o seu nome, Jordan acordou, mas ainda assim parecia a leste de todo o cenário. A sua mente estava demasiado baralhada para conseguir formular qualquer palavra.

Tentou sorrir em resposta, sem grande sucesso.

– É muito bonita a sua filha Camille, aliás ambas as jovens Carter e Lawrences são muito bonitas. – sorriu o homem alto de cabelos ligeiramente grisalhos e olhos igualmente verdes.

– Obrigado Sr. Van der Wood! – Respondeu Lea educada.

– De nada querida! A verdade tem que ser dita. – interferiu a bela mulher de longos cabelos castanhos e olhos azuis oceano. – Vocês jovens estão cada vez mais bonitos! Falando em jovens…Este é o nosso filho Harry.

Harry Van der Wood. Era esse o nome do dono daquela beleza invulgarmente perfeita. Daquele belo cabelo, elegantemente bagunçado, daquela pele clara e visivelmente sedosa e daqueles malditos olhos que a atormentaram durante horas.

– Muito prazer, Harry. – a voz grave e rouca, capaz de cortar respirações suou no meio daquele casal sorridente e aparentemente simpático, acordando-a pela segunda vez em menos de um minuto.

A prazerosa perfuração dos tímpanos, a suave tontura e então, a assimilação daquilo que lhe era dirigido.

Harry estendeu a sua mão para cumprimentar primeiramente Eleanor.

– Por favor deixem-se de cordialidades e cumprimentem-se como jovens da vossa idade.

Inclinando-se para cumprimentar Eleanor com um beijo em cada uma das bochechas, Harry manteve a sua postural educada e elegante. De seguida estendeu a mão para o pai da mesma.

A inquietude apoderou-se das mãos de Jordan assim que percebeu que Harry a cumprimentaria dentro de alguns segundos.

Apertou uma mão contra a outra e pôde sentir o suor frio congela-la, fazendo com que Jordan mexesse freneticamente as palmas das mãos. Camille reparou na inquietude de Jordan e estranhando a disposição da filha perguntou-lhe – Jordan sentes-te bem? – colocou uma das suas mãos nas costas da filha.

Jordan que até então não tinha reparado no quão brusco eram os seus movimentos, paralisou um segundo antes de responder afirmativamente com a cabeça.

– Sim!

– Então se me permite… – um pequeno sorriso escapou de um dos cantos da boca de Harry e Jordan pôde reconhecê-lo como um sorriso de diversão. Como se ele se estivesse a se deleitar com toda aquela situação.

“Será que está?”

“Será que ele já sabia de tudo aquilo?”

Muito rapidamente as questões foram varridas da sua mente quando aquele tão inesperado aroma amadeirado lhe invadiu os pulmões contribuindo para a sua falta de equilíbrio. Para completar a já deplorável situação, uns lábios suaves e quentes encostaram – se à sua face e o seu coração disparou. Os poucos segundos de proximidade conseguiram acabar com o resto da sua sanidade e Jordan pensou que naquele momento ia desmaiar. O que realmente lhe pareceu uma surpresa não ter acontecido quando Harry sussurrou-lhe tais palavras – Senti a tua falta. – sibilou discretamente ao seu ouvido.

As quatro palavrinhas fizeram-na engolir a seco e inconscientemente fechar os olhos.

 

XXX

– Mas que Deus era aquele? – Eleanor sem qualquer pudor, perguntou para Jordan.

– Deus? Oh por favor Eleanor! Até parece que não viste melhor…

– Honestamente? Não, acho que não vi, no entanto a personalidade dele estraga qualquer cenário que a minha mente queira fantasiar. Se ele não fosse tão comportadinho eu acho que nós os dois nos iriamos divertir muito.

– Não sabes da missa nem a metade. – comentou Jordan mais para ela própria do que para a amiga.

– Como é que é?

– Nada.

– Nada?

– Merda Eleanor, não é nada.

– Hey Ok! Menina Jordan Irritadinha Carter.

 

XXX

 

Já aproximadamente 1 hora se tinha passado desde a tão inesperada revelação. Jordan fingia estar completamente normal dentro dos seus habituais parâmetros comportamentais e tentava não pensar em Harry a todo o custo. Decidira procurar uma distração e optou por manter um diálogo monossilábico com ambas as irmãs Lawrence. Na realidade a única a dar respostas curtas era Jordan, porque não fazia ideia do que Lea e Eleanor conversavam tão alegremente.

– Jordan não olhes agora, mas tu não vais acreditar em quem acabou de se levantar e está a vir na nossa direção …

Carter suspirou entediada e ignorou o pedido de Eleanor. Virou a cara descaradamente e mais uma vez arrependeu-se. Fechou os olhos assim que retomou a face para as duas irmãs e desejou morrer na mesma hora.

– Porra Jay eu não te disse para não virares a cara?

Jordan nada respondeu. O seu cérebro não conseguia processar fosse o que fosse, virou mais uma vez a cara para constatar que ele estava cada vez mais perto e vendo-se encurralada levantou-se apressada, deixando na mesa dois pares de olhos curiosos que não entenderam o motivo para tal reação.

XXX

Fechou bruscamente a porta e encostou-se na mesma respirando aliviada. Quando olhou para a frente encontrou a sala de convívio.

A era grande e tinha um aspeto majestoso. A iluminação forte oferecida pelos grandes janelões da parede oposta à qual se encontrava, permitiam-lhe ter uma maior perceção da amplitude do espaço. O salão era pouco menor do que aquele onde decorria a festa. As paredes pintadas de bege e dourado com inúmeros detalhes florais, contribuíam para o aspeto neo barroco. O silêncio no espaço surpreendeu-a e após uma revisão rápida verificou que o local estava vazio.

Ela definitivamente necessitava de aliviar todo o stress do momento e nada melhor do que o seu sempre fiel amigo Jack Daniels para ajudá-la na tarefa.

Após abrir uns 10 armários finalmente encontrou uma pequena aquisição onde estavam todas as bebidas alcoólicas. Vários tipos de Whiskeys, Champagnes, vinhos e até mesmo cervejas estavam organizadamente arrumados, o que facilitou a sua busca.

Assim que encontrou a garrafa com o tão característico rótulo preto, Jordan foi procurar um copo, para não correr o risco de ser encontrada a beber da garrafa.

A única coisa que encontrou foram chávenas de chá que se estavam em expositores de vidro no fundo do salão.

Enchendo a chávena até meio, Jordan guardou o resto da bebida no respetivo lugar e depois retomou a sua atenção para o pequeno recipiente branco.

Fechou os olhos e levou a peça em porcelana até aos lábios. O cheiro forte a álcool pareceu acalmá-la momentaneamente e permitindo a passagem da tão esperada bebida pela sua garganta, a garota deixou que o ardor da mesma a acalmasse.

Um ruido agudo, anunciou a entrada de alguém, no entanto Jordan não se assustou, porque ela estava a beber chá, aparentemente.

– Não sei como nunca tive essa ideia antes.

A voz que ela mais ansiava ter ouvido ao longo de toda aquela semana entrou numa velocidade assombrosa pelos seus tímpanos e pela primeira vez, Jordan gostava que aquele som fosse obra da sua mente desequilibrada.

Mas não era. Porque agora, não só a voz quente e rouca capaz de despertar os mais profundos suspiros de uma mulher, mas também todo aquele corpo alto, de ombros largos e pele clara entravam no seu campo de visão. E ela já tivera a prova de que aquilo não era obra dos seus delírios. Ele estava realmente ali.

– Que… Que ideia? – perguntou soando afetada.

O irritante sorriso presunçoso tomou um dos cantos da boca de Harry enquanto este tornava, pela segunda vez no mesmo dia, o restante espaço entre ambos inexistentes.

Sem grandes restrições, o rapaz retirou a chávena de chá das mãos de Carter, mantendo contacto visual com  Jordan para que ela não tivesse qualquer escapatória. Uma atitude insolente e indiscutivelmente sedutora aos olhos da garota. Mas ela não poderia admitir isso, pelo menos não em voz alta. Limitou-se a encostar-se à mesa de bilhar que estava no centro da sala e bufar descontente.

Após um primeiro gole, Harry decidiu acompanhá-la e encostar também o seu corpo próximo do dela.

– Como eu disse.. Não sei realmente como nunca tive esta ideia antes! Whisky e chá em sintonia, quem diria! – Falou baixo sem retirar o subtil sorriso no canto esquerdo do lábio.

– A originalidade é um dos meus muitos dons. – Respondeu Carter sem reconhecer de onde veio a sua repentina coragem.

Sim! Porque se havia coisa que o jovem Van der Wood conseguia fazer com Carter era desarmá-la. Deixá-la completamente à toa, sem rumo ou qualquer tipo de noção de ser e estar.

A surpresa estampada na sua cara foi quase cómica, e Jordan permitiu-se sorrir satisfeita com a reacção que tinha conseguido despertar nele. Um súbito derrame de toda aquela tensão pareceu ter acontecido e Jordan conseguiu finamente encarar o dono dos globos verdes sem mostrar os efeitos que eles lhe produziam.

– Acredito! – Falou devolvendo a chávena a Carter. – Aliás! – Acrescentou enquanto buscava algo no bolso interior do smoking – Estou realmente interessado em conhecer os teus muitos dons Jordan.

E mais uma vez ela ficou atónita em busca de palavras que simplesmente não surgiam. Mas outra coisa pareceu desliga-la dos seus desvaneios momentâneos.

Quando ela percebeu aquilo que Harry havia retirado do bolso ficou boquiaberta e visivelmente surpreendida.

Ele acendeu o cigarro, sem desviar por um segundo que fosse a sua atenção para ela e tragou o mesmo olhando fixamente para um ponto qualquer á sua frente.

– Se continuar a morder o seu lábio inferior Senhorita Carter… – Falou libertando uma pequena quantidade de fumaça no ar. -… não vou responder por mim e vou acabar por morde-lo eu.

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2 Comments

  1. Olga Emília says

    Com só 3 capítulos, posso afirmar que literalmente essa fanfic sera perfeita, mais do que já está sendo !! Sou sua fã Carol, amo todas as suas histórias … Por favor não demore em continuar !! ❤ ❤

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