Lady Rebel – Capítulo 2

 

“Take me I’m alive

(Leve-me, estou viva)

 

Never was a girl with a wicked mind

(Nunca fui uma garota com uma mente perversa)

 

But everything looks better when the sun goes down

(Mas tudo fica melhor quando o sol se põe)

 

I had everything

(Eu tive tudo)

 

Opportunities for eternity

(Oportunidades eternas)

 

And I could belong to the night

(E eu podia pertencer à noite)

 

Your eyes, your eyes

(Seus olhos, seus olhos)

 

I can see in your eyes”

(Posso ver nos seus olhos)

 

Your eyes

(Seus olhos)

 

You Make Me Wanna Die – The Pretty Reckless

 

A típica sensação de ansiedade.

Desde o pequeno desentendimento, de há poucas horas atrás com Camille, Jordan sentia-se estranha, nervosa, confusa. Um misto de emoções que se impregnavam na sua pele de forma subtil e ao mesmo tempo intensa.

Varias hipóteses àquele incómodo estado de espírito, vieram-lhe a cabeça.

A conversa com o Mr. Fitz, que ainda estava entalada na sua garganta, a estranha abordagem de Beth Jones durante a aula de História da Arte, a melhor amiga que procurava uma resposta que Jordan não queria dar e, por mais absurdo que possa parecer, a sensação que o envelope dourado lhe trouxera.

Já era natural ela aborrecer-se sempre que tinha de comparecer a eventos sociais de Southlake Side, mas nunca antes sentira aquela sensação de sufoco, que pela primeira vez, um dos muitos envelopes dourados lhe proporcionou. Como se o conteúdo da pequena carta fosse muito além das palavras lá registadas pela caligrafia requintada que ela não reconhecia.

Jordan pressentia que algo estava equivocado. Algo estava fora de sintonia, irremediavelmente errado.

Olhou para a pequena mesa-de-cabeceira, que na escuridão do seu quarto, não parecia ser pintada de um cinza metalizado, mas sim de um negro obscuro, à procura os ponteiros do relógio.

Suspirou aliviada e levantou-se de sobressalto.

1:20H.

Era hora de sair.

XXX

A noite sempre fora extremamente esclarecedora para Carter, a escuridão parecia tornar tudo mais simples na sua cabeça. Os seus conflitos emocionais pareciam apaziguar-se e resguardar-se do escuro. Então, uma sensação única e prazerosa dominava-a por completo.

A liberdade percorria por todas as suas veias e o seu coração batia exasperado. Era indiscutivelmente, a melhor sensação do mundo.

E a ironia parecia prevalecer. Quando muitos assumiam que a noite representava o perigo e o terror, Carter apreciava a escuridão até às suas últimas réstias, antes do nascer do sol.

Ela fugia da própria sombra. A sombra era o verdadeiro reflexo do seu estado de espírito assim que a manhã chegava.

 

O trânsito de Londres parecia finalmente suportável. Os carros deslocavam-se a uma velocidade considerável e não havia quaisquer paragens durante os percursos nas estradas. Mais uma das vantagens de se viver de noite.

O vento gélido e cortante batia-lhe na face enquanto os seus longos fios de cabelo castanhos dançavam ao sabor do mesmo. A música baixa era calmante e permitiam-lhe divagar no seu subconsciente sem que se apercebesse que o rádio estava ligado. O cigarro quase inexistente era agora atirado para o chão. A porta do carro abriu-se e Jordan saio do veículo.

 

Decidiu deixar o carro longe do bar. Apesar de aquela não ser a zona mais perigosa de Londres, sempre havia gangues de bandidos de meia tigela que tentavam roubar carros e mocinhas indefesas, e mesmo ela não se considerando uma, não pretendia ser estrupada por um velho devasso ou ficar sem o seu carro.

A temperatura baixa obrigou-a a colocar as mãos nos bolsos do casaco e a apertá-lo contra o corpo. Criticou-se mentalmente por não ter trazido uma roupa mais quente, porém agradeceu quando de longe, finalmente começou a avistar o letreiro já tão conhecido a seus olhos.

Naquela distância já era possível ler-se em letras garrafais e néon “17Black”.

Um segurança encontrava-se à porta com uma postura tensa e um ar carrancudo, era um homem de meia-idade com um físico bastante robusto e imponente. O seu cabelo era rapado e ele usava apenas uma t’shirt preta, um par de jeans escuros e sapatilhas a condizer. Através da pouca luz exterior, conseguiu perceber que o homem lhe dirigia um sorriso meigo, até mesmo terno, ao qual ela não teve como não corresponder…

– Vejam só se não é a minha querida Jordan Carter! – jason atencioso como sempre, abandonou a sua postura de segurança cumprimentando-a com um beijo na bochecha.

Ela reconhecia que tinha um grande carinho por ele. A sua aparência não correspondia nem um pouco à sua personalidade, o que a agradava. Numa pequena fisgada de maldade, Jordan deixou-se imaginar o quão interessante seria se sua mãe a visse a cumprimenta-lo, seria épico, sem dúvida.

– Boa noite Jason! – cumprimentou-o a garota afastando o seu rosto do dele após o contacto terno. – Sabes se o Luke já chegou?

– O Luke? Eu não o vi. Mas porquê?

– Ele disse que precisava de mim! – respondeu hesitante.

As sobrancelhas grossas de Jason, tomaram uma forma um quanto engraçada. Mas a sua expressão de engraçada, não tinha nada. Ele estava claramente preocupado. – Jordan tem cuidado com o Luke, ele não é propriamente flor que se cheire!

– Não te preocupes Jason, eu sei cuidar de mim. – respondeu segura.

– Eu sei. Eu sei. – Jason sorriu, descrente, abrindo a porta principal para que e Carter entrasse.

XXX

O cheiro de tabaco e perfume barato logo encontraram os pulmões da garota. A música eletrónica era alta e ruidosa, e salvo o erro, tocava We Found Love da Rihanna.

Jordan percorreu o corredor pouco iluminado, de paredes cobertas por tijolos que davam entrada ao estabelecimento. Passou a mão pela cortina de veludo vermelha, que cumpria a missão de porta e empurrou-a para a direita. Os seus olhos logo foram ofuscados pelas luzes incandescentes que vinham do teto. As paredes do bar eram pintadas de preto e nelas estavam expostos vários posters de alguns artistas dos anos 60 e 70. O cheiro agora não era só de tabaco e perfume de quinta, mas também de suor. A grande quantidade de pessoas ficou visível quando as luzes aleatórias, de mil e um efeitos e mil e uma cores, iluminaram os vultos pouco percetíveis na pista de dança. O bar estava cheio e o ambiente era pesado.

Definitivamente não seria tarefa fácil encontrar Luke, mas com alguma sorte ele estaria no mesmo lugar de sempre.

Com uma certa dificuldade, Jordan passou por entre as várias pessoas que dançavam de forma extasiada à sua volta. O ritmo alucinante das luzes da discoteca confundiam-na, ela nunca se habituaria àquilo. E por saber isso, perguntava-se como era possível mais ninguém parecer incomodado com a incandescência.

Quando finalmente conseguiu arrastar todo o seu corpo para fora daquele globo humano, olhou para a mesa mais escondida do local e bufou frustrada ao confirmar a ausência de Luke, ou de qualquer outro conhecido.

– Sinceramente! – Exclamou alto frustrada.

 

“Under the lights tonight

(Debaixo das luzes desta noite)

 

Turned around, and you stole my heart

(Me virei, e você roubou meu coração)

 

With just one look, when I saw your face

(Com só um olhar, quando eu olhei seu rosto)

 

I fell in love

(Me apaixonei)

 

Take a minute boy,

(Demorou um minuto garoto)

 

To steal my heart tonight”

(Para roubar meu coração esta noite)

 

*Stole  My Heart – One Direction Cover by – Carly Rose Sonenclar

 

Determinada a colocar-se de lá pra fora, Jordan voltou para a pista de dança, mesmo antes de alguém chamar a sua atenção. Do outro lado da pista estava um rapaz. Ele olhava-a fixamente e não parecia minimamente intimidado com a resposta inconsciente do olhar dela.

Uma força desconhecida até então, pereceu prende-la ao chão. Um pequeno aperto no peito, uma pequena pontada de ânsia e os globos verdes a seduziram em questão de segundos.

Como era possível um olhar ser tão cativante, tão ludibriante, tão tentador e ao mesmo tempo tão errado?

  1. Incrível como o som desta palavra despertava todos os seus sentidos, uma autêntica sinfonia aos seus ouvidos.

Uma onda de emoções desconexas e estranhas percorreu as suas veias. As suas batidas cardíacas estavam a ficar afetadas, uma estranha sensação apoderou-se dela e sem recuar um passo que fosse deixou que os olhares se aproximassem.

A proximidade permitiu-a finalmente ter uma inteira perceção do dono daqueles olhos deslumbrantes. Rapidamente confirmou que aquele era sem quaisquer sombras de dúvida, o ser mais bonito que viu em toda a sua vida. A perfeição quase angelical dos seus traços faciais tornava a sua respiração ainda mais descompensada, a sua estrutura perfeitamente esculpida, deixava as suas pernas moles e fracas. Como era possível existir alguém assim tão belo, tão perfeito.

Num rasgo de consciencialização, Jordan percebeu que os seus olhos já estavam a mais do que tempo recomendado a admira-lo e achou melhor dirigi-los para os dele. E mais uma vez aquele olhar ardente invadiu-a de forma indiscutivelmente intensa, penetrante. Era possível afirmar que a intensidade que eles emanavam, tornava-se palpável.

Jordan sentiu-se nua, como nunca antes se tinha sentido. Mas não no sentido literal, ela sentiu-se como se o olhar dele lhe despisse a mente, o coração, a alma.

Sem pedido prévio, um aroma descontroladamente irresistível adentrou nos seus pulmões. O cheiro era suave mas ao mesmo tempo profundo e incrivelmente único. O seu corpo logo respondeu. Encontrava-se completamente anestesiado, completamente rendido àquele que a olhava de forma tão carnal. O perfume amadeirado desnorteou-a, fê-la perder os sentidos.

Ela estava a sonhar.

E sem conseguir implorar por mais, deixou que um toque suave a despertasse. A zona do seu ombro, agora nua pela falta do casaco encontrava-se em contacto com a mão dele que passeava lentamente pelo local. O contacto fê-la formigar e morder o lábio inferior tímida.

Por mais assustadora e única que a situação fosse, Jordan não queria que ela acabasse. Era inexplicável o poder do toque dele, como se todos os toques que alguma vez outro homem lhe tivesse proporcionado, não valessem mais do que meras cocegas.

O seu polegar fazia pequenos desenhos circulares sobre o ombro dela, procurando provocar algum tipo de reação instantânea.

Aos poucos ele fez com que o espaço que os separava, acabasse.

Toda aquela ansiedade de a poucos minutos atrás voltou. Mas desta vez com o quadruplo da intensidade. Jordan estava completamente petrificada, sem qualquer tipo de reação. E como se não fosse possível respirar mais, Carter simplesmente prendeu a respiração quando sentiu um hálito morno se aproximar do seu ouvido antes de falar…- Como te chamas? – sussurrou com uma voz rouca e quente.

O som áspero da sua voz perfurou-lhe os tímpanos prazerosamente, sentindo-se desnorteada, Jordan optou por fechar os olhos por um segundo antes de lhe responder…

Assimilou a simples questão, que naquele momento parecia complexa demais para se decifrar e libertou todo o ar que até então tinha deixado encurralado nos seus pulmões respondendo… – Jordan.

E de repente, tudo ficou escuro.

A música parou e o único som percetível era o das vozes das várias pessoas que gritavam descontentes com o ocorrido.

Jordan começou à procura do telemóvel para que o pequeno aparelho lhe pudesse ajudar com falta de luz. Quando finalmente encontrou o telemóvel, sorrio vitoriosa…

Então, a luz volto.

Ela logo levantou o rosto em encontro de outro…

E para seu completo espanto ele desapareceu

  1. E a única coisa que deixou para trás foi o seu aroma inebriante no ar.

Os olhos da garota viajaram por todo o recinto, mas nada dele.

XXX

Nunca o seu quarto lhe parecera tão confortável como naquela noite. Assim que chegou a casa, despiu-se do seu casaco de couro e a atirou-o para cima do sofá bege da grande sala de estar antes de subir as escadas. Ao chegar ao aposento, libertou-se de todas as suas restantes peças de roupa e deixando-as no chão, dirigiu-se para a sua casa de banho.

Ligou a água fria do chuveiro e entrou na box.

Com os olhos fechados, permitiu que o frio lhe tomasse todo o seu corpo. Colocou ambas as mãos sobre a tijoleira azul da parede e encostou a sua testa na mesma. A água percorria-lhe pelas costas relaxante e dolorosa.

Os seus olhos abriram-se espontaneamente, quase que por vontade própria. Um espasmo de perceção veio-lhe à cabeça.

E então ela percebeu.

Agora tudo fazia sentido. As palavras de Beth Jones encaixaram-se perfeitamente.

Uma mudança.

Se fosse noutro momento, Jordan provavelmente teria rido da frase da colega de carteira. Teria rido ainda mais do pensamento que lhe ocorreu. Mas ela não o fez, porque dentro dela, ela sabia que aquilo, fosse lá o que fosse, era muito real.

XXX

 

4 Dias. 96 Horas. 5760 Minutos. E apenas um pensamento.

Uma irritante e insistente lembrança. Lembrança essa ainda incógnita.

Era ridículo e até mesmo insano, mas ela simplesmente não conseguia desviar a sua atenção para qualquer outra coisa que não fosse o rapaz de olhos verdes.

Admitir que ela ficou mexida depois daquele pequeno encontro com um completo estranho, seria um eufemismo para o seu real estado de espírito.

Jordan não dormia, não comia, não saia de casa, não ouvia nada que lhe fizesse respeito ou fosse dirigido sem que ele lhe viesse à cabeça.

Ele parecia estar presente em todos os segundos do seu dia-a-dia, impregnado como uma pequena parasita e nada parecia conseguir arranca-lo da sua mente.

 

Eram aproximadamente 11.00H e Jordan continuava deitada na cama com o olhar fixo no teto.

Os raios de sol que iluminavam parcialmente o seu quarto, permitiam que as paredes forradas de papel de parede floral suavizassem o ambiente. A atmosfera era leve e suave, uma propositada oposição à personalidade da dona daquele quarto. A falta de paz e conforto na sua vida, tinham-na obrigado a procurar um resguardo.

O quarto era o seu local sagrado. Nunca ninguém entrava lá. As duas únicas duas pessoas com permissão para tal eram Eleanor e, por necessidade e preguiça de Jordan, Emma a empregada.

Ela sabia que já devia estar fora da cama a preparar-se para a receção dos Van der Wood, mas a sua disposição para tal era abaixo de zero. Emma havia entrado duas vezes no quarto dando o aviso de que “a menina”, como ela costumava chamá-la, já deveria estar pronta, mas Jordan não demonstrava qualquer interesse em acatar ao que a empregada lhe dizia.

Então como ultimo recurso, Camille decidiu chamar Eleanor.

“Golpe baixo” de acordo com Jordan, porque todos sabiam que a Eleanor era a única que conseguia dominar a rebelde. Nem que fosse por breves minutos.

E então ela chegou. Sem qualquer cerimónia e disposição para aturar os resmungos de Carter, Els invadiu o seu quarto puxando as cobertas de cima da amiga e colocando Arctic Monkeys no máximo volume, para não permitir que Jordan protestasse…

– Mas que…

– Naham! – gritou Eleanor abrindo a porta que dava entrada ao closet da amiga. – Nem mas, nem meio mas. Quero-te já de pé Jordan Brigitte Carter. E nem ouses em protestar. A tua mãe está a dar em doida contigo e ela não é a única. – Eleanor caminhou até o interior do closet procurando uma roupa decente o suficiente para o evento. – Eu não sei o que se passa contigo, mas tens andado mais fora de orbita do que o que é já habitual. Eu não me esqueci de nada, tu deves-me sérias explicações minha menina. Eu ainda quero saber o que andas a fazer com o Luke.

Jordan ia abrir a sua boca para protestar, mas como já devia estar à espera o discurso de Eleanor estava só a começar…- Nem tentes arranjar desculpas Jay. – Els saiu de dentro do closet para encarar a amiga, que agora estava sentada na cama. – Eu sei quando estás a mentir e eu não quero começar logo de manhã a discutir com a minha melhor amiga. – avisou num tom mais terno e carinhoso caminhando até a borda da cama para tomar a mão de Carter e encará-la com os seus grandes olhos castanhos. – Jay tu sabes que podes confiar em mim.

– Eu sei…

– Então porque é que não me dizes o que se passa?

– Porque eu não sei Eleanor. Eu não sei! – Suspirou derrotada.

Eleanor franziu a testa inclinando a cabeça para um dos lados arrastando-se lentamente para perto de Jordan. Envolveu-a nos braços, encostando a cabeça no pescoço da amiga e apertou-a com força. Ela sabia que Jordan precisava daquele abraço. Independentemente do motivo, ela simplesmente sabia. Alguns longos segundos depois, Eleanor deixou que toda a tensão do momento fosse aliviada quando disse.- Tresandas a tabaco.

Nenhuma delas conseguiu travar os risos após aquele comentário.

– Obrigado pela parte que me toca. – brincou Jordan fingindo-se ofendida.

– O que te vai tocar vai ser a minha mão se tu não saíres neste exato momento da tua cama e entrares dentro de uma banheira para te livrares desse especto horripilante.

– Sempre tão avida esta minha melhor amiga.

– Se eu não fosse assim tu não me amarias…

– Hum….Verdade.

– Vá chega de ladainha! Em pé! Em pé!

– Sim general. – exclamou Carter fazendo continência.

 

 

Nota de Autora –  Para mais um capítulo é necessário um número mínimo de 10 comentários.

One thought on “Lady Rebel – Capítulo 2

  1. Harry, Harry, HARRY
    tô achando que é ele hahah
    eu realmente amei, adoro a forma como escreve e espero que tenha dez comentários aqui rápido, pois necessito de mais.

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