Peça- Chave deste Inverno

 CHAPÉUS e GORROS…

Já não é novidade para ninguém, que estes acessórios de cabeça, fazem diferença em qualquer guarda-roupa e neste Inverno, eles são a aposta acertada, para quem quer entrar nesta estação com o pé direito.

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Chapéu Fedora tipo rodeio

17,99 €  BERSHKA

 

 

 

Capturar

CHAPÉU DE ABAS LARGAS COM PORMENOR DE FITA

19,95 € STRADIVARIUS

 

 

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Gorromalha orelhas

7,95€ ZARA

 

 

 

Lady Rebel – Capítulo 9

Ela estava deitada na cama com um dos braços por baixo da cabeça e o outro pousado no ventre.

Jordan sorria ao recordar a noite passada. Na sua cabeça, aquilo era como um caleidoscópio de memórias coloridas, disformes e ainda um pouco duvidosas, mas era perfeito de certa forma.

Harry tinha-se comportado de uma forma surpreendentemente doce e cavalheira. Não havia dúvida na cabeça da garota, que aquela tinha sido a melhor maneira que ele poderia ter arranjado, para se desculpar.

A cabeça de Carter ainda não tinha dado aquele “clique”. M ela gostava de permanecer naquele estado. Não queria correr o risco de acordar e entender que tudo não passou de um sonho bom.

Ela ainda podia sentir, podia descrever cada uma das sensações como se elas ainda estivessem a fazer efeito no seu corpo.

Harry a havia beijado. Tinha sido apenas um pequeno choque na sua pele. Um choque que a deixou com todas as suas estruturas abaladas.

Duas batidas na porta anunciaram a entrada de Emma, a empregada –  Menina Carter a sua mãe ligou para avisá-la que vai ficar em Nova Iorque mais uma semana.

- Para variar, não é? – perguntou em tom irónico.

- Menina a sua mãe…

- Tem uma vida bastante atarefada. – completou. – Sim, eu já conheço a história Emma.

Emma não opinou mais sobre assunto, sabia melhor do que ninguém, que Carter era implacável quando o assunto era a sua mãe.

Informou Jordan sobre o jantar que tinha deixado dentro do micro-ondas e foi embora.

 

Carter ficou no quarto por pelo menos mais uma hora, revivendo todo aquele baile de trás para a frente.

Havia apenas uma coisa que a perturbava até então.

Jordan ainda não sabia quem era a loira do vestido amarelo e essa era realmente, a mais recente pulga atras da sua orelha. Ninguém a tinha visto, ninguém desconfiava de quem ela era. Como se ela nunca tivesse existido. Como se ela fosse obra da sua imaginação fértil.

XXX

Aquele beijo tinha sido a sua jogada de mestre. Mais uma vez, Harry estava sob o topo da situação. Jordan tinha ficado completamente rendida aos seus encantos e agora nada poderia parar Van der Wood de dar continuação ao seu plano.

 

Harry tinha-lhe mostrado o seu lado romântico, no baile de mascaras e hoje ele ia mostrar o seu lado sedutor, o que ela ainda não tinha visto.

Até ao momento, ele só tinha brincado com o psicológico dela, dando-lhe pequenas amostras daquilo que ele era capaz. Mas esta era a noite. Harry estava farto de esperar pelo momento ideal.

Levantou-se da cama e de avulso e só parou quando chegou ao carro.

Na sua mente, apenas um nome existia.

Jordan Carter.

XXX

Jordan pegou num casaco de cabedal preto e fechou o casaco até esconder o sutiã.

Quando Harry chegou, era já 23.00H. Jordan deu uma última olhada no espelho e sorriu de agrado com o seu visual. Os lábios estavam pintados de vermelho forte, o eyeliner de gatinho estava perfeitamente desenhado e a roupa assentava-lhe que nem uma luva.

 

Harry usava uma t’shirt branca que realçava cada um dos seus traços másculos. Um casaco de cabedal preto e um par de calças justas da mesma cor e Harry estava mais quente do que nunca.

- Vamos?

- Er… Sim. – respondeu um tanto embaraçada.

Ela não achou que desde aquele insignificante beijo, Harry passaria a trata-la como uma princesa, mas o fato de ele não ter feito qualquer menção ao seu aspeto, ou ter iniciado a mais insignificante das conversas, afetou um pouco o seu ego.

XXX

Durante a viajem até ao misterioso bar, do qual Harry fazia questão de não dar qualquer detalhe do seu paradeiro ou nome, Carter observava de canto de olho, cada um dos movimentos do garoto de cabelos bagunçados.

Ele mantinha os globos verdes fixos na estrada e ambas as mãos firmes, coladas sobre o volante, exercendo uma força desnecessariamente exagerada. Ele parecia falsamente calmo, apesar da respiração controlada e do seu estado ser aparentemente, de pura concentração, Harry não estava a agir como de costume, a típica descontração, os comentários dualistas e os olhares mal-intencionados não estavam lá, era como se estivesse a calcular cada um dos seus atos. Parecia que algo o estava a atormentar, algo do qual Carter não tinha conhecimento, mas Jordan não iria perguntar. Ela não tinha o direito de invadir a sua privacidade, pelo menos não tão cedo. Da última vez que o fizera as coisas não correram da melhor forma e ela não gostaria de correr riscos outra vez.

Jordan ainda estava muito além de gostar dele, mas isso não significava que ela não se importasse com os sentimentos de Van der Wood. Mas uma coisa era certa, Carter não podia negar, muito menos esconder que havia uma estranha conexão entre eles. Como se Harry fosse o lado negativo de um íman e ela fosse o lado positivo desse mesmo íman. Mesmo não querendo eles se encaixavam, se completavam. Eles eram os opostos, mas eles se atraiam.

XXX

O bar ficava muito mais longe do que Carter pensava, quando finalmente chegaram, Harry estacionou o seu Land Rover entre uma Harley e um Toyota velho e saiu.

Jordan sem saber bem como agir, fez o mesmo.

A noite estava fria e o ambiente era pesado. Caras mal-encaradas, sorrisos mal-intencionados, conversas baixas e olhares arrepiantes eram lançados por todos os lados. Não foi dicil para Jordan topar, que o“17Black” era como um parque infantil, comparado àquele lugar.

Harry não se mostrava minimamente assustado ou incomodado com a atmosfera tenebrosa que fazia o corpo da garota de cabelos castanhos arrepiar por completo. Ele parecia estar bastante familiarizado com aquele tipo de local e situação, o que inegavelmente surpreendeu Carter.

- Harry. – Jordan pigarreou perto dele. – Qual foi a tua ideia quando decidiste trazer-me aqui?

Os olhos verdes dele logo foram de encontro aos castanhos de Carter e Harry não pôde esconder um sorriso triunfante quando viu que Jordan sentia-se desconfortável naquele lugar.

- Carter pensei que eras um pouco mais durona.

- E sou! – protestou, enrugando a testa.

- Então porque é que estás a agarrar o meu braço como se a tua vida dependesse disso?

- Desculpa. – disse desconcertada, soltando o rapaz.

- Jordan não há o que desculpar. Eu até que gosto desse teu lado mais “donzela indefesa”.

Carter franziu ainda mais a testa, depois do recém apelido, mas não protestou.

Chegando mais perto, conseguiu ler o nome do bar num grande placar em letras garrafais, iluminadas a vermelho, “Highway to Hell”.

“Ironia” pensou ela.

- AC/DC? – perguntou.

- O dono é um fã!

- Conheces?

- Sim. – respondeu seco.

- De onde?

Harry lançou-lhe um olhar repreendedor e Jordan rapidamente entendeu que tocou num assunto proibido.

- Não precisas responder.

- Como se eu o fosse fazer. – soou rude, deixando Jordan confusa.

XXX

- Quem é ela Van der Wood? – o homem por trás do balcão apontou, levantando o queixo, segurando um copo numa mão e um pano na outra enquanto limpava-o.

- Não é da tua conta. – respondeu azedo sem tirar os olhos da garota que dançava propositadamente provocante.

Tudo que ele não precisava agora era alguém a fazer-lhe perguntas sobre Carter, quanto menos soubessem melhor.

Harry deu mais um gole na sua cerveja e respirou fundo.

Ele precisava de manter a calma. O suor escorria pelas suas costas por baixo da t’shirt branca. A falta de arejamento naquele bar contribuía ainda mais para o calor crescente. Harry lutava para manter o controlo e não estragar tudo.

Jordan estava muito mais à vontade agora. Ele sabia que tudo seria uma questão de tempo e de álcool, para que a garota se liberta-se.

Ela mexia-se à sua frente de forma insinuante e sensual. Cada balançar de cintura, cada rodopio exageradamente executado, era sempre com o propósito de captar a sua atenção. Carter olhava-o de 10 em 10 segundos, para se certificar se ele ainda a observava, encostado no balcão do bar.

- A garota está a tentar seduzir-te Hazza! – comentou o barman. – E pelo que vejo…Está a conseguir.

- Eu sei. – sorriu de lado.

Ele já havia chegado onde queria, mais par de horas e o seu problema estaria resolvido de vez.

Pelo menos era isso que Harry pensava, até ao segundo que reparou em quem o olhava de longe.

Liam Hayes estava sentado com um grupo de amigos num canto distante a Harry. Ele segurava uma cerveja na mão e fingia-se interessado no assunto dos outros, mas nunca perdia de vista o garoto de cabelos castanhos e olhos verdes.

“Merda”, pensou Harry para si.

Aquilo tinha acabado com todo o seu esquema. Ele estava perdido.

Tudo que havia planeado acabava de ir por-água-abaixo.

A sua cabeça começou a trabalhar rápido e de forma eficaz.

Sem pensar duas vezes, Harry correu ao encontro de Jordan e segurou-a firme pela cintura. Ele podia ter que adiar os seus planos, mas não ia desperdiçar aquela noite. Tudo era um jogo e não custava nada continuar com aquele bluff por mais algum tempo.

- Que susto Harry! – mostrou-se visivelmente assustada.

-Eu não estou num clima de dançar, então pensei que talvez pudéssemos jogar bilhar? – sugeriu sedutor.

XXX

 

Música maestro: http://www.youtube.com/watch?v=NlXTv5Ondgs

 

Era a sua vez de jogar e ela não perderia a oportunidade de arrancar o sorriso presunçoso de Harry quando a sua última bola entrasse no buraco e a vitória fosse clamada.

Desta vez ela não podia perder. Não quando o seu adversário era Van der Wood. A vitória era necessária, era uma prioridade.

Harry encostou as costas contra a parede mais próxima à mesa de bilhar, indicando a Jordan que ela poderia avançar com a sua jogada. As luzes vermelhas davam àquela sala um ar ainda mais misterioso e sedutor. A temperatura era já alta demais e a tensão pairava sobre aquela atmosfera. Kings of Leon tocavam a médio volume e impedia que o silêncio fosse criado.

Tragando uma última vez o seu cigarro, Harry pousou os olhos em Jordan inclinada sobre a mesa de bilhar. A garota encontrava-se na sua frente, com a mira na bola branca. Nunca antes houvera tanta malicia, nem tanto desejo naqueles globos verdes como naquele momento.

Jordan sabia que Harry a observava de forma carnal, mas não parecia se incomodar, pelo contrário, ela gostava. Gostava da sensação de ser desejada, de ser cobiçada. Harry era como um predador e ela a sua preza, mas não uma preza fácil. Se dependesse dela, aquele jogo duraria até Van der Wood começar a subir paredes e a implorar pelo seu toque.

Quando a necessidade por concentração falou mais alto, a música passou a ser o único som ouvido. Jordan levou toda a sua atenção para a bola vermelha que se encontrava estrategicamente perto da bola branca. Inclinando ainda mais o corpo contra a mesa, Carter focou o seu alvo e então lançou o taco contra a bola, fazendo com que esta atingisse a vermelha e essa entrasse diretamente no local certo.

Um meio sorriso de satisfação surgiu nos seus lábios e ela não esperou nem um segundo, para levantar o olhar e encontrar o de Harry…

- Eu poderia ficar aqui toda a noite ver-te inclinar e estender sobre essa mesa. – Harry disse transportando todas as possíveis segundas intensões nas suas palavras. – Seria um prazer.

O rubor nas suas bochechas foi impossível de evitar, mas logo ela entendeu que aquele comentário fora uma tentativa de a desconcentrar.

“Foco” interiorizou ela como se aquele fosse o seu mais novo mantra.

Harry pegou no giz e usou-o, soprando de seguida o excesso. Lentamente ele circulou a mesa e aproximou-se de Jordan. Nem por um segundo que fosse os seus olhares se desencontraram o que apenas contribuiu para a crescente sede sexual.

Jordan voltou a posicionar-se sobre a mesa de bilhar para dar mais uma tacada, agora na bola azul. Colocando-se propositadamente virada de costas para Harry, ela sorriu triunfante quando ouviu um suspiro alto vindo de trás.

- Eu sei qual é a tua ideia Carter. Já entendi qual é o jogo que tu realmente queres jogar.

Lentamente, Jordan levantou-se e virou-se para Harry. Olhar para ele só confirmou as últimas dúvidas que ainda restavam.

Harry queria-a mais do que qualquer outra coisa naquele momento. Se ela se atrevesse a olhar bem nos seus olhos, ela poderia até mesmo confirmar que aquela situação não era apenas uma questão de querer, mas sim uma necessidade de a tomar, tomá-la como nunca ninguém antes o fez.

O som do taco cair no chão acordou-a para o que ia acontecer de seguida.

Harry atirou o objeto contra o canto da sala e andou a passos rápidos até à garota. A primeira coisa que ela viu, foram aqueles dois olhos ardendo contra os dela, depois uma mão foi posicionada sobre a base da mesa e Carter viu-se obrigada a encostar a cintura contra a superfície.

- Eu não costumo interromper nenhum jogo de bilhar. – sussurrou rouco, encostando os seus lábios à orelha da garota. – Mas momentos desesperantes, pedem atitudes desesperantes.

Ela só se lembra de ter engolido a seco e fechado os olhos. Depois tudo ficou escuro, depois tudo ficou claro e então uma explosão de cores e sensações vieram tomá-la por completo.

Aquele cheiro afrodisíaco e inebriante invadiu os seus pulmões e drogou-a no segundo seguinte. Duas mãos quentes e desesperadas, envolveram a sua cintura apertando-a prazerosamente e levantando-a no ar. Por instinto ela não hesitou em enlaçar as pernas no tronco de Harry e lançar ambos os braços para o pescoço do garoto.

Sentindo-se ser pousada sobre a mesa de bilhar, a garota voltou a abrir os olhos para encontrar mais uma vez os de Van der Wood. E então aconteceu. E não foi como ela pensou que seria. Foi mil vezes melhor.

O choque entre aquelas duas bocas, causou a ambos os corpos descargas de energia elétrica. Se Jordan não desmaiasse com aquilo, nada neste mundo o poderia fazer. A agressividade misturada com a ânsia de se sentirem tão completamente, fazia-a querer ser livre da necessidade de oxigénio.

A exigência que lhe era pedida, juntamente com a entrega que lhe era dada, deixavam-na desconcertada e carecida por mais.

Se alguma vez ela tivera dúvidas de que o céu existia, as suas suspeitas acabavam de ser anuladas. Beijar Harry era como tocar num pedaço de céu.

As línguas lutavam em sincronia, enquanto ambas as mãos percorriam os corpos explorando cada centímetro ainda desconhecido.

Harry pressionava o corpo dela contra a mesa de bilhar e Jordan estremecia de cada vez que ele se insinuava.

A volúpia era muita, o desejo era demais. A necessidade era consumista.

A textura dos lábios de Harry, era quente e macia, uma total antonímia à força que ele entregava àquela ação tão carnal.

Os corações batiam descompensados, as respirações já falhavam e o calor começava a ser insuportável.

Ela sentiu a mão de Harry empurrar o casado dela para trás e não pensou duas vezes em ajudá-lo a executar a ação. Puxando o ziper para baixo, Jordan viu a cara de surpresa e satisfação surgir no rosto do garoto.

A peça de roupa foi atirada, fazendo agora companhia ao taco de bilhar no canto da sala.

Harry não se demorou em recolocar as mãos no corpo quente e suado da garota e Jordan também não perdeu tempo em retribuir o contacto.

- Eu sabia…- falou ele com os lábios colados na boca dela. – Sabia que havia algo interessante por baixo daquele casaco.

Eles voltaram a se beijar agora com maior desejo. O impacto fez com que um pequeno gemido escapasse da garganta do garoto e Jordan atingiu o ápice do seu desejo. Ela soube que naquele momento ele era tudo que ela mais desejava.

Van der Wood prensava-a contra ele de forma viril e sensual e cada vez tornava-se mais difícil manter-se lucida sobre quem era, onde estava e o que estava a fazer.

A sua boca estava roxa e dorida, mas a vontade de continuar era muito maior.

Harry encurralou mais uma vez os seus quadris contra os dela e Jay pôde ter finalmente a perceção do quão excitado ele se encontrava.

O ar em ambos os pulmões era já mais do que necessário. Harry deixou deslizar os seus dentes pelo lábio inferior de Carter e sentiu um sorriso formar-se na boca dela.

Jordan sabia que estava em desvantagem. Por baixo daquela jaqueta ela trazia apenas um sutiã de renda preto e naquele momento ela era a única fisicamente exposta na sala.

- Tira…- ela disse entre respirações pesadas, puxando a t’shirt do garoto para cima.

Ele não pensou antes de obedece-la. Tanto quanto ela, Harry estava fora de si e Jordan não perdeu tempo em depositar as suas mãos na pele nua e tatuada de Van der Wood quando este já não usava a t’shirt.

Os olhos castanhos da garota transbordavam luxuria e ela não conseguia desviar-se do corpo perfeitamente definido à sua frente.

Cada traço físico de Harry, era como uma escultura clássica e cada toque, era como um convite para uma viajem sem volta ao paraíso.

Então ela olhou para uma tatuagem em específico. No lado esquerdo do seu peito ele tinha um nome escrito.

Um nome bonito. Um nome de uma mulher.

“Bella”

Jordan não perguntou, no entanto não conseguiu evitar passar um dedo sobre aquela marca e Harry percebeu.

Bruscamente ele recuou, assustando a garota com a sua falta de sensibilidade e pegou na t’shirt sem encará-la.

- Harry…

- Vamos embora.

Simples e frio. Foi assim que ele soou.

A única vez em que Harry lhe falou assim fora quando Jordan questionou-o sobre quem era a garota na fotografia.

Agora não havia dúvidas. Bella era o nome da garota de olhos azuis.

Lady Rebel – Capítulo 8

O relógio de pulso marcava 22.00H em ponto. Era a terceira vez num espaço de 10 minutos que ela olhava para ele.

A festa já havia começado e Carter ainda não tinha ganho a coragem necessária para entrar no salão nobre.

Ela padecia de três grandes problemas.

O primeiro dos seus problemas tinha nome e sobrenome. Eleanor Lawrence.

Carter não soube como conseguiu encará-la durante todas aquela semana sem que a verdade viesse à tona a cada 5 segundos de conversa. Contudo, Jordan prometera a si mesma que desta noite não passaria, Eleanor era a sua melhor amiga e ela não lhe podia esconder algo tão sério.

O seu segundo problema era mais conhecido como Mr. Fitz.

Ela tinha passado toda a semana a evitar que a proximidade entre ambos fosse provocada em qualquer circunstância. Chegou sempre atrasada à aula e saiu antes de qualquer um dos seus colegas, assim que o toque avisava o fim da sua tortura.

Jordan passou grande parte das suas manhãs em fuga constante.

O seu último dilema e sem duvida, o mais estranho de todos, era Harry Van der Wood.

O medo de se esbarrar com Harry no baile, impedia-a de dar o primeiro passo para o corredor principal do Edifício Hepburn. A última vez que estivera com Harry não fora das mais memoráveis e não sabia como ele iria reagir quando estivessem juntos.

Jordan ainda se recordava perfeitamente da tristeza nos olhos verdes do rapaz. Era impossível esquecer a escuridão que os possuiu e transformou num poço profundo e vazio. O quanto desesperado ele ficou quando ela perguntou quem era a garota da fotografia. Em como ele arrancou o objeto da sua mão, sem pensar na brutalidade do seu ato, sem querer saber se a magoaria ou não. Em como ele olhou nos seus olhos sem expressar o mais escrupuloso dos sentimentos e mandou-a sair. E tudo aquilo foi culpa dela, dela e da sua estúpida necessidade em fazer perguntas que não devia.

O tempo em que esteve longe dele, fora o suficiente para ela entender que a sedução natural de Harry, era uma máscara que ele usava, para esconder o seu lado negro e deprimente. “Mas, por quanto tempo ele iria manter aquela fachada?” “Quando é que a máscara cairia?”

Ela realmente não sabia, mas esperava que não demorasse muito.

XXX

O salão nobre estava elegantemente decorado em tons de branco e dourado. Uma luz púrpura brilhava na pista de dança, tornando todo aquele ambiente ainda mais misterioso. Um majestoso candelabro de cristal enfeitava o teto branco, combinando adequadamente com os caixotões em estilo barroco.

Arcos de volta inteira preenchiam todas as paredes da grande sala, as mesas redondas que poderiam arrecadar até oito pessoas em seu torno, circulavam todo o salão decoradas com exuberantes vazos e velas nos mesmos tons de dourado.

Não levou muito tempo para Jordan reconhecer as irmãs Lawrence no meio da pista de dança. O medo entranhou-se na sua pele assim que os seus olhos caíram sobre Eleanor. Ela usava um vestido lilás e uma máscara branca a condizer. A missão que a arrastava ao encontro de Eleanor tornava-se cada vez mais impossível de realizar, a casa passo que Carter dava em direção à melhor amiga.

- Jordan estás deslumbrante! – elogiou Lea parando a sua dança exuberante.

- Tu também estas muito bem Lawrence!- Jordan devolveu o galanteio sem tirar os olhos de Eleanor. – Els… – chamou-a hesitante. – Podemos falar?

Não foi preciso nem um segundo olhar, para que Eleanor entendesse que por trás da aparente serenidade de Jordan, ela escondia uma expressão alarmante.

Sem responder nada, Eleanor enlaçou a mão com a da amiga e levou-a consigo para longe daquela confusão.

 

Quando Eleanor fechou a porta da casa de banho devolveu a Jordan o mesmo olhar preocupado depois de retirar a máscara.

- Carter eu sei o que se passa. – declarou Els.

- Sabes? – perguntou num misto de surpresa terror.

- Sim, ele falou comigo.

- Ele falou contigo?

- Jay, vocês os dois têm que resolver-se! – Carter achou que nada mais a pudesse surpreender depois desta frase. – Desde o primeiro dia em que vos vi juntos que eu venho reparado na tensão que se cria quando ele se aproxima de ti e…

- Tens reparado na tensão? Mas Eleanor não há nada, não significou nada, foi um erro, aquilo foi só…

- O Van der Wood contou-me o que aconteceu.

“ O quem?”

- O Harry contou-te o que aconteceu?

- Sim, ele contou-me tudo.

- Não escondeu nenhum detalhe. – Jordan repetiu mais para si, sentindo todo o ar dos seus pulmões ser-lhe arrancado no mesmo segundo.

- Ele falou-me do seu descontrole quando tu questionaste-o sobre quem era a mulher na fotografia. E ele me pareceu bastante sincero quando disse que estava muito arrependido em ter-te tratado tão mal e de forma tão bruta. Tu nem vais acreditar Jay, mas o rapaz quase chorou na minha frente.

Carter não sabia o que dizer. Não sabia em que ponto da situação ficar.

Era bastante óbvio que elas não estavam em sintonia de assuntos, mas agora a coragem de Jordan havia-se resumido a uma pequena e insignificante ervilha que tinha acabado ser esmagada, juntamente com o seu orgulho quando percebeu que o seu coração palpitava somente com a ideia de Harry se preocupar com ela. De chorar por causa dela.

Mas isso era estranho. No mínimo. Harry não era do tipo que chorava por causa de uma mulher. Disso ela tinha a certeza.

- Jordan, o Harry está realmente arrependido e eu na minha honesta opinião, acho que tu deverias falar com ele. – avisou-a recolocando a máscara. – Tentar resolver esse problema. Tenho a certeza que ele vai ficar feliz se falares com ele ainda hoje.

Jordan nada respondeu, apenas acenou afirmativamente com a cabeça e deu um meio sorriso fraco para a amiga. Observou Eleanor abandonar a casa de banho e permaneceu ali durante alguns minutos em puro silêncio.

XXX

  1. 00H e Jordan ainda deambulava pelo salão nobre na espectativa de encontrar Harry. Estava farta de esbarrar contra gente colorida e mascarada. Queria achá-lo o mais rápido possível.

Agora mais do que nunca, Jordan queria poder encontrá-lo e pedir desculpas pelo seu ato infantil e intrometido.

Já era a quarta vez que ela percorria a festa de ponta a ponta, e nada.

“Mas quem foi o infeliz que teve a ideia de fazer disto um baile de máscaras?”

Tirou a mascara do rosto e deu mais uma vista d’olhos rápida. Bufou frustrada e baixou o rosto. Ela não o conseguia encontrar, sequer tinha certeza de que ele estava ali.

De repente, alguém puxou-a e quando deu por si, já estava a ser arrastada para trás dos cortinados improvisados.

O seu primeiro instinto foi gritar, mas uma mão forte e pesada, impediu-a de o fazer. Ele usava uma máscara escura, com um terno a condizer, a pouca luz não permitia que Jordan entende-se se a máscara era realmente preta ou não.

Quando o individuo afrouxou o aperto no braço da garota e tirou a mão da sua boca, falou pela primeira vez. – Carter, nós temos que falar!

Aquele tom de voz autoritário e razinza fê-la finalmente perceber quem a havia arrastado para aquele canto.

- Mr. Fitz? – Perguntou perplexa.

- O próprio. – respondeu frio. – Tu sabes porque eu te trouxe até aqui. Eu tentei falar contigo esta semana, mas a única coisa que tu fazias era fugir. Tornaste esta missão bem mais difícil do que eu esperava. – ele parou por um instante. – Carter aquilo que aconteceu foi um erro imensurável.

A forma tão prática que ele usou para avaliar a situação permitiu que ela respondesse segura e tranquila.

- Não poderia concordar mais.

O homem olhou-a com desdém, como se tivesse ficado ofendido, mas não deixou o seu discurso nem a sua ideia de parte.- Ainda bem que estamos de acordo neste assunto. – falou reaproximando-se do cortinado lilás. – Não gostaria realmente de ter que prolongar este equívoco.

- Mais uma vez, eu não poderia concordar mais. – retrocou indo em direção dele. -Alias, eu não quero que a minha amizade com a Eleanor seja afetada por um ato impulsivo e inconsequente.

XXX

A noite sempre a acolhia, sempre lhe era muito convidativa e naquele momento ela precisava mais daquilo, do que de oxigénio.

Os pensamentos voavam como pássaros sem rumo na sua mente. Nada se encaixava, nada lhe parecia certo.

Ela tinha a certeza que aquele encontro com o diabo havia sido um aviso.

O Fitz não queria que Eleanor soubesse de nada. E Jordan concordara em não contar nada.

Sentia-se uma hipócrita. Estava a fazer tudo ao contrário, a agir como não gostava, porém a coragem necessária para enfrentar a Lawrence já não existia e Jordan teria que deixar a ideia de contar a verdade de parte.

 

Carter sentou-se a contemplar o céu estrelado na escadaria do Edifício Hepburn. Tentando manter sã aquela pequena parte do seu cérebro que ainda não tinha sido afetada.

Quando se apercebeu, havia uma garota sentada do seu lado. Ela usava um vestido amarelo, e uma máscara branca. Os seus cabelos loiros estavam presos numa trança perfeitamente desconcertada e os seus olhos castanhos fixavam o céu.

- Eu gosto de observar as estrelas. – começou ela.- Elas contam-me histórias. Algumas tristes, outras nem tanto. – A garota falava sem nunca olhar para Carter. – Algumas engraçadas, outras entediantes. Mas todas as histórias são histórias. Todas têm um início, um meio e um fim. – então ela olhou para a de cabelos castanhos ao seu lado. – A tua história começou agora. E já trouxe demasiada confusão, porém eu vejo que o final que esperas não é o final que vais ter. – Jordan pôde ter a certeza que viu um brilho diferente surgir no fundo daquele olhar quando ela finalizou a sua sentença. – Vocês estão escritos nas estrelas Carter. Independentemente do desfeche, vocês estão escritos nas estrelas.

Lea chamou por Carter e acenou-lhe para que ela voltasse para a festa. Jordan fez-lhe sinal, para que esta esperasse, mas quando se voltru novamente para a loira, ela já não estava lá.

Jordan levantou-se de rompante e olhou para todo o lado, mas nada, ela simplesmente tinha sumido.

XXX

(Música: https://www.youtube.com/watch?v=a9YQPWqTnx4)

A música tocava lenta e suave. As notas dançavam na sua cabeça uma valsa triste e melancólica. Se antes ela estava nostálgica, presa nos seus pensamentos e memórias mais remotas. Agora ela estava esmorecida e desolada. Sentada no canto daquele salão contando o número de flores que havia dentro daquele vaso exageradamente arrojado sob a mesa redonda. Jordan já tinha desistido de encontrar fosse quem fosse.

 

Sentia-se uma fraca, uma incapaz. Sentia-se a pior pessoa do mundo por não ter coragem de contar a verdade a Eleanor e de concordar em manter o sigilo.

Sentia-se confusa com as palavras da desconhecida que parecia saber mais do que ela própria.

Sentia-se desamparada e perdida.

Se autoaversão matasse, Jordan já estaria a sete palmos do chão há muito tempo.

Tudo a seu redor era nada, mas na sua cabeça tudo era tudo.

Nada naquele cenário a chamava. Nada a atraía, até ao momento em que uma mão pousou no seu ombro e um perfume amadeirado penetrou as suas narinas, diretamente para os seus pulmões.

- Seria possível esta bela dama me dar a honra de uma dança?

Mesmo soando duas oitavas a baixo, aquele tom fora o suficiente para acordar todos os sentidos de Jordan e reconhecer imediatamente o dono da voz atrás dela.

Por trás daquela máscara negra, Harry parecia o ser mais sedutor e enigmático que alguma vez Carter vira.

Ele estendeu a mão expectante que a garota a tomasse. E ela assim o fez.

Caminhando de mãos dadas até ao centro da pista de dança, nenhum deles ousou pronunciar alguma palavra com medo de arruinar o momento.

Quando Harry parou e se colocou na frente dela, tomou as mãos da garota e enlaçou-as ao redor do seu pescoço.

Até então nada era dito, nenhum protesto, nenhum impedimento.

De forma delicada, Harry pousou ambas as mãos nas costas dela e aproximou os corpos.

O perfume dele queimava sem arder nos seus pulmões, a calma dele agitava o inconsciente dela.

Invés de desejo, ela sentiu segurança.

O primeiro passo foi dado, seguido de outros, calmos, comedidos, sossegados e puros.

Tudo naquele momento parecia ser puro e natural. Nada parecia forçado, nada parecia perigoso ou errado.

Era apenas Jordan e Harry, sozinhos num salão cheio de gente, a dançar.

Ele embalava-a numa dança mágica e intima. Ela seguia os seus passos, sem medo de se perder na contagem daquela valsa, apenas usufruindo daquele momento inesperado e aguardado durante toda a noite.

Ela pousou a cabeça no peito dele e sentiu. Sentiu um coração. Ele batia forte, mas sereno. Batia em entendimento com o dela. Como se sempre assim tivesse estado e sempre assim iria ficar.

Hesitante, ela arriscou-se a olhá-lo. Jordan viu os olhos verdes, puros e simplesmente verdes.

O garoto desceu lento até aproximar o seu rosto do dela. Ela sentiu a respiração dele bater-lhe contra os lábios, a vacilação nas mãos que começavam a subir devagar até às laterais do seu rosto. Sentiu o seu coração querer saltar da boca quando percebeu o que ia acontecer.

Então ela fechou os olhos e experienciou o toque suave dos lábios de Harry Van der Wood contra a sua bochecha.

#experiência Concerto com os Space Jam

Tal como prometido, vou começar a partilhar alguns momentos da minha vida e nada melhor do que começar em grande, não é mesmo?

Por isso aqui fica, a minha primeira atuação com uma banda de rock  local os “Space Jam”.

Lady Rebel – Capítulo 7

Libertando o seu pescoço do aperto da gravata, Van der Wood percorreu o parque de estacionamento da Ashbourne College em direção ao seu Land Rover preto

Ele estava a suar frio das mãos, enquanto lutava internamente para conter a imensa vontade de entrar na sala de aula e agredir o professor de História da Arte. Mas ele não o podia fazer sem mais nem menos.

E pelo pouco que sabia sobre si mesmo, Harry não nutria qualquer sentimento afetuoso por Carter, era tudo um jogo de sensualidade que ele usava para atingir os seus objetivos, que até ao momento não eram nem um pouco nobres. Contudo ele não conseguia evitar o orgulho ferido, venda-a tão entregue a um outro homem que não ele, sem que o mesmo tivesse feito grande esforço.

- Merda! – resmungou batendo com o punho no capô do carro. – Isto só vai atrapalhar os meus planos.

- A falar sozinho Van der Wood?

A voz era já tão conhecida de outros tempos, não o enganou nem por um segundo.

Soltou um suspiro alto e cerrou os olhos numa tentativa de acalmar o seu temperamento instável, ou pelo menos mante-lo controlado.

- Sparks. – soou seco. – O que fazes aqui? – Harry afastou-se do veículo e olhou para o rapaz de cabelos escuros e olhos azuis.

- Estava só a resolver uns negócios. –  Luke respondeu despreocupado.

- Negócios? – questionou-o cruzando os braços sobre o peito. – E que tipo de negócios um homem como tu tem para resolver aqui na Ashbourne?

- Coisa de peixe grande Van der Wood. – disse com um sorriso confiante.

- Vender drogas a um bando de adolescentes viciados, deve ser algo em grande para uma pessoa como tu, não é Luke – espicaçou em tom sarcástico. – Honestamente Sparks! Ou tu estás mesmo desesperado pelo dinheiro, ou então estás a perder as tuas qualidades.

- Aqui ninguém está a perder qualidades nenhumas! – Luke rebateu, tomando uma posição defensiva. – E tu sabes perfeitamente que o dinheiro é o meu real problema, caso contrário nunca teria convencido a Jordan a ir até ao 17Black durante a semana. E falando nela, tu ainda não me explicaste porque é que me pagaste para eu levar a Jay até lá?

Van der Wood manteve-se cabisbaixo, disperso à pergunta de Luke. O nome da garota reavivava as suas últimas memórias dela. Memórias essas que ele fazia questão de não recordar.

Aquilo era um problema. Um problema dos grandes. Se ele não tomasse rédeas à situação rapidamente, tudo que ele havia planeado iria acabar mesmo antes de começar.

Harry encarou a face curiosa e intrigada de Luke e sorriu em deboche. – Não é da tua conta. –respondeu por fim.

- Tudo que envolve a Jordan é da minha conta! – argumentou zangado. – E aliás… – acrescentou ainda, colocando o dedo indicador em frente da face de Harry. – Se tu estás a pensar em fazer-lhe alguma coisa eu…

- Tu o quê? – Harry levantou a voz. – Ouve bem Sparks. Eu não te quero ver envolvido mais do que já estiveste. Se tu por um acaso tentares seja de que forma for, meter-te nos meus planos, as coisas vão acabar muito mal para o teu lado.

- Então há um plano! – aquilo não foi uma pergunta.

Aquele assunto já estava a prolongar-se mais do que o que devia. De impulso, Harry empurrou Sparks para longe, focando nos intensos olhos azuis de Luke antes de entrar no carro.

Acelerou e saiu da escola com a cabeça cheia e os pensamentos a mil.

XXX

A ampla sala de estar dos Van der Wood era decorada em variados tons de pastel. As janelas que permitiam acesso à varanda, cobriam quase toda a parede a Este do local. Harry sentiu-se aliviado quando chegou a casa.

Aquele era o único local onde ele não tinha que fingir ser alguém que não fosse ele mesmo, onde ele não tinha que vestir a pele de Harry Van der Wood o bom menino.

Em casa, Harry podia ser apenas Harry. O rapaz solitário e incompreendido. O rapaz triste e vazio que ele sempre soube ser, desde à 3 anos atrás.

Entrou no seu quarto com o intuito de passar lá o resto do seu dia para refletir e se possivelmente chegar a alguma solução, mas a tarefa foi adiada assim que ouviu a voz da sua mãe pedindo que ele fosse até à sala de estar.

De contragosto, Harry levantou-se da cama, soltando um resmungo baixo e arrastou-se até ao encontro de Grace. Não se preocupou em vestir uma camisola, que escondesse as várias tatuagens que a sua mãe tanto odiava. Estava em casa e não se ia privar de estar à vontade no seu próprio lar.

Chegando na sala, viu a sua mãe levantar-se e sorrir-lhe, um passo mais á frente, surpreendeu-se com a outra figura que se encontrava do lado da matriarca da família Van der Wood.

Jordan estava ali. No único local onde ele achava que podia se expor sem que ninguém o julgasse.

E ela olhava-o de forma diferente.

Jordan olhava-o compreensiva, como se naquele nano segundo de contacto visual, ela tivesse entendido quem ele realmente era, o que ele realmente queria e do que ele mais precisava.

E invés do ódio que ele costumava sentir, ele sentiu alívio. Alívio por saber que ela já não estava mais com aquele homem, alívio por ver aquele novo olhar meigo vindo dela, alívio por tê-la por perto, mesmo que na maior parte das vezes, ele preferisse que ela estivesse longe.

- Harry! – chamou-o Grace, tirando Harry dos seus desvaneios momentâneos. – Eu chamei a Jordan aqui porque achei que fosses querer conversar com ela. A Jordan pode apresentar-te alguns dos seus amigos e talvez tu possas criar novas amizades, não achas?

Harry olhou para a mãe, sem saber o que responder ao certo. Muita coisa lhe passava na cabeça e nem uma dessas coisas servia de resposta à pergunta de Grace.

- Já que não me dizes nada eu deixo-vos aqui sozinhos. – avisou antes de sair da sala. – Ah! E Jordan! – recuou recebendo logo de seguida a atenção da garota. – Qualquer coisa que precisares é só pedir. Aqui não há quaisquer cerimónias, finge que esta é a tua casa.

- Obrigada.

XXX

 

Harry apresentava calma, até mesmo, uma certa indiferente à presença de Jordan.

Desde que Grace abandonou a sala, ele manteve-se sentado no sofá, desligado de tudo a seu redor. Soube que Jordan também mudou de posição, pois ouviu passos que acusaram os seus movimentos. Ele podia senti-la perto de si. Sabia que Carter estava à espera do momento em que ele desse início ao diálogo.

Mas a plenitude de Van der Wood, era apenas uma fachada. Por dentro ele estava a conter o seu tumulto interior. Harry estava a pisar em terreno desconhecido, e todo o cuidado era pouco. Ele tinha de manter o controlo e fingir que não tinha apanhado Jordan com o Mr. Fitz.

- Eu não sabia que tinhas tatuagens. – comentou baixo.

Foi uma observação interessante, pensou ele. E obviamente inteligente. Iniciar o assunto com algo simples e banal, para evitar os momentos tensos que sempre se instalavam entre eles.

- Porque é que vieste? – contrapôs, tomando controlo da conversa.

- O que se passa contigo Van der Wood? – perguntou, enquanto observava uma estante cheia de fotografias emolduradas.

Harry não gostou nem um pouco daquela pergunta. Foi inesperadamente invasiva e ele não queria dar-lhe satisfações sobre fosse o que fosse. O facto de a pergunta ter-lhe saído tão naturalmente, mostrava que ela havia ficado a estudá-lo durante os minutos de silêncio. E se existia coisa que Harry odiava, era ser observado. Jordan estava a tentar descobri-lo e isso ele não iria permitir. Ela não tinha o direito de saber de nada. Nada que fosse dele lhe dizia respeito. Nada, exceto uma coisa. Mas isso ficaria guardado até ao momento certo.

- Porque é que vieste? – insistiu ele impaciente.

Jordan bufou obviamente aborrecida com a insistência infantil de Harry, mas não se deixou afetar pela óbvia atitude defensiva.

- Eu vim porque a tua mãe me pediu. – falou segurando um porta-retratos nas mãos.

- Imaginei! – murmurou.

Ele sabia que tinha de haver um motivo por trás da vinda de Jordan à casa dos Van der Wood. Não fazia qualquer sentido ela visitá-lo sem mais nem menos.

No entanto, estranhou que ela tenha ido a sua casa, só porque Grace lhe pediu. Talvez estivesse entediada, talvez não tivesse nada para fazer naquela tarde, ou…Ou talvez estivesse na esperança que Harry lhe pudesse fazer esquecer do professor.

“Não! Não é isso”

- Quem é esta? – Jordan virou a fotografia para ele.

Aquela foi a gota d’água. A estabilidade que poderia haver, acabou assim que Harry colocou os seus olhos verdes sobre o porta-retratos que Jordan lhe mostrou.

Era uma memória de um dos seus últimos momentos felizes antes do trágico acidente. Eles passeavam por Londres com sorrisos alegres e sinceros. Sorrisos jovens e esperançosos.

Harry não soube explicar qual a sensação que teve naquele momento, mas a primeira coisa que ele quis fazer foi arrancar aquela moldura das mãos de Carter.

Colocou-se de pé e rapidamente foi ao encontro da garota. Sem se preocupar se a magoava ou não, Harry tirou a fotografia da mão dela e cerrou o punho.

Jordan ficou assustada. – Desculpa Harry eu não queria…

- Cala-te! – gritou. – Sai daqui!

- Mas…

- Merda, sai Jordan! – gritou mais uma vez olhando profundo no azul dos olhos dela. – Já!

O medo falou mais alto e ela preferiu não enfrentar a raiva que Van der Wood exalava naquele momento, então afastou-se do garoto e dirigiu-se para a saída, sem retornar a visão ou a palavra. Porém não conseguiu sair antes de pedir desculpa pela última vez.

A porta bateu e Harry cerrou os olhos apertando com força a moldura na mão. Suspirou pesado e deslocou-se até à estante, pousou o objeto e observou-o. Era estranho o quão vulnerável aquilo ainda o deixava. Ver aquela fotografia fazia-o reviver enumeras memórias onde a felicidade ainda lhe pertencia. Eram tantas as recordações que ele nem sabia como todas elas ainda cabiam no seu coração, na sua memória.

Aquela dor que sempre acabava por vir, explodiu finalmente dentro dele e ele lutou contra aquela vontade ridícula de chorar. Ali estava ela, imortalizada numa imagem linda. O seu sorriso iluminado, os seus traços angelicais e os seus olhos sonhadores e esperançosos por um futuro que nunca chegou. E tudo acabou da forma mais cruel possível. Tudo por causa de um erro estúpido, tudo por causa de motivos fúteis. Mas se dependesse dele, a justiça chegaria, cedo ou tarde, mas ela chegaria.

- Harry?

- Agora não mãe! – avisou ainda virado de costas.

Tudo que ele menos precisava no momento era da sua mãe a tentar acalma-lo e a dizer-lhe que tudo acabaria por ficar bem.

Ele odiava aquele discurso, sempre as mesmas palavras, sempre a mesma alusão ao tempo que passaria e afastaria as tristezas deixando apenas as memórias felizes.

“Mentira desmedida!” Era o que ele pensava sobre aquilo.

- Onde está a Jordan querido?

Não quis parecer simpático depois daquela pergunta, então para evitar confusões abandonou a sala…

- Foi-se embora! – respondeu saindo para o seu quarto. – Como todos os outros.

Quando chegou finalmente ao seu refugiu, Harry sentiu a humidade escorrer-lhe pela face. Ele não chorava há muito tempo e não era agora que ele quereria recuperar esse hábito. Num ato desesperado e aversivo, ele esfregou as mãos violentamente pela cara e tentou manter o pouco de lucidez que ainda achava ter.

Jordan havia sido impertinente. Ela não deveria saber de nada. Ainda era muito cedo.

Tudo parecia estar fora de controlo e Harry tinha acabado de estragar ainda mais a situação com o seu temperamento tempestuoso. Jordan fugiu dele. Ela havia ficado com medo e fugira. Ele agora teria que reparar aquilo, ou tudo que seria em vão. Se ele queria justiça, ele teria que resolver aquele problema o mais rápido possível.

Abriu os olhos e encarou o espelho à sua frente. Viu-se no reflexo e pensou mais uma vez em tudo que lhe aconteceu ao longo daquele dia. Carter e o Mr. Fitz, Luke na Ashbourne, Jordan em sua casa e finalmente, Jordan a questioná-lo sobre ela.

De tudo de mal que lhe poderia ter acontecido, decidira acontecer-lhe o pior. Ele ainda não estava preparado para enfrentar aquele fantasma. Ainda não era a altura certa, mas mesmo assim a sua falta de paciência arruinara aquele pequeno vínculo que começava a criar com Carter e agora ele teria que reconstrui-lo.

Não estranhou aquele olhar depressivo, carregado de dúvidas e incertezas na sua frente. Aquele era Harry Van der Wood.

No reflexo do espelho era ele. Era só ele. Ele e mais ninguém. Ele e a sua sombra, a sua única companheira. Harry estava sozinho na escuridão do seu quarto.

Lady Rebel – Capítulo 6

As portas do elevador cantaram, anunciando a chegada de Carter a casa. Assim que ela pôs os pés fora do elevador pôde ouvir gargalhadas de uma conversa bastante animada na sala de estar.

Num clima pouco propicio a sorrisos falsos e conversas entediantes sobre o que estava in em Paris no momento, Jordan resolveu sorrateiramente escapulir-se para o seu quarto. Mas como era já devia ter previsto, o plano não correu como Carter desejava e quando estava prestes a subir o primeiro lance de degraus, Camille chamou por ela.

- Jordan! Filha vem cumprimentar a Sra. Van der Wood!

Carter fechou os olhos e desejou ter ouvido mal.

Grace Van der Wood usava um vestido bege de corte básico e simples, permitindo que as suas curvas elegantemente conseguidas ficassem percetíveis aos olhos de qualquer um. Um cinto fino e dourado embelezava o vestido que condizia com os sapatos de salto alto da mesma cor. Os seus longos cabelos castanhos, estavam presos num coque perfeito, permitindo uma ampla visão do seu rosto e traços. Ela observava Jordan, com um sorriso sublime e meigo, os seus olhos azul oceano mostravam pura simpatia e meiguice, algo ao qual Carter não estava habituada. E talvez tenha sido esse o motivo pelo qual a garota simpatizou com a mãe do seu mais recente problema, de caras.

- Boa tarde Grace! – sorriu tentando soar o mais educada possível.

Era engraçado a necessidade que ela sentiu em parecer bem perante aquela mulher. Seria muito mais previsível uma atitude despreocupada e desinteressada para com a mãe de Harry, mas ela simplesmente não conseguia por a educação de lado.

Olhando para o seu uniforme escolar, reparou na camisa um pouco amassada e começou a ajeita-la.

- Boa tarde minha jovem. – respondeu sorridente. – Eu e a tua mãe estávamos a aqui a conversar sobre o meu Harry.

- Ah! – exclamou procurando esconder o desconforto no tema de conversa.

- Ele agora está a estudar na Ashbourne tal como tu Jordan. – Camille informou-a desnecessariamente.

- É, eu sei.

- Jordan, eu queria-te pedir um favor querida.

- Um favor? – perguntou franzindo o cenho.

- Sim. – Grace mostrou um sorriso apagado. – O meu Filho Harry não convive muito. Eu falo com ele muitas vezes sobre o seu modo de ser. Ele é demasiado reservado e tímido. Preocupa-me que ele não vá conseguir nenhuma amizade agora que mudou de escola e por isso pensei que…Bom, eu pensei que talvez tu pudesses passar algum tempo a mais com ele.

Aquilo só poderia ser uma brincadeira de mau gosto, de muito mau gosto.

 

A garota sentiu as palavras de negação quererem saltar-lhe garganta, mas não tinha a coragem de o fazer de forma tão direta.

Do pouco que ela conseguiu assimilar do discurso de Grace, apenas sobre coisa ela teve a certeza. Grace Van der Wood não conhecia o filho que tinha.

- Er… Eu… – soltando um suspiro pesado Jordan fechou os olhos com medo das palavras que lhe iriam sair de seguida. – Será um prazer passar tempo com o seu filho Grace.

A única coisa que ela ouviu foram os agradecimentos de uma mãe preocupada e a sua consciência a gritar-lhe “Idiota” em alto e bom som.

 

XXX

Na manhã seguinte, Jordan acordou um autêntico caco. Sair com o Luke não tinha sido uma boa ideia.

Acordou com uma ressaca dolorosa e amnésica, da qual pouco se conseguia recordar. Lembrava-se de ter ido ao 17Black com o rapaz e dos primeiros shots da noite. Depois disso, conseguia ainda recordar-se do beijo que ocorreu entre os dois e das mãos do Sparks, a percorrerem o seu corpo enquanto dançavam de forma sensual.

Não soube como nem quem a levou para casa, sem que a sua mãe desse por ela, mas na sua cabeça havia apenas um nome batia certo

Lucas Sparks. O seu salvador de todas as horas.

Depois de duas chávenas de café e de um banho frio, Jordan foi para a escola. Chegou atrasada à aula do Mr. Fitz e nem se preocupou em justificar o seu atraso. Entrou na sala a meio da aula e foi para o seu lugar, sem nem dirigir uma palavra que fosse ao professor.

E estranhamente, ele também não lhe disse nada, até ao momento, em que ele encontrou uma brecha para começar a discutir.

- Carter onde está o teu livro? – perguntou em tom mediano.

- Em casa!

- Menina Carter, o que é que o teu livro está a fazer em casa?

- A divertir-se mais do que eu, como é evidente.

Mr Fitz ajustou a gravata desconcertado, ao som das gargalhadas de toda a turma. Era evidente a sua raiva contida naquele momento.

Baixou-se para ficar ao nível da aula e sussurrou-lhe de modo a apenas ela ouvir. – Depois da aula falamos. Não penses que eu me esqueci do que aconteceu na última aula.

 

XXX

 

Jordan esperou que todos os seus colegas de turma saíssem tal como lhe foi mandado. Nesse curto espaço de tempo tentou não encarar os olhos castanhos que a observavam estudiosos e procurou fingir prestar atenção nos seus sapatos.

Quando o burburinho acabou e o ranger das cadeiras deixou de ser ouvido, um silêncio constrangedor tomou a sala de aula.

Ele continuava a observá-la e ela continuava a fingir não perceber. Ambos sabiam qual o assunto a ser discutido, mas nenhum parecia querer tomar a iniciativa para começa-lo…

De repente, um suspiro pesado e depois uma voz falou… – Tu sabes porque te mandei ficar. – “Aquilo não foi uma pergunta.”

Jordan olhou-o pela primeira vez, esbanjando desprezo.

- Eu sei. – manifestou-se.

- Sabes quais são as consequências se alguém descobre, não sabes? – “Agora foi uma pergunta. Retórica, mas foi uma pergunta.”

- Sei.

Dando passos longos e lentos, o professor acabou coma distancia que os separava e pousou ambas as mãos na mesa da aluna, inclinando-se para a garota.

- Se sabes porque é que o fizeste? – Gritou.

- Porque eu o odeio. – levantou-se ficando cara a cara com ele. – Odeio o facto de a minha melhor amiga envolver-se com alguém como você. Odeio o facto de você me tratar abaixo de cão. Odeio tudo. Você dá-me nojo.

Jordan percebeu que ultrapassou a linha, quando viu fogo por trás dos olhos do professor.

- Como é que é?

- Você dá-me…

-Cala a boca! – Gritou exasperado.

-Faça-me calar.

A frase que poderia ter um significado tão simples tomou um rumo nada esperado.

O choque entre ambas as bocas foi forte e desesperado. Uma vontade abrupta de corresponder aquele ato tomou-a antes que ela tivesse tempo de pensar e Jordan beijou-o.

Um beijo forte e autoritário. Um beijo dedicado e insano. Talvez fosse ódio reprimido ou qualquer outra coisa. As mãos dele passaram a contornar ambos os lados da silhueta de Carter. Elas subiam e desciam descoordenadas, desesperadas por encontrar um rumo naquele corpo jovem e sensual. Ela ofegava e sentia o seu coração pulsar a mil, o toque dele era frio e enlouquecedor algo totalmente novo e agradável.

A necessidade por oxigénio falou mais alto e a garota precisou de libertar-se daquele beijo ardente, mas não antes de ouvir um gemido de desaprovação por parte do seu professor, que em questão de segundos voltou a depositar os lábios nela seguindo agora um percurso de queixo até ao pescoço, onde lá deixou beijos molhados e luxuriosos.

Um baque de consciencialização, fê-la recordar-se de quem ele era e daquilo que eles estavam a fazer e num movimento rápido e sincronizado ela depositou as mãos sobre o peito dele e empurrou-o.

- Não! – exclamou entre longas puxadas de ar.

Olhando atordoada para tudo quanto era lado, Jordan pegou na sua bolsa e certificou-se que fugia daquela sala de aula o mais rápido possível.

Lady Rebel – Capítulo 5

Para variar o Mr. Fitz mostrou-se intransigente com o atraso de Jordan.

O discurso maçante foi repetido assim que ela colocou os pés dentro da sala de aula, as mesmas frases de todos os dias sob as ameaça de processo disciplinar e a intolerância com alunos desinteressados.

“Mais vale comprar um gravador e colocar em replay cada vez que eu chego!” pensou, dando de costas a um professor e ao seu monólogo entediante.

Ao sentar-se no lugar, Jordan pousou a bolsa na mesa e de lá retirou apenas um caderno.

Olhou de canto de olho e pôde ver Beth, a sua colega de carteira com os olhos colados no livro.

XXX

A aula foi-se arrastando entre suspiros e constantes mudanças de posição na cadeira. Jordan não tinha tocado sequer numa caneta e Beth já estava a acabar de preencher a sua terceira página de apontamentos.

Mas ela não conseguia manter a concentração, não quando tinha plena consciência de que Harry Van der Wood, encontrava-se a pouco mais de 50 metros de distância dela. Na sala de química.

*

- Carter! – chamou-a puxando a garota pelo pulso. – Pra que a pressa?

 Os olhos dele brilhavam desafiadores, sabendo perfeitamente aquilo que eles conseguia fazer com a garota.

- Eu vou chegar atrasada há minha aula. – desculpou-se puxando o braço, mas sem sucesso.

- Pensei que podias disponibilizar uns dez minutinhos para nós. Gostava que tu me mostrasses a escola. – sorriu. – As zonas mais calmas.

- Er…- os olhos de Jordan pareciam meio perdidos, olhando para todos os lados, menos para os globos verdes de Harry. – Talvez mais tarde, eu agora tenho de ir.

 Harry soltou o pulso da garota, mas não a deixou ir embora sem lhe falar… – Eu vou cobrar essa visita guiada Carter.

*

“Merda! Merda! Merda! Muita Merda!”

O relógio marcava 9.00H, faltavam ainda cinquenta minutos para o fim da aula e o Mr. Fitz continuava a falar do Nascimento de Vénus de Botticelli.

- Obrigado Lawrence,  por não lhe dares o que ele queria esta manhã! – murmurou Carter para si.

- Desculpa Jordan, mas não percebi. – Beth sussurrou, por trás da armação dos óculos.

- Não era para perceberes Jones, estava só a pensar no quão emocionante é a minha vida.

- Vocês duas aí! – Mr. Fitz não podia perder a chance de implicar com a Carter – Silêncio.

- Desculpe por interromper a sua aula super empolgante. – respondeu impetuosa.

- Menina Carter se tem algo contra os meus métodos de ensino pode compartilhar a sua opinião comigo e com o resto da turma, seria um prazer poder ouvi-la!

- Tem a certeza que quer ouvir a minha opinião? – perguntou em tom insinuante.

Fitz respondeu com um aceno de mão para que ela prosseguisse.

- Há muita coisa que eu realmente tenho contra si! Não falo apenas da sua particular implicância comigo, mas começo a achar que esse é um método de perseguição bastante usual para o Senhor. – sorriu sarcasticamente. – Eu não caio na sua lábia porque eu não sou como a…

- Cale a boca! – gritou desesperado.

- Porquê professor? Tem medo daquilo que eu posso dizer?

- Cale a boca e saia já! – falou colocando uma das mãos na cintura e apontando com a outra para a porta de saída.

- Sim senhor. – respondeu desafiadora.

Sob o olhar de toda a turma, a garota arrumou o único caderno que tinha na mesa e de forma lenta e provocante desfilou até à saída sem retornar o olhar para quem quer que fosse.

O corredor estava vazio e silencioso. Andando a passo curto e sequenciado Jordan deslocou-se sem rumo pela escola. Quando deu por si, já se encontrava na parte de trás do ginásio.

Com as mãos nervosas e inquietas tentou alcançar um cigarro dentro da bolsa e quando finalmente encontrou o maço percebeu que não tinha nenhum cigarro…

- Porra, decidiu ficar tudo contra mim hoje?

- Nem todos! – Harry estendeu a sua mão em direção a ela e ofereceu-lhe um cigarro. -Tu não tens aulas?

- Tu não tens aulas? – retornou ela a questão, arrancando o cigarro da mãe dele.

- Eu perguntei primeiro…

- E eu de seguida…

- Estamos a jogar Carter?

- Porquê? Queres jogar Van der Wood?

Harry olhou-a de cima a baixo, não escondendo as suas intenções. Mordeu o lábio inferior e aproximou-se um pouco mais de Carter.

- Coloca as cartas na mesa e eu faço o resto acontecer. – Harry falou inebriando a garota com o seu hálito a menta e tabaco batendo contra a face dela. – Tu ainda me deves uma visita guiada, eu gostava de… – pousou a mão na cintura dela, e deslizou a mão até a barra da sua saia. – … conhecer todos os lugares.

Ele era o perigo e a luxuria juntos em perfeita harmonia, e Jordan não sabia como lidar com aquilo.

Foi quando ela sentiu as costas em contacto com a parede do edifício, que percebeu que não tinha qualquer escapatória.

O cigarro estava ainda na boca de Jordan, á espera de ser aceso, e ela viu isso como uma oportunidade de contornar a situação.

- Tens isqueiro?

Harry lançou o seu sorriso sedutor de canto de lábio e acabou com a única possibilidade de escapatória de Jordan, assim que sussurrou ao seu ouvido… – Ao invés de fumar, tu deverias fazer algo mais produtivo com a tua boca!

Ela fechou os olhos, engoliu a seco e só de seguida percebeu que deixou cair o cigarro no chão.

Os segundos de silêncio que se seguiram pareceram os mais longos de toda a sua vida. Mesmo com os olhos fechados ela não conseguia desligar-se daquilo que se passava na sua frente.

O som que costumava ser o motivo das suas expressões descontentes e enfadonhas, foi a a sua salvação daquele clima hostil que se havia instalado entre Carter e Van der Wood…

O primeiro período de aulas tinha acabado e as pessoas começavam a sair das salas de forma dispersa e barulhenta…

- Salva pelo toque! – sussurrou uma última vez antes de colocar a mão no bolso do blazer da garota, entregar-lhe o isqueiro e deixá-la ali sozinha e desconcertada.

Lady Rebel – Capítulo 4

- Como é que é?

Após uma semana a ignorar as chamadas de Lucas Sparks, Jordan decidira finalmente se encontrar-se com o rapaz no apartamento dele.

O espaço era visivelmente velho e mal cuidado, a tinta das paredes lascava e a humidade era mais do que evidente nas extremidades superiores, algumas das tábuas do soalho estavam soltas e ao mais pequeno movimento, era possível ouvir-se o ranger agudo das mesmas.

Eles encontravam-se na sala, o único local da casa, que para além da cozinha possuía mais do que uma peça mobiliaria.

Jordan estava sentada numa poltrona velha e Luke, sentado na mesa de centro à frente dela.

- Jay, eu sinto muito pelo que fiz, mas ocorreu um imprevisto e eu não pude ir até ao 17Black.

- Luke não há desculpa, ok? Tu podias ter avisado. Tu sabes perfeitamente que sempre que vou ter contigo estou a arriscar-me. Se a Eleanor descobre que eu e tu…

- Hey! – exclamou o rapaz levantando o rosto de Jordan ao encontro do seu. – Ela não vai descobrir nada!

- Como podes ter tanta certeza?

- Jay confia em mim. – sussurrou Sparks, apertando com delicadeza o  queixo da garota.

O cheiro fresco e doce misturado com tabaco, distinguia Sparks de muitos outros. Jordan conhecia bem o seu amigo. Bem demais. As vezes em que ultrapassaram a linha da amizade foram poucas, mas foram as suficientes para Jordan entender em que pé eles se encontravam. E por esse mesmo motivo, Jordan queria evitar a qualquer custo todos os momentos nostálgicos em que a proximidade de ambos tornava-se inevitável e estranhamente agradável.

- Ela não pode descobrir. – disse Jordan, fechando os olhos.

- Ela não vai Jay, ela não vai.

O rapaz inclinou um pouco mais o rosto da garota para que ela o encarasse. Ele olhava-a expectante e esperançoso com o rumo da ação. Jordan sabia que era errado, mas não conseguia evitar. Lentamente ela fechou os olhos e sentiu o seu coração querer pular garganta fora. O toque de Sparks era reconfortante. Ela sentia necessidade desse conforto, dessa preocupação, desse carinho. E ele parecia ser o único capaz de oferecer-lhe tanto amor.

Luke deixou que as respirações se aproximassem uma da outra e arriscou passar os seus lábios pelos de Carter.

Jordan inspirou fundo, aceitando o toque do amigo e sentiu, quando a mão dele, foi de encontro com a nuca dela, e puxou-a mais para si. Não era um beijo voluptuoso, de arrancar respirações, mas aquecia a alma e o coração.

Jordan gemeu baixo em protesto, enquanto Luke fingiu não ouvir e aprofundou ainda mais o toque, passando a sua língua para o interior da boca dela. Carter empurrou o garoto e levantou-se de rompante e para a janela no funda da sala.

Luke escondeu a dor da rejeição e levantou-se também, para pegar um cigarro e um isqueiro.

Ela mantinha o olhar distante, fingindo-se interessada em alguma coisa do outro lado da janela. Ele estava de pé, encostado a uma das paredes da sala com um cigarro já aceso, entre os dedos. Jordan virou-se a e encontrou os olhos azuis do seu amigo. Ela viu uma resquia de frustração e descontentamento neles, mas não quis opinar sobre isso.

- Quando tu me ligaste na terça… – começou incerta. – disseste que tinhas algo que me iria interessar. – comentou, tentando acabar com o silencio pós-beijo.

Tragando uma última vez o cigarro, antes de o colocar no cinzeiro, ele pareceu ficar desconfortável na pequena sala de estar. Como se o apartamento fosse demasiado pequeno, o rapaz suspirou em alto e bom som, antes de começar a bater nervosamente com o calcanhar esquerdo sobre o soalho musical. Um tique nervoso que ele possuíra desde sempre.

O silêncio quis-se fazer de convidado e instalar-se no compartimento durante os breves segundos em que Lucas demorou para ganhar a coragem de responder…

-Bom isto…- passou a mão no queixo. – Eu precisei de te convencer a sair, porque eu tinha de te contar uma coisa… – balbuciou – Jay…Por onde é que ei de começar?

- Hum! Não sei Luke, e que tal pelo início?

- Mais vale dizer isto de uma vez!

- Chuta! Sou toda ouvidos.

- Euandoavenderdrogaaotreinadordatuaescola.

- Como é?

O rapaz passou as mãos freneticamente pelos cabelos castanhos deixando que a sua cabeça se mantivesse baixa com o olhar preso nas sapatilhas velhas, para não ter que encarar Carter.

- Eu…Eu ando a vender droga ao treinador Philips. – cuspiu serrando os olhos com força.

-O QUÊ? – Gritou a garota. – Tu ficaste louco de vez? Isso é crime.

- Desde quando é que te preocupas com isso?

- Desde que as drogas são vendidas para um professor que provavelmente está a vender aos seus próprios alunos! – exclamou exasperada.

- Jay não sejas tão dramática, a situação não é tão má assim!

- Luke estás a ouvir a merda que te está a sair da boca? – perguntou Carter incrédula. – Tu realmente não tens noção da gravidade do assunto pois não? Já paraste para pensar se alguém descobre?

- Ninguém vai descobrir Jay…

- Luke isto não como vender drogas para um grupinho de bandidos dependentes de heroína, isto é sério, muito mais sério!

- Ok! Estas a fazer uma tempestade num copo-d’água. – Luke disse, tentando recuperar a proximidade que antes foi desfeita.

Luke levantou a mão num gesto solene e deslizou a mesma sobre a face da amiga. Um gesto tão pequeno mas que para ele tinha um grande significado e talvez por essa mesma razão Jordan recuou um passo desviando o seu olhar para a porta principal do apartamento.

- Eu tenho que ir.

- Já?

- Sim, já! – falou em tom frio e objetivo, alcançando a bolsa que estava pousada no chão junto da poltrona castanha. – Eu tenho aula daqui a pouco e se me atrasar vou ouvir a Eleanor e o Fitz.

- Fitz?

- Professor de história da arte…

Luke rastejou até á porta e abriu-a, revelando as paredes de um corredor que algum dia teriam sido brancas e agora eram revestidas por um tom cinza velho e sujo. Jordan atravessou o batente da porta e seguiu o seu caminho ao longo do corredor até ao primeiro lance de escadas, antes de descer desviou o seu olhar uma última vez para o amigo que a observava na sua caminhada até à saída. Ambos deram um meio sorriso e Carter foi-se embora.

XXX

Um dia chuvoso e particularmente cinzento marcava o triste ambiente da cidade de Londres naquela manhã de Setembro.

Os carros topo de gama entravam no estacionamento de Ashbourne College. Deles saiam os mais jovens membros da socialite de Londres, alguns esperavam pelo motorista abrir a porta e oferecer o guarda-chuva. Os pobres serviçais mantinham o sorriso cordial e falsamente simpático para aqueles que lhes pagavam o salário no final do mês. Outros um pouco mais individualistas, se é que se pode dizer, estacionavam os seus veículos obscenamente caros no parque ee estacionamento, verificando uma última vez o seu aspeto no retrovisor do carro e saiam do veículo esbanjando superioridade a qualquer um num raio de 50km.

Jordan estava sentada no banco de condutor do seu tão amado Chevy, a fumar o último cigarro do seu maço e observando a rotina sempre tão igual das suas manhãs.

A música baixa tocava no rádio, deixando-a ainda mais compenetrada nos seus pensamentos, a testa estava enrugada, os seus lábios comprimidos numa linha reta, os seus olhos estavam fixos em qualquer ponto e a sua cabeça estava aérea. Aérea a qualquer coisa a seu redor, a qualquer som, a qualquer movimento…

Até as mãos de Eleanor, terem batido no capot do carro, causando um estrondo capaz de parar corações.

- Estás louca? – Jordan gritou ainda com a mão no peito.

- Não Jordan, eu não estou louca. Estou simplesmente frustrada. Só isso!

Jordan desligou o rádio, atirou o cigarro janela fora e saio do carro.

- E posso saber qual é o motivo das tuas frustrações? – questionou- a, esmagando o resto do cigarro contra o alcatrão.

-Como se tu não soubesses. – suou sarcástica.

- Não estou numa de joguinhos Lawrence, a manhã começou há pouco mas a merda já foi muita, por isso tenta ser mais clara porque acho que não estamos em pé de igualdade neste assunto.

- O que foste fazer ao apartamento do Luke esta manhã?

“Ok! Desta eu não estava à espera!” Jordan olhou embasbacada para a amiga. Não sabia se havia de ficar furiosa por a morena estar provavelmente a segui-la ou se deveria se enfiar no buraco para evitar uma discussão que mais cedo ou mais tarde, iria surgir.

A hesitação estava a suprimi-la e ela precisava de dizer alguma coisa.

- Andas a seguir-me? – optou por jogar na defensiva.

- Tecnicamente não, mas esse não é o ponto da situação. – rebateu Eleanor.

- Não é o ponto da situação? Eu não acredito Els, como é que tu tens coragem de fazer uma coisa dessas?

- Oh pelo amor de Deus Carter não dramatizes. Tu sabes que eu tenho os meus motivos para me preocupar e não sou eu quem te segue é o meu motorista o Bennett.

- Isso não te dá o direito de invadir a minha vida. Queria ver como te sentias se eu andasse por aí a espiar aquilo que tu fazes ou deixas de fazer quando não estamos juntas. E pagas ao teu motorista para me seguir? Baixo Lawrence, muito baixo!

- Como se fosses descobrir algo de interessante. – protestou Lawrence irritada com o rumo do assunto. – E eu pago para ele trabalhar, não estou a explorar ninguém.

- Quanto ao Bennett não vou argumento, mas eu relação à tua vida…vejamos.. – Jordan colocou uma mão no queixo e inclinou o olhar para o lado fingindo-se pensativa. – Começa com um “F” e acaba em “itz” e envolve um sério processo e o despedimento de um professor, talvez uma prisão, se considerarmos que tu ainda és menor de idade…

- Jordan cala a merda da boca! – exclamou Eleanor. – Não sei se reparaste, mas estamos no estacionamento da escola e a centenas de pessoas a circular aqui desejosas por adquirir uma informação como essa, por isso, caso não queiras acabar com a minha vida, faz-me um favor e cala a porra da boca…

- Desculpa Els, mas isto só está mesmo em sigilo porque tu és a minha melhor amiga, porque se fosse com outra aluna, eu já tinha queimado a ficha do Fitz há muito tempo. E por falar nele…- Jordan acenou com a cabeça para a entrada principal da secundária.

Eleanor abriu o mais belo dos sorrisos assim que viu o professor atravessar as portas do recinto escolar…

- Tens noção que esse teu sorriso não é dos mais discretos, não tens? – perguntou aborrecida.

- Vou andando. – Eleanor ignorou o comentário seco de Jordan abandonando a amiga. – Mas não te preocupes…- falou virando-se novamente para Jordan. – Esta nossa conversa ainda nem vai a meio.

Jordan suspirou alto e levantou a cabeça para o céu encostando-se ao carro. As gotas miúdas da chuva, começaram a  humedecer-lhe o rosto.

Um perfume atraente e irrefutavelmente agradável pareceu aproximar-se dela. Jordan abriu os olhos e virou-se para a frente.

- Podias continuar a olhar para o céu. Porque eu estava a ter uma pequena visão do paraíso. – sussurrou Van der Wood, exibindo um sorriso sensual, cheio de segundas intenções.

Jordan pensou em rebater a resposta do rapaz, mas não conseguiu fazê-lo. Quando finalmente olhou para o que ele estava a usar, todo o seu raciocínio foi por água abaixo.

Harry estava a usar o uniforme de Ashbourne College. A mesma camisa, a mesma gravata, o mesmo blazer e o mesmo par de calças, tudo igual.

E tudo indicava que Harry Van der Wood, era o novo aluno de Ashbourne College.

Lady Rebel – Capítulo 3

 

Uma nostalgia vinda daquele aroma inconfundível a limpo e caro. Jordan encontrava-se sentada numa das muitas mesas circulares que ocupavam o salão principal. A sua visão ia além da mesa onde se encontravam a sua mãe e os Lawrence. Ela observava o ambiente parado e monótono dos inquilinos de Southlake Side.

A palavra perfeita para descrever aquele sempre tão repetitivo cenário que se projetava na sua frente. A decoração do ambiente era clara e luminosa. As paredes forradas com um papel de parede floral azul claro completavam o especto sereno. Uma grande mesa retangular erguia-se ao longo da sala. Nela estendia-se uma toalha branca bordada com detalhes dourados nas pontas e centro, igual às que se encontravam nas mesas circulares. Viam-se centenas de pequenos aperitivos de nomes de difícil pronunciação, castiçais de prata que carregavam velas azuis e exuberantes vasos que transbordavam cravos brancos. Os candelabros de cristal chamavam a atenção de qualquer um e apesar de aquele local já lhe ser tão familiar, ela nunca conseguia deixar de se deslumbrar com a beleza do grande salão.

Uma pequena orquestra composta por um pianista, uma harpista e dois violinistas, contribuíam para o crescente entediar de Carter. Mas ela estava demasiado ocupada no momento. A sua cabeça trabalhava numa tentativa frustrada de desvendar o mistério por trás daqueles olhos verdes.

As suas noites mal dormidas não a deixavam raciocinar com grande coerência mas a sua determinação superava qualquer barreira imposta pela sua mente cansada e ela não conseguia pensar em mais nada senão nele.

 

Ali estava ela, sentada como tantos outros, à espera dos mais novos membros da sociedade milionária de Londres e pela milésima vez naquele pequeno espaço de tempo, desde o seu encontro com o belo desconhecido, ela pensava nele e somente nele.

- Estás a ouvir-me? – Eleanor perguntou.

- Hã?

Els soltou um suspiro pesado baixando a cabeça para ambas as mão que repousavam sobre o colo.

Jay assumiu que a amiga ficou descontente com a sua falta de atenção e colocou uma mão no ombro de Els na esperança de amenizar o seu descuido.

Um sorriso subtil escapou dos lábios de Lawrence e ela voltou a encarar a amiga.

- Eu estava a dizer que os Van der Wood chegaram.

- Ah! – exclamou Jordan. – Onde é que eles estão? – perguntou procurando pelas novas caras.

- Mesmo atrás de nós!

Com a maior destreza, Jordan desenhou o sorriso mais falso que os seus lábios conseguiam sustentar e levantou-se como todos os outros presentes na mesa para cumprimentar os seus novos vizinhos.

 

De repente o sorriso despencou.

Ela não conseguiu acreditar naquilo que se via.

Alucinação.

Uma hipótese possível, no entanto, pouco provável.

A sua insanidade parecia finalmente querer ataca-la. Só podia. Mas ela não estava louca e aquilo não era uma miragem. Era demasiado real para ser uma miragem. O seu coração pulsava a mil e a sua respiração começou a falhar.

Os olhos. Céus aqueles olhos! Aqueles belos olhos verdes que a atormentaram dias e noites seguidas durante aquela semana estavam ali na sua frente, mostrando-se serenos e calmos. Completamente diferentes dos dela que se mostravam confusos e até mesmo, atordoados.

- Grace, Nicholas! Esta é a minha filha Jordan! – falou Camille esboçando um sorriso cortes para os novos inquilinos.

Ao ouvir o seu nome, Jordan acordou, mas ainda assim parecia a leste de todo o cenário. A sua mente estava demasiado baralhada para conseguir formular qualquer palavra.

Tentou sorrir em resposta, sem grande sucesso.

- É muito bonita a sua filha Camille, aliás ambas as jovens Carter e Lawrences são muito bonitas. – sorriu o homem alto de cabelos ligeiramente grisalhos e olhos igualmente verdes.

- Obrigado Sr. Van der Wood! – Respondeu Lea educada.

- De nada querida! A verdade tem que ser dita. – interferiu a bela mulher de longos cabelos castanhos e olhos azuis oceano. – Vocês jovens estão cada vez mais bonitos! Falando em jovens…Este é o nosso filho Harry.

Harry Van der Wood. Era esse o nome do dono daquela beleza invulgarmente perfeita. Daquele belo cabelo, elegantemente bagunçado, daquela pele clara e visivelmente sedosa e daqueles malditos olhos que a atormentaram durante horas.

- Muito prazer, Harry. – a voz grave e rouca, capaz de cortar respirações suou no meio daquele casal sorridente e aparentemente simpático, acordando-a pela segunda vez em menos de um minuto.

A prazerosa perfuração dos tímpanos, a suave tontura e então, a assimilação daquilo que lhe era dirigido.

Harry estendeu a sua mão para cumprimentar primeiramente Eleanor.

- Por favor deixem-se de cordialidades e cumprimentem-se como jovens da vossa idade.

Inclinando-se para cumprimentar Eleanor com um beijo em cada uma das bochechas, Harry manteve a sua postural educada e elegante. De seguida estendeu a mão para o pai da mesma.

A inquietude apoderou-se das mãos de Jordan assim que percebeu que Harry a cumprimentaria dentro de alguns segundos.

Apertou uma mão contra a outra e pôde sentir o suor frio congela-la, fazendo com que Jordan mexesse freneticamente as palmas das mãos. Camille reparou na inquietude de Jordan e estranhando a disposição da filha perguntou-lhe – Jordan sentes-te bem? – colocou uma das suas mãos nas costas da filha.

Jordan que até então não tinha reparado no quão brusco eram os seus movimentos, paralisou um segundo antes de responder afirmativamente com a cabeça.

- Sim!

- Então se me permite… – um pequeno sorriso escapou de um dos cantos da boca de Harry e Jordan pôde reconhecê-lo como um sorriso de diversão. Como se ele se estivesse a se deleitar com toda aquela situação.

“Será que está?”

“Será que ele já sabia de tudo aquilo?”

Muito rapidamente as questões foram varridas da sua mente quando aquele tão inesperado aroma amadeirado lhe invadiu os pulmões contribuindo para a sua falta de equilíbrio. Para completar a já deplorável situação, uns lábios suaves e quentes encostaram – se à sua face e o seu coração disparou. Os poucos segundos de proximidade conseguiram acabar com o resto da sua sanidade e Jordan pensou que naquele momento ia desmaiar. O que realmente lhe pareceu uma surpresa não ter acontecido quando Harry sussurrou-lhe tais palavras – Senti a tua falta. – sibilou discretamente ao seu ouvido.

As quatro palavrinhas fizeram-na engolir a seco e inconscientemente fechar os olhos.

 

XXX

- Mas que Deus era aquele? – Eleanor sem qualquer pudor, perguntou para Jordan.

- Deus? Oh por favor Eleanor! Até parece que não viste melhor…

- Honestamente? Não, acho que não vi, no entanto a personalidade dele estraga qualquer cenário que a minha mente queira fantasiar. Se ele não fosse tão comportadinho eu acho que nós os dois nos iriamos divertir muito.

- Não sabes da missa nem a metade. – comentou Jordan mais para ela própria do que para a amiga.

- Como é que é?

- Nada.

- Nada?

- Merda Eleanor, não é nada.

- Hey Ok! Menina Jordan Irritadinha Carter.

 

XXX

 

Já aproximadamente 1 hora se tinha passado desde a tão inesperada revelação. Jordan fingia estar completamente normal dentro dos seus habituais parâmetros comportamentais e tentava não pensar em Harry a todo o custo. Decidira procurar uma distração e optou por manter um diálogo monossilábico com ambas as irmãs Lawrence. Na realidade a única a dar respostas curtas era Jordan, porque não fazia ideia do que Lea e Eleanor conversavam tão alegremente.

- Jordan não olhes agora, mas tu não vais acreditar em quem acabou de se levantar e está a vir na nossa direção …

Carter suspirou entediada e ignorou o pedido de Eleanor. Virou a cara descaradamente e mais uma vez arrependeu-se. Fechou os olhos assim que retomou a face para as duas irmãs e desejou morrer na mesma hora.

- Porra Jay eu não te disse para não virares a cara?

Jordan nada respondeu. O seu cérebro não conseguia processar fosse o que fosse, virou mais uma vez a cara para constatar que ele estava cada vez mais perto e vendo-se encurralada levantou-se apressada, deixando na mesa dois pares de olhos curiosos que não entenderam o motivo para tal reação.

XXX

Fechou bruscamente a porta e encostou-se na mesma respirando aliviada. Quando olhou para a frente encontrou a sala de convívio.

A era grande e tinha um aspeto majestoso. A iluminação forte oferecida pelos grandes janelões da parede oposta à qual se encontrava, permitiam-lhe ter uma maior perceção da amplitude do espaço. O salão era pouco menor do que aquele onde decorria a festa. As paredes pintadas de bege e dourado com inúmeros detalhes florais, contribuíam para o aspeto neo barroco. O silêncio no espaço surpreendeu-a e após uma revisão rápida verificou que o local estava vazio.

Ela definitivamente necessitava de aliviar todo o stress do momento e nada melhor do que o seu sempre fiel amigo Jack Daniels para ajudá-la na tarefa.

Após abrir uns 10 armários finalmente encontrou uma pequena aquisição onde estavam todas as bebidas alcoólicas. Vários tipos de Whiskeys, Champagnes, vinhos e até mesmo cervejas estavam organizadamente arrumados, o que facilitou a sua busca.

Assim que encontrou a garrafa com o tão característico rótulo preto, Jordan foi procurar um copo, para não correr o risco de ser encontrada a beber da garrafa.

A única coisa que encontrou foram chávenas de chá que se estavam em expositores de vidro no fundo do salão.

Enchendo a chávena até meio, Jordan guardou o resto da bebida no respetivo lugar e depois retomou a sua atenção para o pequeno recipiente branco.

Fechou os olhos e levou a peça em porcelana até aos lábios. O cheiro forte a álcool pareceu acalmá-la momentaneamente e permitindo a passagem da tão esperada bebida pela sua garganta, a garota deixou que o ardor da mesma a acalmasse.

Um ruido agudo, anunciou a entrada de alguém, no entanto Jordan não se assustou, porque ela estava a beber chá, aparentemente.

- Não sei como nunca tive essa ideia antes.

A voz que ela mais ansiava ter ouvido ao longo de toda aquela semana entrou numa velocidade assombrosa pelos seus tímpanos e pela primeira vez, Jordan gostava que aquele som fosse obra da sua mente desequilibrada.

Mas não era. Porque agora, não só a voz quente e rouca capaz de despertar os mais profundos suspiros de uma mulher, mas também todo aquele corpo alto, de ombros largos e pele clara entravam no seu campo de visão. E ela já tivera a prova de que aquilo não era obra dos seus delírios. Ele estava realmente ali.

- Que… Que ideia? – perguntou soando afetada.

O irritante sorriso presunçoso tomou um dos cantos da boca de Harry enquanto este tornava, pela segunda vez no mesmo dia, o restante espaço entre ambos inexistentes.

Sem grandes restrições, o rapaz retirou a chávena de chá das mãos de Carter, mantendo contacto visual com  Jordan para que ela não tivesse qualquer escapatória. Uma atitude insolente e indiscutivelmente sedutora aos olhos da garota. Mas ela não poderia admitir isso, pelo menos não em voz alta. Limitou-se a encostar-se à mesa de bilhar que estava no centro da sala e bufar descontente.

Após um primeiro gole, Harry decidiu acompanhá-la e encostar também o seu corpo próximo do dela.

- Como eu disse.. Não sei realmente como nunca tive esta ideia antes! Whisky e chá em sintonia, quem diria! – Falou baixo sem retirar o subtil sorriso no canto esquerdo do lábio.

- A originalidade é um dos meus muitos dons. – Respondeu Carter sem reconhecer de onde veio a sua repentina coragem.

Sim! Porque se havia coisa que o jovem Van der Wood conseguia fazer com Carter era desarmá-la. Deixá-la completamente à toa, sem rumo ou qualquer tipo de noção de ser e estar.

A surpresa estampada na sua cara foi quase cómica, e Jordan permitiu-se sorrir satisfeita com a reacção que tinha conseguido despertar nele. Um súbito derrame de toda aquela tensão pareceu ter acontecido e Jordan conseguiu finamente encarar o dono dos globos verdes sem mostrar os efeitos que eles lhe produziam.

- Acredito! – Falou devolvendo a chávena a Carter. – Aliás! – Acrescentou enquanto buscava algo no bolso interior do smoking – Estou realmente interessado em conhecer os teus muitos dons Jordan.

E mais uma vez ela ficou atónita em busca de palavras que simplesmente não surgiam. Mas outra coisa pareceu desliga-la dos seus desvaneios momentâneos.

Quando ela percebeu aquilo que Harry havia retirado do bolso ficou boquiaberta e visivelmente surpreendida.

Ele acendeu o cigarro, sem desviar por um segundo que fosse a sua atenção para ela e tragou o mesmo olhando fixamente para um ponto qualquer á sua frente.

- Se continuar a morder o seu lábio inferior Senhorita Carter… – Falou libertando uma pequena quantidade de fumaça no ar. -… não vou responder por mim e vou acabar por morde-lo eu.

Lady Rebel – Capítulo 2

 

“Take me I’m alive

(Leve-me, estou viva)

 

Never was a girl with a wicked mind

(Nunca fui uma garota com uma mente perversa)

 

But everything looks better when the sun goes down

(Mas tudo fica melhor quando o sol se põe)

 

I had everything

(Eu tive tudo)

 

Opportunities for eternity

(Oportunidades eternas)

 

And I could belong to the night

(E eu podia pertencer à noite)

 

Your eyes, your eyes

(Seus olhos, seus olhos)

 

I can see in your eyes”

(Posso ver nos seus olhos)

 

Your eyes

(Seus olhos)

 

You Make Me Wanna Die – The Pretty Reckless

 

A típica sensação de ansiedade.

Desde o pequeno desentendimento, de há poucas horas atrás com Camille, Jordan sentia-se estranha, nervosa, confusa. Um misto de emoções que se impregnavam na sua pele de forma subtil e ao mesmo tempo intensa.

Varias hipóteses àquele incómodo estado de espírito, vieram-lhe a cabeça.

A conversa com o Mr. Fitz, que ainda estava entalada na sua garganta, a estranha abordagem de Beth Jones durante a aula de História da Arte, a melhor amiga que procurava uma resposta que Jordan não queria dar e, por mais absurdo que possa parecer, a sensação que o envelope dourado lhe trouxera.

Já era natural ela aborrecer-se sempre que tinha de comparecer a eventos sociais de Southlake Side, mas nunca antes sentira aquela sensação de sufoco, que pela primeira vez, um dos muitos envelopes dourados lhe proporcionou. Como se o conteúdo da pequena carta fosse muito além das palavras lá registadas pela caligrafia requintada que ela não reconhecia.

Jordan pressentia que algo estava equivocado. Algo estava fora de sintonia, irremediavelmente errado.

Olhou para a pequena mesa-de-cabeceira, que na escuridão do seu quarto, não parecia ser pintada de um cinza metalizado, mas sim de um negro obscuro, à procura os ponteiros do relógio.

Suspirou aliviada e levantou-se de sobressalto.

1:20H.

Era hora de sair.

XXX

A noite sempre fora extremamente esclarecedora para Carter, a escuridão parecia tornar tudo mais simples na sua cabeça. Os seus conflitos emocionais pareciam apaziguar-se e resguardar-se do escuro. Então, uma sensação única e prazerosa dominava-a por completo.

A liberdade percorria por todas as suas veias e o seu coração batia exasperado. Era indiscutivelmente, a melhor sensação do mundo.

E a ironia parecia prevalecer. Quando muitos assumiam que a noite representava o perigo e o terror, Carter apreciava a escuridão até às suas últimas réstias, antes do nascer do sol.

Ela fugia da própria sombra. A sombra era o verdadeiro reflexo do seu estado de espírito assim que a manhã chegava.

 

O trânsito de Londres parecia finalmente suportável. Os carros deslocavam-se a uma velocidade considerável e não havia quaisquer paragens durante os percursos nas estradas. Mais uma das vantagens de se viver de noite.

O vento gélido e cortante batia-lhe na face enquanto os seus longos fios de cabelo castanhos dançavam ao sabor do mesmo. A música baixa era calmante e permitiam-lhe divagar no seu subconsciente sem que se apercebesse que o rádio estava ligado. O cigarro quase inexistente era agora atirado para o chão. A porta do carro abriu-se e Jordan saio do veículo.

 

Decidiu deixar o carro longe do bar. Apesar de aquela não ser a zona mais perigosa de Londres, sempre havia gangues de bandidos de meia tigela que tentavam roubar carros e mocinhas indefesas, e mesmo ela não se considerando uma, não pretendia ser estrupada por um velho devasso ou ficar sem o seu carro.

A temperatura baixa obrigou-a a colocar as mãos nos bolsos do casaco e a apertá-lo contra o corpo. Criticou-se mentalmente por não ter trazido uma roupa mais quente, porém agradeceu quando de longe, finalmente começou a avistar o letreiro já tão conhecido a seus olhos.

Naquela distância já era possível ler-se em letras garrafais e néon “17Black”.

Um segurança encontrava-se à porta com uma postura tensa e um ar carrancudo, era um homem de meia-idade com um físico bastante robusto e imponente. O seu cabelo era rapado e ele usava apenas uma t’shirt preta, um par de jeans escuros e sapatilhas a condizer. Através da pouca luz exterior, conseguiu perceber que o homem lhe dirigia um sorriso meigo, até mesmo terno, ao qual ela não teve como não corresponder…

- Vejam só se não é a minha querida Jordan Carter! – jason atencioso como sempre, abandonou a sua postura de segurança cumprimentando-a com um beijo na bochecha.

Ela reconhecia que tinha um grande carinho por ele. A sua aparência não correspondia nem um pouco à sua personalidade, o que a agradava. Numa pequena fisgada de maldade, Jordan deixou-se imaginar o quão interessante seria se sua mãe a visse a cumprimenta-lo, seria épico, sem dúvida.

- Boa noite Jason! – cumprimentou-o a garota afastando o seu rosto do dele após o contacto terno. – Sabes se o Luke já chegou?

- O Luke? Eu não o vi. Mas porquê?

- Ele disse que precisava de mim! – respondeu hesitante.

As sobrancelhas grossas de Jason, tomaram uma forma um quanto engraçada. Mas a sua expressão de engraçada, não tinha nada. Ele estava claramente preocupado. – Jordan tem cuidado com o Luke, ele não é propriamente flor que se cheire!

- Não te preocupes Jason, eu sei cuidar de mim. – respondeu segura.

- Eu sei. Eu sei. – Jason sorriu, descrente, abrindo a porta principal para que e Carter entrasse.

XXX

O cheiro de tabaco e perfume barato logo encontraram os pulmões da garota. A música eletrónica era alta e ruidosa, e salvo o erro, tocava We Found Love da Rihanna.

Jordan percorreu o corredor pouco iluminado, de paredes cobertas por tijolos que davam entrada ao estabelecimento. Passou a mão pela cortina de veludo vermelha, que cumpria a missão de porta e empurrou-a para a direita. Os seus olhos logo foram ofuscados pelas luzes incandescentes que vinham do teto. As paredes do bar eram pintadas de preto e nelas estavam expostos vários posters de alguns artistas dos anos 60 e 70. O cheiro agora não era só de tabaco e perfume de quinta, mas também de suor. A grande quantidade de pessoas ficou visível quando as luzes aleatórias, de mil e um efeitos e mil e uma cores, iluminaram os vultos pouco percetíveis na pista de dança. O bar estava cheio e o ambiente era pesado.

Definitivamente não seria tarefa fácil encontrar Luke, mas com alguma sorte ele estaria no mesmo lugar de sempre.

Com uma certa dificuldade, Jordan passou por entre as várias pessoas que dançavam de forma extasiada à sua volta. O ritmo alucinante das luzes da discoteca confundiam-na, ela nunca se habituaria àquilo. E por saber isso, perguntava-se como era possível mais ninguém parecer incomodado com a incandescência.

Quando finalmente conseguiu arrastar todo o seu corpo para fora daquele globo humano, olhou para a mesa mais escondida do local e bufou frustrada ao confirmar a ausência de Luke, ou de qualquer outro conhecido.

- Sinceramente! – Exclamou alto frustrada.

 

“Under the lights tonight

(Debaixo das luzes desta noite)

 

Turned around, and you stole my heart

(Me virei, e você roubou meu coração)

 

With just one look, when I saw your face

(Com só um olhar, quando eu olhei seu rosto)

 

I fell in love

(Me apaixonei)

 

Take a minute boy,

(Demorou um minuto garoto)

 

To steal my heart tonight”

(Para roubar meu coração esta noite)

 

*Stole  My Heart – One Direction Cover by – Carly Rose Sonenclar

 

Determinada a colocar-se de lá pra fora, Jordan voltou para a pista de dança, mesmo antes de alguém chamar a sua atenção. Do outro lado da pista estava um rapaz. Ele olhava-a fixamente e não parecia minimamente intimidado com a resposta inconsciente do olhar dela.

Uma força desconhecida até então, pereceu prende-la ao chão. Um pequeno aperto no peito, uma pequena pontada de ânsia e os globos verdes a seduziram em questão de segundos.

Como era possível um olhar ser tão cativante, tão ludibriante, tão tentador e ao mesmo tempo tão errado?

  1. Incrível como o som desta palavra despertava todos os seus sentidos, uma autêntica sinfonia aos seus ouvidos.

Uma onda de emoções desconexas e estranhas percorreu as suas veias. As suas batidas cardíacas estavam a ficar afetadas, uma estranha sensação apoderou-se dela e sem recuar um passo que fosse deixou que os olhares se aproximassem.

A proximidade permitiu-a finalmente ter uma inteira perceção do dono daqueles olhos deslumbrantes. Rapidamente confirmou que aquele era sem quaisquer sombras de dúvida, o ser mais bonito que viu em toda a sua vida. A perfeição quase angelical dos seus traços faciais tornava a sua respiração ainda mais descompensada, a sua estrutura perfeitamente esculpida, deixava as suas pernas moles e fracas. Como era possível existir alguém assim tão belo, tão perfeito.

Num rasgo de consciencialização, Jordan percebeu que os seus olhos já estavam a mais do que tempo recomendado a admira-lo e achou melhor dirigi-los para os dele. E mais uma vez aquele olhar ardente invadiu-a de forma indiscutivelmente intensa, penetrante. Era possível afirmar que a intensidade que eles emanavam, tornava-se palpável.

Jordan sentiu-se nua, como nunca antes se tinha sentido. Mas não no sentido literal, ela sentiu-se como se o olhar dele lhe despisse a mente, o coração, a alma.

Sem pedido prévio, um aroma descontroladamente irresistível adentrou nos seus pulmões. O cheiro era suave mas ao mesmo tempo profundo e incrivelmente único. O seu corpo logo respondeu. Encontrava-se completamente anestesiado, completamente rendido àquele que a olhava de forma tão carnal. O perfume amadeirado desnorteou-a, fê-la perder os sentidos.

Ela estava a sonhar.

E sem conseguir implorar por mais, deixou que um toque suave a despertasse. A zona do seu ombro, agora nua pela falta do casaco encontrava-se em contacto com a mão dele que passeava lentamente pelo local. O contacto fê-la formigar e morder o lábio inferior tímida.

Por mais assustadora e única que a situação fosse, Jordan não queria que ela acabasse. Era inexplicável o poder do toque dele, como se todos os toques que alguma vez outro homem lhe tivesse proporcionado, não valessem mais do que meras cocegas.

O seu polegar fazia pequenos desenhos circulares sobre o ombro dela, procurando provocar algum tipo de reação instantânea.

Aos poucos ele fez com que o espaço que os separava, acabasse.

Toda aquela ansiedade de a poucos minutos atrás voltou. Mas desta vez com o quadruplo da intensidade. Jordan estava completamente petrificada, sem qualquer tipo de reação. E como se não fosse possível respirar mais, Carter simplesmente prendeu a respiração quando sentiu um hálito morno se aproximar do seu ouvido antes de falar…- Como te chamas? – sussurrou com uma voz rouca e quente.

O som áspero da sua voz perfurou-lhe os tímpanos prazerosamente, sentindo-se desnorteada, Jordan optou por fechar os olhos por um segundo antes de lhe responder…

Assimilou a simples questão, que naquele momento parecia complexa demais para se decifrar e libertou todo o ar que até então tinha deixado encurralado nos seus pulmões respondendo… – Jordan.

E de repente, tudo ficou escuro.

A música parou e o único som percetível era o das vozes das várias pessoas que gritavam descontentes com o ocorrido.

Jordan começou à procura do telemóvel para que o pequeno aparelho lhe pudesse ajudar com falta de luz. Quando finalmente encontrou o telemóvel, sorrio vitoriosa…

Então, a luz volto.

Ela logo levantou o rosto em encontro de outro…

E para seu completo espanto ele desapareceu

  1. E a única coisa que deixou para trás foi o seu aroma inebriante no ar.

Os olhos da garota viajaram por todo o recinto, mas nada dele.

XXX

Nunca o seu quarto lhe parecera tão confortável como naquela noite. Assim que chegou a casa, despiu-se do seu casaco de couro e a atirou-o para cima do sofá bege da grande sala de estar antes de subir as escadas. Ao chegar ao aposento, libertou-se de todas as suas restantes peças de roupa e deixando-as no chão, dirigiu-se para a sua casa de banho.

Ligou a água fria do chuveiro e entrou na box.

Com os olhos fechados, permitiu que o frio lhe tomasse todo o seu corpo. Colocou ambas as mãos sobre a tijoleira azul da parede e encostou a sua testa na mesma. A água percorria-lhe pelas costas relaxante e dolorosa.

Os seus olhos abriram-se espontaneamente, quase que por vontade própria. Um espasmo de perceção veio-lhe à cabeça.

E então ela percebeu.

Agora tudo fazia sentido. As palavras de Beth Jones encaixaram-se perfeitamente.

Uma mudança.

Se fosse noutro momento, Jordan provavelmente teria rido da frase da colega de carteira. Teria rido ainda mais do pensamento que lhe ocorreu. Mas ela não o fez, porque dentro dela, ela sabia que aquilo, fosse lá o que fosse, era muito real.

XXX

 

4 Dias. 96 Horas. 5760 Minutos. E apenas um pensamento.

Uma irritante e insistente lembrança. Lembrança essa ainda incógnita.

Era ridículo e até mesmo insano, mas ela simplesmente não conseguia desviar a sua atenção para qualquer outra coisa que não fosse o rapaz de olhos verdes.

Admitir que ela ficou mexida depois daquele pequeno encontro com um completo estranho, seria um eufemismo para o seu real estado de espírito.

Jordan não dormia, não comia, não saia de casa, não ouvia nada que lhe fizesse respeito ou fosse dirigido sem que ele lhe viesse à cabeça.

Ele parecia estar presente em todos os segundos do seu dia-a-dia, impregnado como uma pequena parasita e nada parecia conseguir arranca-lo da sua mente.

 

Eram aproximadamente 11.00H e Jordan continuava deitada na cama com o olhar fixo no teto.

Os raios de sol que iluminavam parcialmente o seu quarto, permitiam que as paredes forradas de papel de parede floral suavizassem o ambiente. A atmosfera era leve e suave, uma propositada oposição à personalidade da dona daquele quarto. A falta de paz e conforto na sua vida, tinham-na obrigado a procurar um resguardo.

O quarto era o seu local sagrado. Nunca ninguém entrava lá. As duas únicas duas pessoas com permissão para tal eram Eleanor e, por necessidade e preguiça de Jordan, Emma a empregada.

Ela sabia que já devia estar fora da cama a preparar-se para a receção dos Van der Wood, mas a sua disposição para tal era abaixo de zero. Emma havia entrado duas vezes no quarto dando o aviso de que “a menina”, como ela costumava chamá-la, já deveria estar pronta, mas Jordan não demonstrava qualquer interesse em acatar ao que a empregada lhe dizia.

Então como ultimo recurso, Camille decidiu chamar Eleanor.

“Golpe baixo” de acordo com Jordan, porque todos sabiam que a Eleanor era a única que conseguia dominar a rebelde. Nem que fosse por breves minutos.

E então ela chegou. Sem qualquer cerimónia e disposição para aturar os resmungos de Carter, Els invadiu o seu quarto puxando as cobertas de cima da amiga e colocando Arctic Monkeys no máximo volume, para não permitir que Jordan protestasse…

- Mas que…

- Naham! – gritou Eleanor abrindo a porta que dava entrada ao closet da amiga. – Nem mas, nem meio mas. Quero-te já de pé Jordan Brigitte Carter. E nem ouses em protestar. A tua mãe está a dar em doida contigo e ela não é a única. – Eleanor caminhou até o interior do closet procurando uma roupa decente o suficiente para o evento. – Eu não sei o que se passa contigo, mas tens andado mais fora de orbita do que o que é já habitual. Eu não me esqueci de nada, tu deves-me sérias explicações minha menina. Eu ainda quero saber o que andas a fazer com o Luke.

Jordan ia abrir a sua boca para protestar, mas como já devia estar à espera o discurso de Eleanor estava só a começar…- Nem tentes arranjar desculpas Jay. – Els saiu de dentro do closet para encarar a amiga, que agora estava sentada na cama. – Eu sei quando estás a mentir e eu não quero começar logo de manhã a discutir com a minha melhor amiga. – avisou num tom mais terno e carinhoso caminhando até a borda da cama para tomar a mão de Carter e encará-la com os seus grandes olhos castanhos. – Jay tu sabes que podes confiar em mim.

- Eu sei…

- Então porque é que não me dizes o que se passa?

- Porque eu não sei Eleanor. Eu não sei! – Suspirou derrotada.

Eleanor franziu a testa inclinando a cabeça para um dos lados arrastando-se lentamente para perto de Jordan. Envolveu-a nos braços, encostando a cabeça no pescoço da amiga e apertou-a com força. Ela sabia que Jordan precisava daquele abraço. Independentemente do motivo, ela simplesmente sabia. Alguns longos segundos depois, Eleanor deixou que toda a tensão do momento fosse aliviada quando disse.- Tresandas a tabaco.

Nenhuma delas conseguiu travar os risos após aquele comentário.

- Obrigado pela parte que me toca. – brincou Jordan fingindo-se ofendida.

- O que te vai tocar vai ser a minha mão se tu não saíres neste exato momento da tua cama e entrares dentro de uma banheira para te livrares desse especto horripilante.

- Sempre tão avida esta minha melhor amiga.

- Se eu não fosse assim tu não me amarias…

- Hum….Verdade.

- Vá chega de ladainha! Em pé! Em pé!

- Sim general. – exclamou Carter fazendo continência.

 

 

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