DIY – Faça você mesma – Decoração simples!

CapturarSempre que posso, gosto de perder algum tempo à procura de vídeos de DIY Youtube.

Para além de ser uma excelente forma de diversificar, mudar e poupar dinheiro, é também uma optima forma de passar o tempo.

E hoje, durante a minha pesquisa, encontrei um video super interessante de decoração, de uma Vlogger que eu ainda não conhecia Aspyn Ovard. Ela no video conta que mudou de casa e que durante 4 dias esteve a preparar o seu quarto, para que depois pudesse mostrá-lo e explicar como fez a sua decoração.

O video é curto e acessível para quem não entender muito de inglês, as ideias são económicas e criativas, espero que gostem, tanto quanto eu gostei!

 

 

Cabelos Coloridos *-*

Quem não sonha em ter de vez em quando?

Se há algo que eu simplesmente acho lindo, é cabelo colorido.

Já pensei várias vezes em pintar, mas a verdade é que o receio sempre falou mais alto… no entanto, inspiração é o que não me falta neste post.

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Lady Rebel – Capítulo 19

- Harry! – surpreendeu-o quando o abraçou desesperada. – Céus eu pensei que fosse outra pessoa!

- Deu para perceber. – abraçou-a. – Mas o que é que estás aqui a fazer? Como é que encontraste este lugar?

Carter manteve o rosto acolhido no pescoço de Van der Wood, receosa da reação dele. – Eu…- gaguejou. – Eu segui-te.

O rosto de Harry logo assumiu um ar zangado.

- Eu segui-te, porque preciso muito falar contigo. Eu fui até a tua casa, mas quando cheguei lá, tu já estavas a sair, não vi outra opção a não ser seguir-te, e bom…vim parar a este sítio. – gesticulou com os braços.

O olhar duvidoso de Harry tentava encontrar mentira nas palavras dela. – Eu sei que tu ouviste alguma coisa lá dentro. – declarou mudando o rumo da conversa.

- Eu? Eu não ouvi nada, estava à tua procura quando ouvi vozes, imaginei que fosses tu, por isso fui a encontro de onde vinha o barulho.

- Tu não mentes bem Carter. Eu sei que tu ouviste alguma coisa.

Jordan entendeu que não ia conseguir fazê-lo mudar o rumo da discussão e como não queria ficar a perder, optou por colocar as cartas na mesa. – Quem é o Tuker?

- Eu sabia. – lançou um sorriso perspicaz. – Ele é um cliente meu, que tem dado problemas ultimamente.

- Cliente? Cliente do quê? – perguntou claramente confusa.

- É uma longa história. – respondeu desmanchando o sorriso.

- Eu tenho tempo Harry.

- Mas eu não Jordan. – falou ríspido.

Harry levantou a cabeça para o edifico, com medo de encarar Jordan e fraquejar.

- Tu não vais mesmo contar?

- Tu queres desiludir-te? Porque se é isso que andas à procura, acho que vais encontrar, assim que te der a resposta que não queres ouvir. – admitiu de forma bruta.

- Fala! – Insistiu.

- Eu tenho uma espécie de negócio. – baixou o rosto.

- Até aí eu já cheguei sozinha.

- Eu importo drogas e vendo. – continuou ainda sem encará-la. – Quer dizer, os meus capangas vendem, eu administro.

O olhar da rapariga variou entre a fúria e a desilusão. Ela não esperava aquilo. Não do Harry. Não havia motivos para ele fazer aquilo. Para ele se arriscar tanto por algo que ele não necessitava.

- Eu sabia que ias ficar assim, por isso é que eu não queria falar nada.

Ela não conseguia-se pronunciar, não depois daquela descoberta tão inesperada. Era demasiado para assimilar de uma só vez.

- Eu conheço o Luke desde a altura da morte da minha irmã. Nós já fomos amigos, um dia. – revelou. – Se é para contar a verdade, é melhor falar tudo de uma vez.

A ruga de dúvida estava plantada na testa de Jordan, enquanto ela olhava-o indecifrável, deixando Harry ainda mais nervoso. – Como é que vocês se conheceram?

- Numa noite, depois de discutir com o meu pai, um grupo de bandidinhos de quinta decidiu assaltar-me. Eram cinco contra um, eu estava claramente em desvantagem. Eles arrastaram-me para o beco e começaram a bater-me e do nada o Sparks apareceu e ajudou-me.

Jordan tentava ouvir as coisas sem que o seu emocional a dominasse e só ela sabia o quão difícil estava a ser manter o controlo.

- Foi ele que me colocou pela primeira vez em contacto com o mundo da droga. Quando dei por mim eu já traficava em parceria com ele e no dia em que o dinheiro começou a ser necessário, eu entrei com ele, investi e formamos uma sociedade. Mas as coisas cresceram depressa demais, o Luke ficou com medo da evolução tão rápida e simplesmente abandonou-me.

As palavras entravam como um código de difícil interpretação. Toda aquela história parecia real e irreal ao mesmo tempo.

- Mas isto não faz sentido! – disse Jordan baralhada. -Quer dizer, tu és milionário, para que é que precisas de vender droga?

- Isto começou por ser uma brincadeira de miúdos, uma maneira de afrontar os meus pais. – coçou a nuca nervoso. – A verdade é que depois de um ano, eu criei gosto em ter o meu próprio dinheiro.

- Mas é dinheiro sujo. – protestou.

- Carter, todo o dinheiro deste mundo é sujo. Todo ele.

Era um contra argumento descabido e Harry sabia disso perfeitamente.

- Eu sou uma idiota mesmo, acreditar que as coisas poderiam ficar finalmente melhores. – riu irónica.

- Elas podem. Nada do que eu faço afeta aquilo que nós temos!

- Não afeta? – subiu dois tons. -Um dos motivos das minhas discussões com o Luke envolvem drogas.

- Hey Carter! Eu não sou o Sparks, eu sou mais esperto, eu não deixo marca em lugar nenhum, eu trabalho atrás da secretária, não sou eu quem trafica.

- É a mesma coisa. – manteve o tom duro e áspero. – A única diferença é que tu tens a quem pagar para fazer esses trabalhinhos sujos e o Luke não.

Sem olhar para ele, virou costas e pegou na chave do carro, abriu a porta e entrou. Antes que pudesse dar partida, Harry abriu a porta e empurrou-a para o banco de passageiro, colocando-se por cima dela. Sem aviso prévio Harry colou a sua boca à de Carter de forma fervorosa e eloquente.

O gosto dele queimou no seu paladar. Jordan tentou-se debater, empurrando o peito do rapaz, mas ela sabia que aquela era uma batalha perdida.

Cada empurrão irritado, dava mais apetite a Harry para beijá-la. A energia que ele aplicava naquele toque fazia com que Jordan sentisse queimar dentro de si. Era satisfação e ânsia combinadas com voracidade e desejo ardente.

O inebriar daquele perfume amadeirado deixou-a rendida e Carter desistiu de lutar. Correu com uma das mãos até à nuca de Harry e segurando o seu cabelo, juntou o rosto dele ao seu.

Era incrível como todo o ódio desaparecia, quando ela sentia o seu toque. Como se o seu corpo implorasse desesperadamente pelo dele e não houvesse forma possível de saciar aquele vício.

As mãos hábeis de Harry ladearam a cintura dela e num movimento rápido e eficaz colocou Jordan de frente para ele, sentando-a no seu colo.

Começou por aplicar beijos molhados ao longo do pescoço dela, causando-lhe arrepios satisfatórios. Jordan inclinava a cabeça para trás deixando que Harry trabalhasse com a boca ao longo do seu corpo. Ela mantinha os olhos entreabertos, impossibilitada de conseguir manter concentração em qualquer outra coisa. A mão de Jordan desceu procurando o fundo da camisola de Harry. Quando a sua mão fria entrou em contacto com o abdómen do rapaz, Jordan sentiu a contração muscular, despertando ainda mais a sua necessidade de tocá-lo. Com unhas compridas e perigosas, Carter cravou as suas garras, arranhando-o de forma prazerosa.

- Não faças isso. – implorou com a boca sobre a pele de Carter. – Eu sou homem Jay, eu tenho os meus limites.

Jordan sorriu vitoriosa, mas não deixou de repetir vezes e vezes sem conta a mesma ação.

- Eu quero ver até onde tu resistes! – sussurrou próxima do ouvido dele, mordendo de seguida o lóbulo da orelha. – Até onde tu aguentas.

Harry deixou um gemido desesperado sair pela garganta.

Viajando com as mãos para baixo, Van der Wood encontrou a barra da camisola dela e puxou-a sem permissão, arrancando a peça de roupa de forma violenta.

Pousou uma mão sobre o peito de Jordan e apertou-o, fazendo com que um gemido involuntário saísse da boca dela. Os olhos verdes de Harry pareciam mergulhados em luxuria, perdidos, contemplando aquele corpo feminino que era tão seu. Harry repetiu o movimento, recebendo o mesmo som em resposta.

O rosto de Jordan estava contorcido de prazer e ela conseguia sentir a excitação de Van der Wood por baixo das calças.

Harry puxou as alças da lingerie de Jordan, expondo os seios nus dela.

Os segundos que se seguiram pareceram demasiado longos para ambos, nunca antes tinham estado em completa intimidade um com o outro.

Harry olhou-a com medo de fazer algo errado, mas Jordan apenas sorriu-lhe, incentivando-o a prosseguir.

Segurando um dos seios com a mão, Harry aproximou a sua face do outro e hesitante plantou um beijo molhado nele.

A respiração aflita de Jordan fê-lo parar logo.

- Não, por favor. – implorou baixo, recolocando o rosto de Harry perto do peito dela.

Com menos receio, Harry voltou a beijá-la, mas desta vez, Jordan não pareceu estranhar ou sentiu-se incomodada com o toque. Fechando os olhos, Carter deixou que Van der Wood a beijasse onde nunca antes ninguém tinha tocado nela. Era um despertar de sensações novas, mas demasiado boas para serem esquecidas. Involuntariamente Jordan sentiu-se a arquear as costas e o som agudo da buzina do carro, interrompeu o momento, acabando com o clima quente em dois segundos.

Ambos começaram a gargalhar constrangidos com a queda da temperatura. Quando o clima de risos acabou, Harry aproximou-se do tronco nu da rapariga e abraçou-a terno.

***

- Hazza para de me chamar assim! – protestou.

- Assim como? – perguntou ele desafiando. – Beija-flor?

- Sim. Isso!

- Ah Jay! Beija-flor é um apelido carinhoso.

- Eu não gosto Harry!

-Eles significam a beleza e a delicadeza.- alou convicto. – Um dia desses eu ainda tatuo um beija-flor!

Carter olhou incrédula para ele, temendo que ele realmente estivesse a dizer a verdade.- Harry uma tatuagem é algo permanente. É para a vida.

- É! Eu sei disso e é exatamente por isso que eu quero fazer. Eu quero que seja permanente, tanto a tatuagem, quanto nós os dois.

Os olhos dela brilharam apaixonados. Mais uma vez Van der Wood estava a expor o que sentia em relação a Jordan. Era bom ouvir frases como aquela, que a deixavam com o coração acelerado e as palavras travadas.

Mas como um baque, a imagem de Luke veio-lhe à mente, avisando-a do motivo que a trouxe ali.

- Eu fui até ao apartamento para acabar com o Luke, mas…eu não consegui. – olhou cabisbaixa. – Neste momento estou cheia de dúvidas sobre tudo, não sei o que pensar nem o que não pensar. Não tenho mais certeza de nada. – os olhos azuis dela levantaram-se para encontrar os verdes de Harry. – Mas antes que me arrependa, eu peço-te que esperes. Eu sei que é egoísta da minha parte. Mas eu tenho que colocar as ideias no lugar certo. Todas estas informações, são muitas coisas para uma pessoa só. Eu estou confusa.

- Eu entendo. – suspirou entristecido. -Eu só não sei quanto tempo eu vou aguentar esperar. – admitiu Harry. – Eu não sei quanto tempo eu terei que esperar para poder ficar contigo, pode ser uma semana, um mês, pode ser um ano. Eu só fico bem quando está aqui, do meu lado. É nos teus olhos Jordan, só nos teus olhos que eu consigo enxergar aquela parte que eu pensei que tinha morrido.

Com aquela simples cumplicidade na troca de palavras, Jordan retirou quaisquer dúvidas que ainda poderiam existir.

Ela amava-o.

 

Nota: Podem agradecer a senhorita Ana Rita Cajus kk, ela “encomendou” o capítulo para hoje! <3 (lv u sis)

Lady Rebel – Capítulo 18

O cheiro forte de baunilha alertou o seu instinto para um plano prestes a ir por água-abaixo e mesmo antes que Jordan pudesse simular qualquer plano B, os seus olhos já haviam sido roubados por Luke, que deixou descair o sorriso assim que viu o terror desenhado no rosto da rapariga. – Calma! – avisou levantando as palmas das mãos no ar. – Eu sei que isto tudo parece meio doido, mas foi a única forma digna que eu encontrei de te pedir desculpa. Eu sei que tu gostas de rosas brancas e sei também que as velas de baunilha são as tuas favoritas…- sorria meio embaraçado com a sua explicação apaixonada. – Eu aluguei aquele filme com o Ryan Gosling, eu esqueci do nome, merda é o…

- The Notebook. – completou baixo com o olhar petrificado.

- Sim! – apontou para ela. – Esse mesmo. É eu…Jay eu sei que o que eu fiz não tem desculpa e sei que eu não te mereço, aliás na maior parte das vezes eu acho que tudo isto é um sonho. – riu sem humor. – Um sonho do qual eu não quero ser acordado nunca.

- Er…Luke… – pigarreou.

- Não! Ouve só por favor. – implorou recebendo um assentimento dela em troca. – Jordan eu não posso dizer, muito menos garantir que nunca mais te vou desiludir, realmente não posso.  Mas eu sei que independentemente do que aconteça, eu sempre olharei por ti, tu sempre serás a minha prioridade, sempre serás a única que eu…Carter eu amo-te.

Os olhos azuis de Carter estavam embargados em pena e desalento. Nunca antes ele lhe tinha dito que a amava, ela sempre soube que ele nutria tais sentimentos, mas nunca quis realmente acreditar, talvez porque não ouvindo as palavras em voz alta, ela não sentiria tanto remorso ao reconhecer que nunca lhe poderia corresponder da mesma forma.

E lá estava Luke, a tentar redimir-se, a fazer o que podia para agradá-la. Mostrando o quanto se importava com ela e queria resolver as coisas da forma mais perfeita possível. E mais uma vez, Jordan não sabia como reagir a tal ato de romantismo. Nunca sabia o que dizer ou o que não dizer, não podia mentir e responder da mesma forma, não era justo, contudo a ideia de sequer magoá-lo deixava-a desolada.

As inevitáveis lágrimas finalmente se libertaram e antes que ela pudesse esconder o rosto, Luke já havia acabando com a distância entre ambos e envolvido Carter num abraço angustiado.

- Jay, desculpa! – murmurou baixo.

Jordan negava com a cabeça, segurando a face descaída com as mãos pequenas. Estava sem coragem de olhar para ele, de lhe dizer o que realmente se passava e o que sentia não era sequer perto de amor. Toda a coragem que Carter alimentou durante aquela noite esvaiu-se assim que Luke mostrou o mais singelo dos sorrisos, acompanhado de um arrependimento honesto e puro.  Como poderia ela acabar com ele agora? Que tipo de mostro seria ela se o destruísse assim?

Os minutos foram passando e o choro foi diminuindo, Luke ainda embalava a namorada, sussurrando “desculpa” entre beijo na testa dela.

O cheiro a baunilha começava a tornar-se enjoativo para ela. Não se sentia digna de tão cordial pedido de perdão, nem merecedora de tanta bondade e paixão. Luke afastou-se um pouco para poder encontrar o rosto inchado e acabrunhado de Jordan. Deu um meio sorriso pouco convincente obtendo nada mais do que um olhar vazio.

 

- Jay? – ouviu um grunhido em resposta. – O que aconteceu?

Jordan enterrou a cabeça no peito dele, abafando as lágrimas que queriam surgir novamente – Eu sou uma má pessoa Luke! – soluçou. – Eu sou má pessoa. Eu não mereço nada disto!

- Quê? Jay, oxalá eu te pudesse dar a lua, tu mereces isto e muito mais. – apertou-a reconfortando. – E tu és uma grande pessoa, a melhor que eu já tive. – desceu o tom, tornando-o mais melancólico. – Eu queria-te poder mostrar o quanto tu significas para mim, mostrar a imensidão do meu amor por ti.- depositou uma mão na nuca dela, fazendo um carinho meigo. – Mas eu não posso medir algo que não tem medição possível.

Carter apertou o choro quase involuntário para não ter que padecer de mais questões. Era horrível sentir-se assim, se pudesse não estar na sua própria pele naquele momento, ela não estaria. Luke era demasiado bom para sofrer daquela forma, merecia alguém que o amasse, alguém que não Carter.

-   I could stay awake just to hear you breathing

(Eu poderia ficar acordado só para ouvir você respirar)

 

- Começou Luke a introduzir a música tão familiar a ambos. –

 

Watch you smile while you are sleeping

(Ver você sorrir enquanto você está dormindo)

While you’re far away and dreaming

(Enquanto você está longe e sonhando)

I could spend my life in this sweet surrender

(Eu poderia passar minha vida nesta doce rendição)

I could stay lost in this moment forever

(Eu poderia ficar perdido neste momento para sempre)

Every moment spent with you

(Cada momento gasto com você)

Is a moment of treasure

(É um momento que eu valorizo)

 

Deslizando as mãos até a cabeça da namorada, Sparks conseguiu afastar o rosto dela do seu peito. O sentimento de angústia nadava nos olhos de Jordan sem que esta o pudesse evitar. Luke limpou as lágrimas dela com um polegar e retirou uma mecha de cabelo da frente da face da rapariga. Num movimento terno e inocente, aproximou-se, oferecendo um beijo suave e prolongado na testa dela.

Jordan colocou as mãos por cimas das dele e fechou os olhos culpados, quando a boca de Luke entrou em contacto com a sua pele.

Sparks afastou-a mais uma vez para poder contemplar a beleza incomum de Carter e antes que ela pudesse dizer algo ou recuar, Luke já depositava um beijo simples nos lábios dela.

***

-E basicamente foi isto que aconteceu.- desabafou, atirando-se de costas para cama.

Milla viajou os olhos por todo o quarto pensando na história que a prima lhe tinha acabado de contar.

Era realmente um dilema e tanto e seria impossível sair daquele enredo sem que ninguém acabasse magoado.

A loira soltou o ar dos pulmões, emitindo um som bizarro de frustração. – Carter eu não acho que fazes bem em esconder tudo do Luke, quer dizer, ele tem direito a saber, certo? – levantou a sobrancelhas esperado por uma resposta que não veio. – Certo! – respondeu ela mesma. – E o Harry finalmente declarou-se, ele tem o direito a uma resposta. Tens que lhe dizer se ficas com ele ou ficas com o Luke. Jordan é o mínimo que tens a fazer!

- Eu sei.

- E então? – falou expectante. – O que vais fazer?

“O que vou fazer?”, perguntava para si mesma. A chave de toda aquele romance mal resolvido, estava ali, na resposta àquela pergunta tão temida por Carter.

Era certo que o que sentia por Harry era maior do que qualquer sentimento que alguma vez sentiu por algum outro homem, porém Luke ocupava um espaço demasiado especial no seu coração para que Jordan o pudesse simplesmente descartar.

Ela estava perdida num buraco sem fundo e tudo que conseguia pensar era no quanto desejava estar perto de Harry, aconchegada nos seus braços, depois de um dia sem o ver, após a declaração de amor.

E nada a impedia-a de o fazer naquele exato momento. Então Jordan levantou-se e foi direção à porta do quarto decidida a ir ao encontro de Van der Wood.

Antes de abandonar o aposento olhou para trás uma última vez, formou um sorriso terno para a loira sentada no tapete bege do quarto e agradeceu.

***

A conversa com a prima fervilhava na sua cabeça e estava a obter uma certa eficácia. Jordan tinha criado a coragem que necessitava para poder ir a encontro de Harry e ser o mais correta possível para que o relacionamento de ambos não estagnasse mesmo antes de começar.

 

Dobrou a última esquina e avistou logo o rapaz sair a passo rápido em direção ao seu Land Rover. Harry estava todo vestido de preto e a sua cara revelava uma certa irritação, Jordan nem teve hipótese de parar o carro e impedir que ele saísse sem falar com ela, mal entrou no veículo Harry arrancou e Jordan sem saber bem o que fazer, seguiu-o.

***

Nunca antes havia estado naquele lado da cidade. Quando viu Harry estacionar o seu carro perto do tão imponente edifício, não escondeu a sua careta de surpresa nem o seu grunhido confuso.

Harry saiu do carro e foi recebido por um homem moreno e de boa constituição física, mas com uma carranca de poucos amigos e um olhar que gritava perigo. Entrou no casino e foi seguido pelo outro. Jordan não sabia bem o que fazer, estava intrigada, porém não tinha tanta coragem para se arriscar a entrar lá dentro quanto desejaria.

15 Minutos depois, olhou novamente pelo retrovisor para verificar o que esperava, Harry não iria sair dali tão cedo, ela teria que engolir o medo e entrar no edifício.

 

A porta principal estava entreaberta quando a rapariga enfiou o rosto para poder observar o interior do casino. O deslumbre cegou-a por momentos, mas o som de vozes exaltadas despertou a sua atenção.

Levou alguns segundos para reconhecer de onde vinha o som, mas assim que encontrou as costas de um homem voltadas para si, encostou-se por trás de uma pilastra tentando captar todo a conversa sem ser notada.

- Ele está a fazer exigências Van der Wood! – afirmou alguém. – Ele sabe de coisas, ele disse que sabia.

- West, esse filho da puta acha que me engana com o seu bluf, mas ele não engana. – Jordan arregalou os olhos ao reconhecer a voz de Harry. – Esse mistério todo, nunca revelando quem é, deve achar que me intimida, mas ele não intimida.

- Harry eu acho que deverias ouvir o teu amigo, o Daniel sabe o que diz. – falou outro em tom de aviso. – O Tucker sabe de coisas, porque haveria ele de mentir sobre isso? Ele quer-te apanhar, ele quer fuder com a tua vida.

- Benny, nada do que ele sabe poderá me afetar, tudo que ele pode fazer é denunciar-me por traficar droga, mas onde estão as provas? Nós sempre escondemos tudo, não temos nenhum registo, nada.

- Mas e se o que ele sabe é algo que tu não esperas? – perguntou a voz do tal Daniel. – E se for algo além disto? Harry e se o que ele sabe tem a ver com a Carter?

Ouvir o seu nome não poderia a ter deixado mais chocada. A surpresa fê-la se soltar um som agudo e medroso.

- Quem está aí?

 

O desespero falou mais alto e Jordan não viu outra opção, senão corre dali para fora. Os passos e as vozes vinham atrás dela contribuindo para o acelerar dos seus batimentos cardíacos. Os seus olhos percorriam o espaço, procurando a porta por onde tinha entrado anteriormente. Agora tudo parecia igual e Carter sentia-se a soar frio.

De repente a tão desejada porta surgiu e Jordan conseguiu alcança-la antes de ser vista, ou reconhecida por alguém.

 

Chegar perto do seu carro nunca antes lhe pareceu tão bom, o nervosismo não a deixava em paz, Carter tremia por todos os lados, tentando enfiar a chave na fechadura sem grande sucesso. A sensação de adrenalina fê-la deixar cair o objeto.

Quando se baixou para pegá-lo, Carter tomou o maior susto de todos.

Um par de botas estava estrategicamente posicionado atrás de si e naquele momento ela soube que iria morrer.

 

Nota – Para o próximo capítulo – mínimo de 4 comentários

#HORA da serie!

Eu não sei se tem mais alguém como eu, mas se tiver, este post é especialmente para ti!

É assim, eu sempre tive uma certa curiosidade em conhecer um pouco da cultura das gerações antes da minha, mais precisamente, da época em que os meus pais eram adolescentes. E sempre me interessei em conhecer a música que ele ouviam, os filmes que eles assistiam e claro, as séries que eles acompanhavam…

O post de hoje é sobre uma série que a minha mãe sempre me falou imenso e que eu adoro…

e com muito gosto apresento-vos TWIN PEAKS.

 

A série, como vocês já devem ter entendido, é de tema policial e acompanha o caso da Laura Palmer, uma estudante de colegial que foi assassinada.

Eu pessoalmente adorei a série e SUPER recomendo!

Clica AQUI para assistir a série ONLINE!

Lady Rebel – Capítulo 17

- Espera, deixa-me ver se eu entendi bem! – Daniel fez sinal de pausa com a mão controlando a vontade de rir. – Tu saíste com ela para poder acabar com tudo, perdeste a coragem, depois voltaste a levá-la para casa e praticamente imploraste para que ela te beijasse e como se não bastasse ainda a chamaste de beija-flor? – quase gritou as palavras. – Hazza…- gargalhou alto. – Desculpa informar-te meu caro, mas tu podes esquecer a promessa que fizeste ao teu paizinho. Tu não vais matar a Carter, tu estás apaixonado por ela!

- Não digas merda senão sobra para ti!

- Ok! – consentiu tentando controlar o riso. – Acabaram-se as piadas.

Harry encostou a cabeça sobre a parede velha do edifício, pensativo.

Era claro que as coisas estavam muito mais complicadas agora. Aquela foi a prova que lhe faltava para finalmente entender, ou melhor, admitir, o que o seu coração sabia já há muito tempo.

Harry já não negava a ele mesmo o que sentia. Não se permitia iludir com outras teorias e especulações sobre o que havia vindo a crescer dentro dele, desde a primeira vez que viu Jordan.

- Eu não planeei nada disto! Eu não sei que merda é que me deu, eu ia deixá-la ir embora, mas quando a vi afastar-se… – falou com o olhar distante. – Eu estou a ser consumido a cada segundo que passa e quanto mais tempo passa…- parou meio zangado. -… mais eu penso em mandar toda esta merda de plano pelo ar!

- Então fá-lo seu idiota! Manda tudo pelo ar. Manda toda a corja se foder e vai atrás dela enquanto podes, enquanto ela ainda te quer também. Ela gosta de ti Van der Wood, ela só não quer dar o braço a torcer, a Carter é tão ou mais orgulhosa que tu. – discursava, convicto das suas palavras. – Não deixes que o orgulho estúpido se meta entre vocês, não a deixes escapar palerma!

Harry olhou-o indecifrável. West não poderia dizer o que se passava dentro do homem na sua frente, mas sabia que as suas palavras tinham surtido algum efeito.

Van der Wood perdeu-se por instantes numa batalha interna.

Sabia perfeitamente que o amigo estava certo. Ele era orgulhoso, ele era egoísta e egocêntrico, mas ele não era burro. A forma como Dan falou, como ele cuspiu tudo aquilo sem um pingo de ponderação, apenas contribuiu para a constatação de algo que Harry preferia não acreditar. Mas ainda havia aquela voz que o acompanhava há anos, sempre avisando-o do seu maldito destino, do seu condenável dever a cumprir.

Tudo era uma questão de escolha. Uma escolha que poderia mudar todo o rumo da sua vida.

Ele queria ceder. Eu queria poder escolher sem que o peso na consciência o atormentasse. Mas isso era impossível, porque fosse qual fosse a sua opção, Harry nunca sairia ileso. A pergunta que prevalecia era, qual das duas era a mais certa?

– Eu deixei-a sozinha à cerca de hora e meia. Eu não sei o que devo fazer…eu sinto-me um adolescente ridículo com um monte de merda dentro. Cheio de medo de uma miúda. Eu sou um filho da puta desgraçado que por este andar vai acabar sozinho.

Invés de refutar, West riu da confissão distorcida, porém real do outro. – É Harry, tu és isso tudo. Mas agora não há volta a dar e se queres mesmo saber o que eu penso, eu acho que tu devias ir lá agora, tu devias ir a casa dela e dizer tudo que está entalado na garganta.

- Não posso. – recuou instintivo.

- Porra, claro que podes! – subiu dois tons. – Podes e vais!

 

***

Jordan não costumava ficar sozinha na sala de estar. Sempre trancafiada no seu quarto, ou então, simplesmente fora de casa àquela hora da madrugada.

No entanto, ali estava ela, perdida em si mesma, com mais ninguém para a acompanhar.

Carter sentia-se pela primeira vez em algum tempo, realmente só. Despois de Harry a ter deixado sem mais nem menos à porta de casa, Jordan deixou que a melancolia da noite a tomasse e ficou sentada perto da lareira que ainda ardia voraz, perdendo-se nas suas memórias mais remotas.

A figura do rapaz alto, de olhos verdes e cabelos castanhos, estava clara como cristal na sua mente. Ela podia jurar que ainda sentia o aperto de quando ele a puxou. Ela conseguia ainda respirar aquele perfume inebriante e amadeirado e se fechasse os olhos, ela quase podia sentir o quanto bom era beijá-lo.

E havia depois o namorado. O que a fazia sentir-se mal por pensar em tais coisas.

Luke, ele provavelmente deveria estar perdido por aí, bebendo para afogar as mágoas, como sempre fazia quando sentia-se desolado ou inseguro. Mas estranhamente a ideia do namorado bêbado, andando pelas ruas menos bem frequentadas de Londres, não deixou Jordan tão preocupada quando deveria ou esperava ficar.

Ele havia-lhe mentido e isso era algo que Jordan não perdoava fácil. Por muito que ele a amasse e necessitasse de dinheiro, nada justificava a forma como ele o ganhava nem a maneira inconsequente como Luke acabava por a prejudicar. Porque se alguém sequer desconfiasse do que ele vendia ao treinador, todos saberiam de quem ele era namorado e Carter poderia acabar metida em sarilhos bem mais sérios do que fugidas noturnas ou consumo de drogas leves.

O toque do interfone interrompeu o seu momento de transe e Jordan respondeu com um sobressalto assustado. Levantou-se preguiçosa e um pouco intrigada com o que poderia ser às três da manhã.

- Menina Carter? – perguntou uma voz masculina e acanhada, do outro lado do aparelho.

- Sim Bullock. – usou um tom entediado.

- Está aqui o senhor Van der Wood, ele disse que precisa urgentemente falar consigo. Posso deixá-lo subir? Eu sei que já é…

“O Harry aqui?” Harry estava lá em baixo, depois de a ter deixado sem mais nem menos. O que será que ele queria?

Será que ele estava arrependido? Ou estava apenas a fim de continuar com os seus jogos?

- Menina Carter? Menina Carter?

- Sim!

- Eu acho melhor a menina descer, eu não acho que ele vá sair daqui, a chuva está a cair forte e o senhor Van der Wood não parece querer arrear o pé.

Jordan soltou um suspiro tanto cansado, quanto derrotado. Olhou pela janela para poder constatar o que Bullock lhe disse. A chuva era arrastada pelo vento e batia violenta contra o vidro do apartamento. A ideia dele debaixo daquela queda d’água deixava-a inquieta.

Harry estava provavelmente a congelar lá fora. Só para provar algo infantil e provavelmente não sairia dali até Carter falar com ele.

- Bullock, diga ao Harry que eu desço.

- Sim menina e mais uma vez desculpe o incomodo.

Jordan nem ligou para o interfone suspenso pelo fio que baloiçava de um lado para o outro. Olhou em volta para encontrar o casaco que ainda estava pousado sobre o piano e chamou o elevador. A curta viagem do 23º andar, até ao rés-do-chão, foi muito mais rápida que aquilo que ela gostaria.

Quando a campainha emitiu o som estridente, avisando a sua chegada, a hesitação pareceu impedi-la de dar o primeiro passo. Involuntariamente o seu coração tomou um rumo mais acelerado, como se de certa forma ela previsse que alguma coisa fosse acontecer. Algo que ela não esperava, mas não sabia se era bom ou mau.

 

Música (http://www.youtube.com/watch?v=ZmMQkzJTwDU)

 

Uma jorrada de água atingiu-a assim que ela saiu do edifício. A chuva era ainda mais forte do que ela previra. Os seus olhos azuis, rapidamente detetaram o vulto do rapaz perto da mota, usando só as calças jeans surradas e uma t’shirt branca.

A hesitação de antes, transformou-se em determinação e em questão de segundos, Carter já estava perto o suficiente para que o seu alarme contra Van der Wood desse os seus primeiros sinais de vida.

- Carter eu tenho que dizer uma coisa e não vai ser algo ao qual eu estou habituado, ou goste de fazer, por isso espero que me ouças até ao fim, sem interrupções! – soou surpreendentemente desajeitado.

- Rápido então, porque eu ao contrário de ti, não vejo nada de interessante em ficar na rua de madrugada, quando chove mais que sei lá eu o quê!

- Carter podes parar com as brincadeiras? Eu estou a tentar dizer uma coisa séria.

- Ah! Agora queres que eu seja séria? – gargalhou forçada. – Claro Harry, tudo como quiseres, tudo como tu achas. Avisa-me quando quiseres que “brinque” contigo! – fez aspas no ar. – Ou quando quiseres que eu seja séria! Porque pelos vistos és tu quem decide tudo, não é? Tu és um mimado, um egoísta infantil, que só se preocupa consigo mesmo.

- Ouve-me porra! – gritou exasperado tentando fazer com que a sua voz se sobrepusesse à chuva tempestuosa que molhava-os. – Eu estou a engolir o filho da puta do meu orgulho para fazer isto ok? Para de lutar, de me dizer aquilo que eu já sei. Isso não vai adiantar de nada, apenas vai adiar o inevitável e consumir-nos um pouco mais.

O olhar fulminante que ela lançava sobre Harry era cortante o suficiente para que ele percebesse a raiva que Carter estava a sentir.

- Que merda é que estas a falar? Eu não estou a lutar coisa nenhuma. O único aqui que até agora recuou sempre que dávamos um passo em frente, foste tu! – acusou-o empurrando-o com o punho cerrado contra o peito. – Foste tu quem causou isto tudo! Eu sempre dei os sinais, sempre cedi, sempre me entreguei. Mas quando as coisas pareciam escapar das nossas mãos, tu simplesmente recuavas, como se a tua necessidade por controlo superasse aquilo que ambos sentimos. Eu não sei o que te trouxe aqui depois de simplesmente me abandonares sem mais nem menos. Mas também não sei se quero saber. Porque mesmo não me querendo importar, eu importo-me. Eu sinto dor Harry, eu sou um ser humano e aquilo que me fazes, magoa como os diabos.

Harry caiu no chão, deixando claro que naquele momento, ele estava a render-se pela primeira vez.- Desculpa. Carter… Desculpa!

O desmoronar de alguém aparentemente tão inatingível, deixou-a assustada. Jordan não soube o que fazer. Nunca antes tinha conseguido ser tão verdadeira com ele. Nunca antes tinha exposto os seus reais sentimentos por Van der Wood e agora que o fez, ele implorava-lhe por perdão?

“Como assim?”

- Harry! – chamou, puxando-o para cima. – Harry por favor levanta-te!

- Jordan! – apertou-a num abraço incomum e demasiado íntimo enquanto tentava se levantava. – Ouve-me pelo amor de Deus, porque eu não sei se amanhã, ou depois poderia dizer-to de novo. Eu não te posso prometer um futuro, eu não posso prometer nada, mas o amor não tem que ser perfeito não é? Apenas real…e hoje…hoje eu posso dizer-te que eu estou completamente apaixonado por ti por isso, por tudo, perdoa-me.

Só depois de as ouvir, Jordan percebeu o quanto ela esperou por ouvir aquela palavras. O seu coração queria rebentar de felicidade, ela queria poder gritar para o mundo inteiro aquilo que Harry Van der Wood tinha acabado de admitir.

Não conseguiu dizer nenhuma palavra, assentiu sorrindo e soluçou no abraço dele sentindo o cheiro que tanto amava inebriá-la reconfortante.

 

Música: (http://www.youtube.com/watch?v=tci5Z-GKhEE)

 

A água escorria por ambas as faces e molhava graciosamente cada traço de Harry. As gotas d’água deslizavam pela sua cara, descendo ao longo do seu pescoço até se desvanecerem dentro da t’shirt encharcada.

Como ela gostaria de ser uma daquelas gotas, poder tocar e explorar cada milésimo de espaço daquele corpo. Descobrir o que estava por trás daquela casca sempre tão densa e inatingível. Encontrar o coração que mesmo por vezes ocultado, existia e batia forte e exasperado em uníssimo com o dela.

Os cabelos dele estavam lindos e despenteados, os seus olhos…Céus os seus olhos estavam mais verdes do que alguma vez antes testemunhado por Carter. Brilhavam como pequenos diamantes e hipnotizavam-na tal como da primeira vez que se viram. E ele olhava-a como nunca antes o fez. Não havia malicia, desejo, nem quaisquer segundas intensões naquele olhar, mas ainda assim, ele conseguia despi-la, desfragmentá-la e possui-la sem restrições.

Lentamente ele foi-se aproximando até acabar com o vácuo que existia entre ambos. As correntes do vento, gelavam e os corpos tremiam. No entanto, nenhum parecia notar esse detalhe, sempre que aqueles olhares se encontravam era como se não houvesse mais nada no mundo, mais ninguém.

Ele e ela. Ela e ele.

O medo que Carter alguma vez possa ter sentido foi substituído pela pura necessidade de proximidade a Harry. Os olhos dela estavam coincidindo entre os olhos verdes e os lábios dele. As palpitações do seu coração aumentavam gradualmente e quando ela materializou o que estava prestes a acontecer sentiu como se uma explosão tivesse tomado o seu corpo e uma descarga de adrenalina percorresse cada uma das suas veias.

Então as testas de encostaram-se. As respirações encontraram-se.

Os lábios colidiram. Um toque suave e superficial, lento e significativo.

Não havia frio, receio do desconhecido. Não havia incerteza, nem vontade de fugir.

As mãos dele subiram até ao rosto da sua menina, segurando cada um dos lados do rosto dela como se temesse que a qualquer momento Jordan se afastasse e não houvesse nada que pudesse retomar àquele ato.

Ambos reconheciam a necessidade de apagar aquele fogo que queimava e consumia cada uma das células dos seus corpos desde o último beijo.

Foi então que ela sentiu a língua do rapaz tocar os seus lábios e nada hesitante, deixou que ele aprofundasse. O reconhecimento da textura dele fora muito além do que ela se lembrava e nesse espaço de tempo ela soube que não queria esquecer qual era a sensação.

Não mais.

A sensualidade e a tensão palpável que costumam ser tão características de Harry, foram transformadas em delicadeza e até mesmo ternura.

A mão direita dele soltou-a e tomando um novo curso, deslizou por todo aquele corpo até repousar nas costas dela e comprimi-la contra ele.

Um gesto que fez Jordan abrir os olhos e se deparar com a expressão de Harry.

Havia entrega na ação, mas os olhos estavam fechados e apertados agressivamente.

Como se sentisse dor. Como se sentisse culpa por beijá-la.

De repente a boca dele tornou-se exigente e a atenção de Jordan foi toda puxada para o momento que se desenrolava e ela deixou-se levar.

A luz da lua cheia era o holofote daquele cenário cliché e romântico. O céu estava escuro e nublado e os únicos sons captados por ambos eram o da chuva, do vento e das suas respirações ofegantes e inconstantes.

Mas o que era aquilo? Era ódio? Era amor? Era luxuria? Sequer era verdadeiro no final das contas?

Talvez não fosse nada.

Mas ela não queria pensar nisso, porque no fundo ela sabia.

Aquele não era mais um beijo roubado no meio da noite em qualquer bar. Aquele era o primeiro beijo apaixonado de Jordan Carter e Harry Van der Wood.

Lady Rebel – Capítulo 16

Recordações nunca foram fáceis de reviver. Más recordações muito menos, mas boas recordações, essas eram as que o deixavam pior. Eram elas que abriam as cicatrizes que nunca saravam, que o lembravam do quão solitário ele era.

A saudade era o sinónimo perfeito para o nome Bella Van der Wood. O sentimento mais duro, mais insuportável, mais difícil de lidar. Porque nada nem ninguém poderia alterar o destino, desfazer o que foi feito e salvar a rapariga, muito menos salvar o seu irmão.

Harry era quem mais precisava de salvação, quem mais necessitava de carinho, de alguém que pudesse preencher aquele buraco que Bella deixou por cobrir.

Mas quem seria essa pessoa, quem salvaria o garoto quando a sua cabeça decidiu condená-lo à solidão perpétua?

Para além de Bella, Jordan era o outro único pensamento que ocupava a sua mente. Quando o desespero tomava-o, ele refugiava-se na única pessoa que cabia na sua cabeça. Carter surgia como uma condenação e como a sua salvação, simultaneamente.

Ironia? Talvez.

Obra do destino? Provavelmente.

Contudo eram apenas possibilidades, especulações, ideias dispersas que não faziam sentido na cabeça problemática de Van der Wood. Não acreditar em nada era a via mais fácil. Nada precisava de ser explicado nem corroborado. As questões deixavam de existir e a palavra dúvida desaparecia do seu dicionário. Carter era a maior das suas dúvidas, o maior dos seus dilemas.

Ela era como uma chave, que abria tudo, que desencadeava todos os sentimentos carnais que Harry desejava enterrar sempre que Jordan estava por perto. E sempre que a luxuria surgia à flor da pele, ela arrastava consigo algo novo, algo que Harry não conseguia identificar como bom ou mau, mas era confuso e deixava-o nervoso, ofegante. A coerência parecia perder a sua força e o instinto sexual falava mais alto. Harry perdia a noção de ser e estar, na presença de Jordan Carter.

Então as questões surgiam, as dúvidas emergiam e ele perdia-se. Não sabia mais o que era certo ou era errado, esquecia o seu propósito, o motivo que o levou até aquele momento. Tudo que ele sempre acreditou, tudo aquilo que ele sempre ouviu depois da morte da irmã, parecia não fazer sentido na sua cabeça.

Jordan acordara algo em Harry que ele nunca imaginou ter. E apesar de desconhecer o sentimento e de ainda não perceber do que se tratava, Harry estava a ser salvo aos poucos, mesmo sem ter consciência.

Ele não sabia que estava perdido, mas Jordan estava a encontra-lo. Ou melhor dizendo, a salvá-lo.

As fotografias estavam espalhadas desorganizadamente, em cima da colcha branca. Harry estava ainda em tronco nu, usando apenas a parte de baixo do uniforme da escola. Não faltava muito para ele sair de casa, mas a vontade era pouca. Queria poder ficar ali sozinho.

Ver todas aquelas imagens, sorrir e chorar com as memórias que ainda pareciam tão vivas no seu coração. Era uma terapia pouco convencional, mas ainda assim eficaz. O sofrimento por vezes, fazia-o recordar que ainda estava vivo. Lembrava-o de que algures, ainda havia sentimento dentro daquela carcaça humana.

Uma fotografia despertou a sua atenção.

Bella e Liam, o ex-namorado da irmã. Hazza nunca gostou dele, sempre o achou estranho e de pouca confiança, vivia numa zona mais reservada de Londres e nunca tinha conhecido a família do rapaz. Liam era muito calado e pouco simpático, mesmo quando estava com Bella parecia aéreo, como se outra coisa estivesse na sua cabeça. E aquela fotografia não mostrava outra coisa, senão isso! Enquanto Bella sorria genuína para o fotógrafo, Liam olhava de contragosto para quem quer que fosse a pessoa por trás da máquina. O olhar de desdém era óbvio e a falta de emoção também.

Depois da morte da irmã, Harry deixou de ver Liam com frequências, as poucas vezes em que se encontraram foram ao mero acaso. E nunca nenhum saia para puxar assunto ou cumprimentar. Simplesmente fingiam não se conhecer. E talvez assim fosse melhor, porque a única coisa que os podia unir de certa forma, já não existia. Bella tinha morrido e nenhum dos dois tinha motivos para se falar.

Pousou a foto na cama para poder apanhar um pedaço de papel dobrado, no fundo da caixa que um dia pertencera à sua irmã. Hesitou na ação, mas acabou por pegar na folha já desgastada pelo tempo. Numa delicadeza desnecessária, Harry voltou a ver o desenho que há muito tempo lhe havia sido mostrado. A figura mantinha-se igual exatamente como ele se recordava.

*

- E então? – perguntou expectante. – O que achas Hazza?

- Er..está lindo Bels, eu não sabia que tinhas tanto jeito para desenhar. – respondeu ainda embasbacado. – Mas porquê isto? Porquê um beija-flor?

- Eles são livres! – admitiu ela com um brilho infantil no olhar. – E eles amam. Beijar é um ato tão puro quanto declarar amor a alguém Harry. O beija-flor ama, ele é o único animal que pode beijar.

- Ele não ama Bella! Se amasse ele não trocaria de flor. – contra-argumentou. – Ele vai de flor em flor, recolhe o que quer e depois abandona-a.

- Mas o amor é assim Harry. É uma busca incessante, até a pessoa certa surgir. Eu quero encontrar o meu beija-flor um dia. E estou certa que tu encontrarás a tua também.

*

- Será Bels? – fechou os olhos apertando o pedaço de papel contra o peito. – Será que algum dia eu encontrarei?

 

***

 

Ashbourne College. Alunos ricos, mimados e fúteis. Um antro de podridão dourada e cintilante, mas ainda assim, escrota.

Harry estava sentado sobre o volante do seu Land Rover, há pelo menos 8 minutos. Observava o movimento matinal da secundária, enquanto tragava um cigarro calmamente. Os olhos verdes acompanhavam os andares apressados de uns, as conversas paralelas de outros e nada parecia chamar por ele.

Procurava apenas por uma pessoa que parecia não querer surgir de jeito nenhum. Mas uma outra pareceu obter a sua atenção por instantes. A morena que agora poucas vezes via, corria apressada para dentro do edifício principal sem parar para conversar com quem fosse. Eleanor Lawrence havia-se distanciado de tudo e todos nas últimas semanas, nunca era vista em lado nenhum, a não ser na escola. Vivia como um fantasma, sempre presente, mas sempre invisível.

Harry sabia que ele era um dos culpados daquela depressão evidente, mas nada podia fazer a respeito nem queria, para ser franco.

Em meio de desvaneios ele viu o que procurava, mas não como esperava ter visto.

Jordan abriu a porta do carro e inclinou o rosto até os seus lábios tocarem ternos nos de Sparks, sorriu solene e saiu feliz. Luke observou a namorada afastar-se e depois prosseguiu a viagem.

- Façam-me o favor. – falou enjoado.

***

Os corredores estavam vazios quando Jordan abandonou a sala de aula. Estava sem pachorra para ouvir a professora de matemática e sabia que o seu único remédio seria um cigarro.

Entrou rápido na casa de banho, apenas para poder lavar o rosto e depois seguiu até às traseiras de ginásio.

Quando estava prestes a sair pela porta das traseiras, um assobio alto chamou-a. Olhou para trás mas não viu ninguém. E no segundo em que a sua mão tocou na maçaneta da porta, o mesmo som repetiu-se – Quem é o engraçadinho? – perguntou irritada. – Estás com medo, é?

- Carter eu só tenho medo daquilo que tu podes fazer comigo quando estivermos sozinhos num quarto!

- Claro. – cruzou os braços. – Tinhas que ser tu!

- Carter.- Harry falou com um sorriso travesso. – Vamos pular a parte em que tu dizes que me resistes e passemos para a parte que ambos gostamos mais. Assim ninguém fica a perder.

- Eu tenho namorado Van der Wood, pensei que isso estava claro para ti! – abriu a porta.

- Eu não quero saber disso Carter, pensei que isso estava claro para ti! – aproximou-se fechando a porta.

Passos rápidos e zangados, acompanhado por duas vozes foram ouvidos no fundo de corredor, antes que Jordan pudesse mover-se, Harry já a tinha arrastado para dentro da dispensa do contínuo. As luzes apagadas não os deixaram reconhecer o que estava à volta deles, mas era possível identificar-se um grande armário na parede oposta.

- Larga o meu pulso Harry! – queixou-se puxando o braço para si.

- Cala a boca Carter e deixa-te de frescuras! – refutou grosseiro.

- Olha! – subiu dois tons. – Fresca é a tua…

Sem chance de completar a frase, Harry pegou nela e prensando-a contra a porta, produzindo um ruído maior do que o pretendido, colocou a mão sobre a boca dela e olhou sério. A sua outra mão segurava a cintura dela sem qualquer delicadeza, impedindo que ela tentasse escapar.

- Ouviste isso? – perguntou uma voz masculina.

- Isso o quê? – falou a outra voz, que Jordan logo reconheceu coma a de Eleanor.

Carter pigarreou em protesto, para que Harry a largasse.

- Eu largo, mas cala a matraca!- avisou afrouxando a mão até desvia-la completamente da boca dela.

- É a Eleanor!- sussurrou.

Harry respondeu consentindo e passou a dar atenção à conversa alheia.

- Eleanor tenta ser mais flexível, eu cometi um erro, eu agi sem pensar. – implorava o homem.

- Eu já pedi para me deixares em paz! – exclamou  tentando manter o controlo. – Eu disse não da primeira e direi não até a última. Para de insistir, essa tua persistência não te vai levar a lado nenhum. Pelo contrário, se continuares assim eu terei que tomar medidas mais sérias Fitz.

- Tenta! – soou desafiador. – Tenta Eleanor, quero ver se tens coragem!

- Solta-me, estás a magoar-me! – implorou baixo.

Jordan deu a entender que queria sair dali e intervir na discussão daqueles dois, mas Harry não a deixou.

- Harry eu tenho que sair, ele ainda pode magoá-la.

- Carter calma, estás a agir por impulso. A Eleanor sabe se defender sozinha. E tu não podes sair daqui. Só se quiseres contar uma história ao diretor da escola, sobre o que nós os dois estávamos a fazer dentro da dispensa.

Odiava admitir mas ele estava certo, Eleanor conseguia lidar bem com a situação e ela não gostaria de dar explicações a ninguém, porque mesmo que contasse a verdade, ninguém acreditaria que ela e Harry estavam apenas a esconder-se.

Soltou um suspiro derrotado e pesado. Não ia fazer nada, teria que esperar os outros dois saírem do corredor e assim que a costa estivesse livre, afastava-se de Harry.

- Boa escolha! – Harry esboçou um meio sorriso de satisfação.

Novos passos de sapatos de mulher, começaram a soar sobre o piso. Jordan e Harry puderam ouvir Lawrence ser solta e fugir do homem, mesmo antes de ele ser interpelado pela mulher que se aproximava.- Fitz! – exclamou ela.

- Professora Smith! – fingiu surpresa. – Como está?

- Eu estou bem! – falou mostrando usando palavras comedidas. – Eu preciso de falar consigo sobre…

- Sim, eu também preciso! Mas agora não é o momento mais indicado.

- Concordo, talvez possamos nos encontrar mais tarde. Talvez no local de costumo. Ou se preferir noutro sítio, eu não sei!

- O local do costume soa bem. – disse simpático. – Bom, até logo!

- Até. Ah! Antes que me esqueça! Já sabe, se eu não estiver lá antes das seis horas, venha-me encontrar na delegacia.

- Claro, caso seja necessário farei isso.

Um minuto, ou talvez mais se passou quando Jordan finalmente teve alguma reação. – Isto foi estranho! Ou será que só eu achei estranho?

- Não! – acenou com a cabeça negativamente. – Eu também achei. Bastante estranho mesmo!

- Er…Harry!

- Hum! – franziu o cenho.

- Larga-me! – pediu, trocando o olhar entre a mão na cintura e os olhos verdes de Van der Wood.

A expressão dele mudou e ela percebeu. Estavam novamente de volta ao jogo de sedução.

- Eu vou largar-te agora, porque hoje de noite vais passar muito tempo agarradinha a mim – afirmou convencido.

- Eu não vou contigo a lado nenhum! – retrocou abrindo a porta da dispensa.

- Tu vais Carter. – falou atrás dela. – Eu sei disso.

- Essa tua presunção não te leva a lado nenhum Harry.

- Jay porque haveria eu de ir a algum lado quando posso esta aqui contigo? – puxou-a pela nuca e deu-lhe um beijo rápido.

- Harry! – esbofeteou-o no peito, irritada.

- Calma Jay, guarda a energia para mais tarde! – afastou-se andando de costas. – Vais precisar.

 

***

 

A confusão habitual de fim de aulas, passava na frente da rapariga, enquanto ela abandonava a secundária, rumo a casa.

- Jordan! – a voz familiar fê-la virar-se automaticamente.

- Luke? – juntou as sobrancelhas. – O que fazes aqui?

- Eu vim-te buscar!

Algo pareceu estar fora de contexto ali, ele nunca vinha busca-la à escola

- Tu não me vieste buscar! – exclamou quando viu o treinador Philips entrar no carro ao lado deles. – Tu foste vender drogas ao treinador!

- Jay eu não..

- Não mintas Lucas! – levantou a mão para afastá-lo.

- Carter nem todos têm vida fácil como a tua! – mudou o seu tom, tentando se defender. – Eu não tenho uma mãe rica, eu não tenho ninguém. Faço o que posso!

A ofensa doeu e Jordan achou justo fazê-lo pagar pelas palavras.

- Não me venhas com essa Sparks! – falou ainda mais alto, obtendo a atenção de alguns poucos curiosos. – Tu podias muito bem fazer um trabalho honesto. Se não fazes é porque não te preocupas de onde vem a merda do dinheiro.

- Eu não vou discutir isto contigo, muito menos aqui! – avisou baixando algumas oitavas a voz.

- Ótimo, também não estava no clima de discutir! – passou na frente dele sem olhar.

- Não vens para casa?

- Vou Luke! – olhou-o com uma pontada de maldade. – Mas vou sozinha, a pé! – deu ênfase na última palavra e saiu sem mais nada a acrescentar.

 

***

 

Carter queria não ter dado o braço a torcer, mas depois de toda aquela cena ridícula com Sparks no estacionamento da escola, ela queria poder vingar-se um do namorado, mesmo sabendo que era uma atitude imatura

Quando chegou até perto de Harry, Jordan percebeu o que estava por trás dele.

Uma Indian, reluzente e preta, estava estacionada atrás do rapaz de cabelos bagunçados. Os olhos verdes de Harry não escondiam a malícia que por eles derramava, apreciando detalhadamente o corpo de Jordan.

Como um bom cavalheiro, Harry afastou-se do veículo e caminhou até ela, trazendo com ele um capacete.

- Eu sabia que vinhas! – constatou satisfeito.

- Não fiques todo convencido Van der Wood, eu posso muito bem ir-me embora!

- Tu não vais. – falou confiante. – Pega! – estendeu o capacete para a mão dela.

- Para que é isto? – perguntou sem pegar no objeto das mãos dele.

- Vamos andar por aí!

- Eu não…

- Tu não? – incentivou-a a falar, sentando-se na mota.

Carter libertou uma lufada de ar, xingando-se mentalmente pelo que estava prestes a fazer. Foi ao encontro de Van der Wood e sentou-se por trás dele, encaixando as pernas em cada um dos lados da mota.

Harry sentiu os braços dela posicionarem-se em volta do seu tronco definido de forma a afrouxada, para que o contacto não fosse grande. Em solução, ele obrigou o motor a soltar o rugido potente e instantaneamente Jordan cravou as mãos no peito dele.

-O que foi Carter? Ficaste com medo? – olhou por cima do ombro em deboche.

- Passa logo essa porra de capacete! – respondeu Jordan arrancando o objeto da mão dele.

- Só uma coisa. – acrescentou Harry. – Vais ter que segurar bem firme. – rodou o acelerador provocando um som tão áspero quanto o primeiro. – Porque a viagem vai ser perigosa!

***

Agora que a viagem decorria, a ideia de passear de noite numa mota com Harry Van der Wood não parecia tão má assim. O vento não era tão cortante naquela noite pouco comum, onde o céu estava mais estrelado que o natural.

Jordan estava agarrada a Harry. Sentia os batimentos cardíacos dele, contra a sua mão esquerda. Harry não havia falado nenhuma vez desde que saiu do centro da cidade. Estava atento à estrada, provavelmente concentrado em algo que ela adoraria poder saber. O seu coração acusava-o de algo sério. Era um pouco rápidos demais para o natural e ia aumentando gradualmente.

Quando passaram por um posto de gasolina, Harry saiu para abastecer, mas acabou por demorar mais do que o necessário, dando tempo a Jordan de refletir durante alguns minutos.

Ela estava ali, tal como ele disse. Ela estava a gostar de estar ali, tal como ela odiava admitir. Harry era demasiado magnético para Jordan se conseguir afastar. E por mais erros que ele cometesse, por mais provas de pouco caráter que ele lhe mostrasse ter, Jordan simplesmente não conseguia se afastar.

Harry voltou pouco depois, com um semblante menos carregado e chegou a sorrir para ela, quando subiu na mota, mas não falou nada.

 

***

 

Depois de um par de horas, eles regressaram. Harry estacionou o veículo em frente ao prédio dela e retirou o capacete.

- Entregue! – falou sem emoção.

Jordan olhou-o expectante, estava à espera da frase inconveniente ou do cometário pouco propício, mas nada veio.

– Podes sair Carter!

Ela duvidou por instantes se aquilo não passava de uma brincadeira, mas quando percebeu que Harry estava mesmo a dispensa-la sem mais nem menos, ela fez questão de apressar as suas pernas para fora da mota, sem nem se preocupar com o capacete que deixava cair no chão.

Ficou com raiva de si mesma e de Harry.

Raiva de si, porque sentia vontade de fugir antes que a sua outra parte falasse mais alto e acabasse por cometer o seu pecado favorito.

Raiva dele, porque Harry estava a deixá-la ir sem mais nem menos, e isso, de forma ridícula, magoava-a.

Mas inesperadamente a mão intolerante de Van der Wood não a deixou escapar tão fácil. Num impasse rápido, ele puxou o pulso da rapariga e no instante seguinte ela já estaca prensada contra ele.

Afogar-se naquele oceano verde era como entrar num labirinto. Por mais que se andasse não havia saída. E era assim, era dessa forma que Harry sempre acabava por a encurralar. Antes que ela tivesse consciência, o cheiro amadeirado dele penetrou-a de forma invasiva e prazerosa.

- Não fujas Carter, não fujas a isto! – o brilho no seu olhar ofuscava os pensamentos de Jordan. Porém as palavras pareciam trocadas. Num momento ele simplesmente a ignorava e no segundo instante, ele pedia a ela para não ignorar o que sentia?- Tu paralisaste-me, eu nunca esperei que isso fosse acontecer, mas aconteceu. Eu agora quero mais, estou viciado. E tu! – apertou-a mais contra si. – És a única capaz de acalmar esta dependência.

A garganta seca, o coração errante, a respiração irregular. Carter estava sem dúvida a deixar-se levar pelo momento.

- Beija-flor. – sussurrou quase de forma inaudível, passando a mão no cabelo dela.

- O quê? – olhou confusa.

Só então ele assimilou as próprias palavras. O peso que elas tinham e o significado que lhes era empregue.

A falta de reação deixou Carter preocupada, mas foi quando Harry afastou-se, que Jordan percebeu que algo estava errado.

- Harry! – chamou. – Harry o que foi?

Ele ligou o motor e deixou que o rugido calasse a voz da rapariga. Antes de ela poder chegar perto, Van der Wood acelerou e fugiu mais uma vez dos seus próprios sentimentos.

 

Nota: Pois é, agora as coisas estão a começar a adquirir forma… curiosas sobre o próximo capítulo? Comentem!!

Apresentando o Meu Quarto

No post de hoje eu venho trazer um pouquinho de mim para vocês.

Para quem não sabe, eu mudei de casa já bastantes vezes e apesar da canseira toda da mudança, eu nunca deixo de amar preparar a decoração do meu quarto. E tenho de admitir, que mudar de casa tem algumas vantagens, como por exemplo, alterar o tema da decoração de todas as vezes que mudo.

Eu posso dizer que tanto já tive um quarto decorado com uma parede vermelha e moveis escuros, como neste momento, tenho um quarto bastante clássico e feminino.

A decoração do meu quarto é muito importante para mim, é lá onde eu passo a maior parte do meu tempo quando estou em casa e onde eu me sinto melhor.

Acho que esse deveria ser o objetivo de todos os quartos, não é mesmo? Olhar para eles e chama-lo de “nosso”! É isso mesmo que eu sinto quando olho para o meu quarto, eu sinto que ele é meu, que é um reflexo de mim.

E sem mais delongas ahah eu vos apresentou o meu cantinho de inspiração.

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Lady Rebel – Capítulo 15

*

- Eu nem te sei explicar porque é que ainda me surpreendo! Andar à porrada com o Luke. –Jordan gritava. – Até para alguém como tu isso é baixo!

 Harry mantinha-se cabisbaixo, sentado na cama apenas com a parte de baixo do pijama. Tentava a todo o custo ficar calado, dando a permissão a Carter, para tirar as suas próprias conclusões, para acreditar nas próprias palavras.

 Assim seria mais fácil, se ela o odiasse as coisas não custariam tanto, a promessa não seria tão difícil de cumprir. Ele não iria sofrer nem sentiria remorso.

- Não vais dizer nada?

- O que queres que diga? – Harry levantou finalmente o rosto, encontrando os olhos azuis. – Tu já fizeste o teu discurso Carter. Já acreditas no que precisas de acreditar, já sabes o que precisas de saber! Queres que eu acrescente alguma coisa? – foi ao encontro dela. – Queres que eu te diga o quão bom foi colocar o meu punho na cara dele? Queres que te conte como foi a adrenalina de bater no teu namorado, ou ver todo aquele sangue ser derramado?

 As respirações rápidas e nervosas batiam uma contra a outra enquanto Harry e Jordan se olhavam intensos e furiosos.

 Harry estava a conseguir surtir o efeito que queria. Jordan estava com raiva e talvez até repulsa dele. Do que ele sabia dela, Harry apostava que Jordan estava naquele exato instante a arquitetar na sua mente, uma forma de o fazer sofrer e pagar por aquilo que ela achava que ele era culpado. E Harry não podia estar mais satisfeito ao ver todo aquele ódio nos olhos azuis da rapariga.

- Há apenas um sentimento que abomino e espero que nunca ninguém o sinta por mim. – encarou-o determinada e seca. – Eu tenho pena de ti Harry, pena por seres quem és, egoísta, egocêntrico e manipulador. – acusou-o com as lágrimas ansiosas por escorrer.

 Harry sabia que Carter não queria dar-lhe o gosto de derramá-las na frente dele. Ela era demasiado orgulhosa para mostrar que estava afetada e ele de certa forma preferia que assim fosse, caso contrário, não sabia se iria conseguir manter-se fiel ao seu plano sem que o choro da menina o enfraquecesse. Não gostava de ver uma mulher chorar na sua frente, muito menos quando nutria sentimentos por ela, fortes ou fracos.

- Eu estou a ver que não vale a pena falar contigo, não é? – perguntou retórica soltando uma risada falsa. – És incrível Van der Wood. Eu só não sei como me deixei encantar por ti. Não sei como pude-me deixar encantar…

  Aquela ele soube que não podia deixar escapar, estava certo de que depois daquilo que ele ia dizer, Jordan sairia porta fora sem pensar duas vezes…

- Simples Jay, muito simples. – deu ênfase na última palavra. – Tu precisas de alguém que te faça sentir viva, alguém que te faça perder o controlo, alguém que te leve ao limite, alguém que te consuma. – olhou-a penetrante. – Alguém como eu! – constatou satisfeito. – Admite Carter. Tu precisas de mim, mais do que tu própria gostarias.

- Isso é men…

- Não! – exclamou calando-a. – Eu posso não estar sempre certo de tudo, mas algumas coisas são demasiado óbvias para serem desmentidas. E isto! – Apontou para o peito de ambos. – Isto existe e tu necessitas como quem precisa de ar para viver!

 E tal como ele esperava, ela saiu. Saiu rápido demais para ser notada, assustada demais para desafia-lo, confusa demais para refutar.

*

- Porque não lhe contaste o que realmente aconteceu? – olhou-o Daniel confuso.

- Nada do que eu dissesse iria mudar o que ela sente por mim neste momento. Ela não quer saber de mim e eu não devia querer saber dela.

Daniel pousou a mão pesarosa sobre as costas do amigo mesmo sabendo que nada mudaria com aquele ato.

- Eu não sei o que sinto Dan, eu não me devia importar com ela, eu devia odiá-la, tal como ela me odeia agora. Eu tenho uma promessa, uma vingança a cumprir.

- Hazza eu não sei…eu não acho que tu devias fazer isso, tu vais-te arrepender, tu vais acabar contigo mesmo. E eu não vou ter a força necessária para te ajudar amigo.

- Eu não vou voltar atrás, eu vou fazer o que tenho a fazer! – levantou-se da cadeira, impulsionado pelo determinismo. – Eu e o meu pai já andamos nisto há demasiado tempo. Eu vivo neste inferno há dois anos. Eu tenho que acabar com ela de uma vez. – gesticulou mostrando a mágoa ressentida no brilhar dos olhos. – Essa é a única forma de vingar a morte da Bella.

- Não. Não é! – Daniel negou. – E tu sabes muito bem disso! Não é a matar a miúda que tu vais sentir alívio, ou vais trazer a tua irmã de volta. A rapariga não tem culpa de nada. Ela nem sequer conhecia a tua irmã.

Uma hora mais tarde, West abandonou o casino, cansado de não conseguir surtir qualquer efeito, que fizesse Van der Wood mudar de ideias.

Quando deu meia-noite, Harry ainda estava lá. Nostálgico e pensativo.

 

At night when the stars

(À noite, quando as estrelas)

Light up my room

(Iluminam o meu quarto)

I sit by myself

(Me sento sozinho)

Talking to the moon

(Falando com a lua)

Try to get to you

(Tento chegar até você)

In hopes you’re on

(Na esperança de que você esteja)

The other side

(No outro lado)

Talking to me too

(Falando comigo também)

Or am I a fool

(Ou eu sou um tolo)

Who sits alone

(Que fica sentado sozinho)

Talking to the moon

(Conversando com a lua)

*Talking to the Moon, Bruno Mars

 

Em passo cauteloso, Harry chegou perto de uma das diversas janelas do velho casino. A luz da lua incidia sobre a sua face, impedindo que a escuridão tomasse o seu rosto angelical. Ele olhou-a convicto de que aquela esfera prateada podia iluminar não só a sua face, mas também o seu interior. Ajudá-lo a distinguir o que ele queria, daquilo que ele tinha que fazer. Observarr a imensidão da esfera prateada, era já algo que ele fazia por hábito desde a morte da irmã.

Bella ia todas as noites para o alpendre da janela do quarto, sentava-se segurando entre as mãos a chávena de chá e conversava. Conversava com a lua como se esta fosse a sua terapia noturna. Falava de amores, de amizades, falava de tristezas e confidenciava alguns segredos. Harry ouvia, sentado na cama do seu quarto, com o cigarro aceso entre os lábios, a janela aberta e os ouvidos atentos a cada uma das palavras dela.

Ele pensava que aquilo era algo inútil e ridículo, algo de menininha. Nunca tinha percebido qual era o real ponto de todo aquele ritual. E mesmo assim, não deixava de a escutar. Sempre curioso sobre aquilo que ela ia contar daquela vez, sempre atento às suas lamúrias como se a felicidade dele, dependesse do bem-estar dela.

O hábito dele nasceu daí, a necessidade de ter com quem falar, com quem desabafar o seu desgosto, a sua vontade de acabar com tudo, a sua podridão interior.

Havia ainda a esperança, aquela réstia de esperança de que tudo não passava de um sonho e que ela estava ainda viva. Sentada no seu alpendre, falando com a lua, respondendo às preces desesperadas do irmão que acreditava que talvez um dia ela o pudesse responder.

Era assim, ele tentava chegar até ela, procurava a sua única amiga, aquela que tinha o dom da palavra, aquela que o salvava da sua escuridão. Esperançoso de que ela estivesse do outro lado, falando também com ele, mas sempre em vão. Porque ele nunca obteria a resposta, nunca ouviria a voz, nunca a voltaria a ver.

A realidade atingia-o bruta e impiedosa e então a maldita noite acontecia mais uma vez na sua cabeça. O pesadelo do qual ele não se livrava, o principal culpado de toda aquela maldição. A noite em que a sua vida perdeu sentido e mais nada voltou a interessar.

A imagem era nítida, como numa tela de cinema, ele via tudo a passar em câmara lenta. O hospital estava lotado e o desespero não deixava agir coerente. A porta do quarto 311 estava aberta e Bella estava lá. Deitada na cama de ferro, ligada a máquinas, frágil, vulnerável. Harry queria não chorar, mas era mais forte do que ele.

*

 – Desculpa! Desculpa Bels, desculpa por não ter sido quem tu gostarias que eu fosse! – as lágrimas queimavam a pele branca do rapaz.. – Desculpa por te ter desiludido.

- Hazza.Tu nunca me desiludiste. Nunca! Tu…-a tosse incomodativa interrompeu Bella.

- Bella não fales. Não te esforces. – implorou segurando firme a mão da irmã. – Eu não quero ter que dizer adeus. Eu não posso…

- Hazza, isto não é um adeus…nunca será!- sorriu com as lágrimas nos olhos. – Porque se fosse… Tu ias-te esquecer de mim.

 Harry apertou os olhos e deixou as lágrimas caírem. Pensar que aquele podia ser o seu último momento com a irmã destruía-o.

 Harry não queria, não aceitava.

 Apertou os olhos, vincando-os com força e então começou a rezar. Mas as suas preces vieram demasiado tarde para a irmã.

 Do nada, a mão de Bella enfraqueceu gradualmente o aperto. Harry abriu os olhos mas não encontrou os cinza da sua irmã.

 Uma lágrima pesada escorreu, quando a máquina que registava os batimentos cardíacos emitiu um som contínuo e estridente.

*

Ela faleceu deixando para trás memórias de algo que nunca mais seria o mesmo. Bella morreu e levou com ela a única parte boa do seu irmão mais novo. O vazio foi o que sobrou daquele rapaz de 16 anos que perdeu a única pessoa que amava, cedo demais.

O telemóvel de repente tocou despertando-o. – Van der Wood.

- Onde raio te meteste? – cuspiu ríspido.

- Eu estou…eu estou só num bar. – mentiu.

- Anda para casa imediatamente. A tua mãe está a perguntar por ti e eu estou sem paciência para a aturar.

Harry soltou uma respiração pesada e apoiou uma das mãos na cintura. – Eu já estou a sair pai.

- Espera! – falou impedindo o rapaz de desligar a chamada. – Sobre a Carter, como andam as coisas?

Harry semicerrou os olhos obviamente ciente de que a resposta que ele tinha para dar não era do agrado do pai. Então achou melhor mentir. – As coisas estão a correr bem. Já não falta muito para que isto tudo acabe.

- Ótimo. Assim é que eu gosto. – Harry podia imaginar o sorriso rasgado de Nicholas do outro lado do telefone. – Parece que no final de contas, sempre posso contar contigo para alguma coisa.

- É! Eu já estou a caminho.

- Bom mesmo. – desligou sem cerimónias.

 

***

 

- Carter, Carter! – falou uma voz pouco conhecida no escuro da sala-de-estar.

- Milla! – exclamou quando viu a prima sentada no escuro.

- A própria. – levantou-se até chegar perto da outra. – Então, como vão as coisas com o Luke?

Jordan mostrou a carranca mais confusa que o seu semblante poderia suportar. – Como é que sabes do Luke?

- E desde quando é que eu não sei de tudo? – retrocou. – Oh! Vamos lá priminha, tu sabes perfeitamente que eu sei sempre tudo o que se passa, sabes também que eu nunca te irei dar explicação para tal, mas uma coisa é certa, eu sou apenas uma espectadora de todo este espetáculo. E que espetáculo!

- Espetáculo? – Jordan levantou as sobrancelhas ao uso da expressão da prima.

- Sim Jay e tu…- apontou para a de cabelos castanhos. – És a protagonista!

Jordan manteve-se ereta, mirando a prima sem mostrar qualquer simpatia por ela, mas Milla ignorou-a simplesmente e continuou o seu “papo furado”, como Jordan costumava dizer para Emma, sobre a vida.

- As coisas nem sempre são o que parecem. – disparou sem contexto. – Nem sempre o que vemos, corresponde à realidade.

- Não estou a ver onde realmente queres chegar com esta conversa. – bufou entediada.

- Claro que não! Tu só entendes aquilo que queres entender. Aquilo que te convém, aquilo que é mais fácil. Carter tu gostas de fácil e a vida nem sempre te pode fazer esse favor.

- Olha lá…

- Carter tu achas que a verdade está na tua frente, mas ela não está. Pelo contrário, ela está sempre a um passo atras de ti. Tu acreditas naquilo que vês, nunca olhas para trás. Nunca questionas. E é aí! – subiu meio-tom a voz. – É aí que erras. As mentiras circulam à tua volta como carroceis loucos, elas esperam pela hora em que tu vais parar, pela hora que tu vais pensar e analisar tudo. Enquanto esse dia não chegar, tu vais continuar a acreditar apenas naquilo que os teus olhos, a tua cabeça e o teu coração querem que acredites.

 

***

Ficar calada pareceu ser o mais prudente a fazer visto que Jordan ficou sem resposta para dar. Ela não conseguia descobrir o que realmente estava escondido em cada uma das palavras da Milla, mas fosse o que fosse era forte e tinha impacto sobre ela. Mais uma vez Milla tinha lançado a sua carta, deixado cheiro de segredo no ar.

Milla era assim, um poço de segredos, de indiretas e pequenas contradições, sempre com a resposta certa, no momento menos propício. Na hora exacta.

Depois da milésima volta dada na cama, Jordan desistiu de tentar entender a prima. Não valia a pena perder tempo com uma lunática.

Pegou no telemóvel para enviar uma mensagem de boa noite para Luke quando viu outro nome no visor.

Harry tinha enviado um sms. Algo estranho e inédito.

Choque e espanto, definiam-na muito bem. A raiva dizia-lhe para não ler, simplesmente ignorar, mas a outra parte, aquela parte dela que não queria deixar de pensar nele. Aquela pequena parte que ela desejava espezinhar, persistia e crescia dentro como uma bola de neve.

Jordan fechou os olhos e pousou o telemóvel perto do seu travesseiro. Contou até 10 várias vezes, tentando acalmar os nervos e a ansiedade.

Quando achou estar pronta, voltou a pegar no aparelho. Ainda hesitante carregou no temido botão e leu:

Mensagem de Harry V.

Amanhã depois das 23.00H em frente ao London Eye. Não te atrases e leva algo quente. Vais precisar.

Xx H.

Lady Rebel – Capítulo 14

Os olhos entreabriram quando a luz da sala foi acesa. A claridade momentânea fê-la implorar choramingar em protesto. Era tarde, provavelmente umas 2.30 da madrugada quando ouviu os passos de Luke aproximarem-se do sofá.

- Luke! Deus do Céu, o que te fizeram?

O rapaz não respondeu. Tinha medo de contar o que realmente tinha acontecido, também não tinha coragem de mentir para Carter, essa nunca seria uma opção.

Agora que estava quase mais sóbrio, conseguia sentir o arrependimento dentro de si. Sabia do erro escroto que tinha cometido e não queria sofrer as consequências se Jordan descobrisse o que realmente se passou.

Começou por tirar o casaco, mas a dor não o permitiu fazê-lo sem a ajuda da namorada.

Jordan entendeu que algo estava errado. O silêncio acusava Luke de algo que ele não devia ter feito e Jordan queria poder confrontá-lo sem que palavras maldosas lhe tomassem a boca. – Luke o que aconteceu? – insistiu passando a mão pelo rosto magoado do rapaz. – Luke! – chamou-o finalmente obtendo a atenção dele.

- Eu fiz merda e não saí ileso.

Jordan não soube que palavras usar, nem soube se devia dizer algo. Ela conhecia Luke, sabia que ele acabaria com aquele mistério eventualmente. Não levaria muito tempo para ele contar-lhe o que tinha acontecido, ela só teria que pensar na pergunta certa.

- Vamos Luke! – puxou pela mão dele conduzindo-o ao quarto. – Vou ajudar-te a tirar essa t’shirt. Precisas de alguém que te faça um curativo.

 

***

Jordan trabalhava atentamente no rosto ferido do homem deitado com a cabeça nas suas pernas e ele seguia cada pequeno movimento dela, sem conseguir desgrudar os olhos azuis. Era tão bom sentir a pele macia e quente de Jordan, contra a sua. Era tão bom poder saber que alguém se preocupava com ele, alguém se importava com o seu bem-estar.

- Não vais parar de olhar Luke? – sorriu entre as palavras.

- Eu não consigo.

Jordan abriu mais o sorriso de menina continuando o seu trabalho. Luke fechou os olhos algumas vezes, mostrando uma careta sofrida, quando a namorada passava o algodão embebedado em água oxigenada sobre os cortes da sobrancelha e lábio.

Os comentários meigos saiam livres e espontâneos vez ou outra, enquanto Jordan limpava o rosto de Sparks.

Quando o momento finalmente lhe pareceu ser oportuno Jordan arrumou o resto dos curativos e tomou uma posição mais séria.

Luke não a olhava mais, os seus olhos estavam fora daquele lugar, observando a escuridão da noite na companhia do único som presente além das duas respirações cansadas, os carros na estrada e as ruas de madrugada. Evitava a todo o custo encarar a rapariga de cabelos castanhos, fingindo-se distraído e aéreo. A sua perna dobrada batia frenética e sincronizada sobre o colchão da cama. Aquele era o comprovativo de que Luke estava nervoso. O seu tique sempre o acusava.

- Luke!

- Hum! – soou duas oitavas a baixo.

- Quem te bateu?

De repente a sua perna parou. Com muito esforço ele conseguiu olhá-la recebendo em troca um olhar carente e preocupado.

- Ninguém me bateu! – falou sério. – Foi uma luta. Eu não fui o único a sair manco.

- Com quem é que lutaste então? – reformulou ela a questão.

Sparks vacilou na resposta. Não queria que Carter soubesse o que realmente tinha acontecido, mas a mentira estava fora de questão. Exalando um pouco de ar ele ganhou a coragem que precisava para dizer o nome do individuo sabendo que Jordan não interpretaria a história da forma certa, mas sem bravura para ser verdadeiro.

- Van der Wood.

Os olhos azuis de Carter esbugalharam, não de surpresa, mas de raiva.

- Jordan eu não fui o único a levar.

- Isso não interessa. – respondeu ríspida.

- Jay…- tentou chegar na mão dela.

- Agora não Luke. – levantou-se caminhando para perto da janela.

 

***

 

Carter esperou até a manhã chegar, para que pudesse sair sem que Luke percebesse. Não lhe contou nada nem deixou suspeitas, quando deu 9.00H ela saiu do apartamento, certa do destino que aquela manhã cinzenta a ia levar.

A casa dos Van der Wood ficava longe da zona onde Luke morava, mas isso não a impediu de cumprir todo o caminho em menos de dez minutos. Ela não ia deixar aquilo passar em branco. Harry estava habituado a ter tudo e fazer o que queria sem que as consequências chegassem até ele, mas agora não, desta vez ia ser diferente.

Quando Abigail, a empregada da família, lhe abriu a porta da casa com um sorriso resplandecente, Jordan respondeu com um meio sorriso e um ar menos simpático.

- Menina Carter? Bom dia, acordou cedo. – falou verificando a hora no seu modesto relógio de pulso.

- Er…sim, eu tive uma noite difícil. – entrou na casa. – O Harry está?

- Noite difícil? Precisa de uma água, talvez um chá? – interrogou-a ignorando a pergunta da rapariga.

- Não Abigail, eu estou bem, eu só queria falar com o Harry. Ele está?

Abigail olhou apreensiva. Conhecia muito bem o histórico de mulheres que passava frequentemente pelo quarto de Harry quando os seus pais não estavam em casa, ou pelo menos, não estavam conscientes para testemunhar a presença de sexo feminino.

Tinha medo do que Carter poderia querer com ele a tal hora da manhã, ou até mesmo, do que ela poderia encontrar quando entrasse no quarto dele.

Optou por ignorar o seu instinto. – O menino Harry chegou muito tarde esta noite, ele está no quarto provavelmente a dormir. Se quiser pode esperar…

- Não eu não quero. – respondeu avançando para o único corredor da casa.

- Menina Carter! – chamou- a em vão.

 

*

-Hazza! –  Harry ouviu a voz de Bella vinda do seu quarto. – Hazza!

- Já vou Bella! – Respondeu preguiçoso levantando-se da cama.

 Como de costume a irmã havia deixado a porta do quarto aberta para permitir que o cheiro das suas velas de baunilha se espelharem por todo o corredor.

 Bella estava sentada na cama, debruçada sobre um caderno que muitas vezes lhe fazia companhia. Segurava uma caneta na mão direita e olhava pensativa para a página em branco na sua frente.

- Odeio o cheiro dessas velas Bels! – disse torcendo o nariz quando chegou ao batente da porta de madeira branca.

- Uhum! – concordou pouco interessada na opinião do irmão mais novo. – E eu odeio o cheiro a tabaco! Por isso…- olhou-o pela primeira vez. – Acho que estamos quites.

 Harry ignorou o infeliz, porém merecido, comentário da irmã e limitou-se a soltar um suspiro pesado antes de falar mais uma vez.

- Porque é que me chamaste? Precisas de alguma coisa? – entrou no aposento até ficar a menos de um metro da irmã.

- Não, eu quero mostrar-te uma música e um desenho que eu fiz.

 Harry olhou-a confuso, mas não opinou contra, sentou-se na cama de Bella e observou a irmã dirigir-se para o aparelho de som e carregar no play.

http://www.youtube.com/watch?v=qC6peZfXdEI

 O som do acorde de piano preencheu o silêncio reconfortante. Repetindo-se mais uma vez e depois mais outra. Então a voz de Ed Sheeran saiu das colunas como uma melodia boa e melancólica.

“I should ink my skin with your name”

(Eu deveria tatuar seu nome na minha pele)

Harry permitiu-se recostar sobre a cama da irmã e fechar os olhos. Deixou que a música o invadisse lenta, calma e suave. Deixou-se ser penetrado por aquele som calmante. A música apaziguava o seu espírito, a sua alma. As palavras soltas e naturais, acompanhadas pelo piano discreto, faziam sentido na sua mente. Bella sabia que aquela música tinha um certo significado. Sabia que aquela música podia trazer um pouco daquele rapaz de olhos verdes de quem ela tanto sentia falta.

 Sentou-se ao lado do irmão, despertando a atenção dele para a folha que ela carregava nas mãos.

- O que é isso? – perguntou colocando ambas as mãos sobre a nuca, para suspentar o peso da cabeça.

- Isto…-Hhesitou. – Isto é o tal desenho que eu fiz!                        

 Harry olhou-a incentivando-a a mostrar a ilustração que ela segurava tão firmemente nas mãos. Bella ponderou durante segundos, mas acabou por virar a folha de papel para o irmão.

 Os olhos verdes estreitaram-se. Levantou o corpo inclinando-o sobre a folha de papel. Tirou o desenho das mãos da irmã e analisou. As cores da aguarela em tons claros e alegres, combinados com o desenho delicado e bem executado sugeriam-lhe algo que ele não entendia.

- O que foi Hazza?- abraçou as pernas com o olhar cinza direcionado para o mais novo. – Não gostas?

 Harry tentou, mas as palavras simplesmente não saíram. A figura parecia querer dizer-lhe algo, mostrar algo que ele não entendia.

*

Jordan entrou no quarto de Van der Wood demasiado descontrolada para enxergar direito. A raiva impedia-a de pensar coerentemente e a pouca luz do quarto não ajudava. Harry acordou do seu sonho e assustou-se com a inesperada chegada de Carter. Ainda que magoado, ele conseguiu levantar-se da sua cama em pouco tempo, mas rapidamente se arrependeu de o ter feito. Jordan olhou-o mortífera e soou pior ainda.

- Seu doente psicopata!